Entrevista: Orpheu, o cara da Red Light Radio

Pesquisador musical ferrenho é também criador das artes visuais do Dekmantel

Entrevista: Orpheu, o cara da Red Light Radio
Divulgação

Desde 2010, entre sex shops e casas de strippers típicas do Red Light District, em Amsterdam, uma janela de luz vermelha se destaca por emanar notas musicais do mundo inteiro. É ali no número 22 da Oudekerksplein onde fica a Red Light Radio, projeto de Hugo van Heijningen e Orpheu de Jong, que também se desdobra em estúdio de gravação e loja de vinis. Neste sábado (212), Orpheu, conhecido pela alcunha de “the Wizard”, se junta a Young Marco, Tako, Jamie Tiller e Gop Tun DJs, para mais uma edição da festa Gop Tun em São Paulo, que traz essa parceria entre a rádio holandesa e o selo Music From Memory.

“Nós chegamos ao Red Light District porque, quando iniciamos nossas atividades, a vizinhança estava em processo de profunda transformação e havia novas oportunidades para adquirir espaços a preços acessíveis. Eu ainda gosto muito do fato da vizinhança ser diversa, com novos negócios animando a área, e conquistamos nosso lugar ali por conta de um respeito mútuo”, conta Orpheu. Algumas surpresas peculiares acontecem no espaço, como encontrar uma caixa de vibrador jogada no quintal ou até marcas de sangue nas vidraças, mas é só isso, conforme já contou seu sócio em outras entrevistas. “Apesar de serem bons vizinhos, não há muita interação da gente com os negócios da região”, complementa.

Quando criança, foi sua irmã mais velha a responsável por introduzi-lo no mundo da música, ao levar para casa discos do coletivo NWA (Straight Outta Compton). Filho de holandês com mãe surinamesa, seus sets têm uma linha de condução permeada por grooves surpreendentes entre estilos que vão da House até o Space Disco. Uma pesquisa ferrenha de músicas regionais do mundo todo complementa a receita infalível do “mago” para enfeitiçar as pistas. Orpheu conhece bandas e cantores mais antigos da terra da sua mãe, que estão mais próximos dos gêneros e das eras pelas quais navega musicalmente. “Existe muita coisa de lá com as quais eu cresci e fui muito exposto durante minha juventude”, arremata.

Na programação da rádio, há espaço tanto para Afrobeat, House e Disco, quanto estilos como Black Metal e Punk. “Basicamente, nosso programa é uma combinação de shows regulares e outros especiais feitos por artistas locais e internacionais”, descreve Orpheu. Já rolaram edições com programas de figuraças como Tom Trago e San Proper, especiais inspirados nas tatuagens de banda dos DJs residentes, além de participação em festivais como o Dekmantel, SXSW, passagens pela China, Rússia, Brasil e outros países

Quando questionado se é possível um artista enviar trabalho para a rádio conhecer, ele afirma: “Todos podem sempre nos enviar um email com seus mixes quando estiverem vindo para Amsterdam. Nós ouvimos tudo e, se for algo que caiba na nossa programação e houver espaço no calendário, rola. Estamos sempre abertos a novos nomes”.

Orpheu divide o tempo na Red Light Radio com o trabalho na parte visual do selo Dekmantel. “Há muito tempo, eu costumava fazer alguns trabalhos de design gráfico ao lado de Young Marco e acabamos fazendo algumas coisas para a Rush Hour. Casper (Dekmantel) nos procurou quando eles já estavam fazendo eventos há um ano, e começamos a trabalhar juntos. Mais tarde, quando eu e Marco paramos de fazer parcerias, eu continuei a fazer os materiais do Dekmantel. E agora isto já vai fazer dez anos!”, conta o artista, que acredita na conexão entre as duas formas de expressão artística, musical e visual. “Criar uma estação de rádio, tocar e criar design para música são esforços criativos e estão de alguma forma ligados, ainda que muito distintos entre si. Mesmo assim, creio que fazer fazer tudo isso junto acaba por compor meu universo criativo pessoal”.

O Monkeybuzz quis saber se Orpheu curtia outras rádios, mas ele deu a real: “Para ser sincero, não ouço tanto programas de rádio pelo simples fato de eu mesmo estar numa estação quase todos os dias (risos). Mas eu curto bastante o que a Dublab tem feito, a Intergalactic FM é sempre ótima e tem surgido uma boa quantidade de novas estações nos últimos anos”.

Quem estiver a fim de conhecer mais sobre a Red Light Radio, a rádio fará uma transmissão na terça (dia 5) em parceria com a Na Manteiga, a partir das 15h, direto de São Paulo. Atrações: Luisa Puterman (15h), Rodrigo Berg (16h), Ju Salty (16h), Tako (18h), Gui Scott (19h), Magal (20h).

Conheça: Red Light Radio | Intergalactic | Na Manteiga | Dublab

Marcadores: Entrevista, Eletrônica