O Sangue Latino de Danny Daze

Produtor imprime orgulhosamente DNA chicano ao Electro

O Sangue Latino de Danny Daze
Divulgação

Daniel Gomez foi um menino que cresceu no gueto chicano de Miami. Na adolescência, ele se aventurava tocando em festinhas de casamento, com apoio da mãe e da família de origem cubana. Hoje, ele se apresenta como Danny Daze e figura com destaque na lista dos DJs e produtores mais aclamados do continente americano. O motivo? Ele sabe dosar impecavelmente Electro ao Techno, no mesmo grau que mistura beats calientes às melodias muitas vezes soturnas. Colecionando lançamentos em selos prestigiados, como Kompakt, Hot Creations e Ultramajic, Danny é uma das atrações do Dekmantel São Paulo.

A história do garoto que dançava como Bboy e sonhava ser DJ é cheia de episódios surpreendentes. Sua carreira foi brevemente interrompida aos 18 anos por uma prisão domiciliar devido a uma apreensão por interceptação de drogas. O período de isolamento de dois anos serviu para Danny se aprofundar musicalmente. Formado em engenharia de áudio, tornou-se um exímio produtor. Em 2011, a faixa Your Everything o colocou na rota internacional. Desde então, o garoto de alma latina ganhou o mundo.

Com vasta passagem pelo Brasil, ele conversou com o Monkeybuzz sobre os planos do selo OMNIDISC, a amizade com o DJ brasileiro Rhr e detalhes sobre seu processo criativo, que inclui o trabalho de sound designer de moda.

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Monkeybuzz: Você tem forte influência cubana, o que você indicaria de músicos cubanos com grooves irresistíveis?
Danny Daze: Salsa e música Afro-Cubana rolavam sempre na minha casa, som de cantores como Benny More, Celia Cruz e Mayito Rivera. Assim como a música brasileira, a música cubana é sincopada e tem loopings inesperados, que me ajudaram a discotecar e produzir sons. Até hoje, eu ainda escuto Buena Vista Social Club, simplesmente para reviver a lembrança de quando era criança e meu objetivo era ser músico. Ouvir minhas raízes revive minha paixão pela música em uma base constante.

Mb: Rhr é um DJ paulistano que também tem beats latinos na família, formada por professores de capoeira. O que você acha mais atraente na criação musical dele?
Danny Daze: Eu gosto da atitude e da vontade do Roni em aprender coisas novas. Ele é um produtor incrivelmente talentoso, capaz de trazer um ritmo diferente que parece ser influenciado pela cultura brasileira. É extremamente refrescante de ouvir! Eu falo com ele um pouco, e sempre gosto da preferência dele por uma paleta de sons influenciada pelo Electro. Ele definitivamente é o primeiro afiliado da Omnidisc no Brasil. Eu estou realmente ansioso para sacar o que ele deve preparar futuramente, como o projeto chamado Colateral, em duo com o Zopelar.

Mb: Qual é a essência da curadoria musical do Omnidisc? Você pode contar mais sobre os artistas do selo e dizer por que escolheu esses caras para estarem com você?
Danny Daze: O Omnidisc é apenas a continuação de outro selo chamado Omniamm, que eu mantive de 2004 a 2007. Sempre fui um cara que procura música fora do radar, mas capaz de enviar uma mensagem forte. Não estou nessa por dinheiro. Nem por qualquer tipo de notoriedade de grande nome. É exatamente isso que procuro no rótulo. Ser capaz de impulsionar músicas que não se encaixam necessariamente em todos os ouvidos, mas apenas se encaixa no som e na atitude com as quais cresci em Miami. Agora, estou concentrando muita energia em ajudar o artista de Miami a ser ouvido. Foi um pouco difícil para mim sair de lá sendo que não havia muitos artistas que estavam tocando um som de Techno ou Electro mais duro.

Caras de Miami como Anshaw Black, Deroboter, Mogs Valta, Artime e Diego Andrés são todos artistas que eu estou abraçando para dar um gás, para que o resto do mundo possa ver o que é Miami e de onde somos. Quando se trata de outro DJ que eu lancei fora de Miami, eu realmente só procuro quem tenha um som distinto, rude, que corresponda ao som da label. Mais importante, eu gosto de trabalhar com artistas que têm uma mensagem por trás de sua música. Quando as coisas são desse jeito, não rola muita grana pelo selo... então o foco principal deve ser a música e sermos uma família.

Mb: Você tem novidades do selo?
Danny Daze: Acabamos de lançar um EP do Anthony Rother, o que para mim é um grande marco na minha carreira. Rother é fácil minha maior influência quando se trata de Electro. Então, lançar algo dele na Omnidisc é uma honra. Liberamos o segundo trabalho da Drvg Cvltvre e teremos o segundo lançamento de David Vunk, em março. Temos algumas coisas na loja e estou muito empolgado com tudo isso.

Mb: Como é seu processo criativo quando você trabalha com moda? Como é “criar música para roupas”?
Danny Daze: Criar música para uma marca de roupas ou trilha de cinema é sempre uma tarefa divertida. É um exercício que permite expandir sua ‘paleta de sons'. Desafia você a ir atrás de criar novos caminhos no seu fluxo de produção. Eu costumo tentar criar algo que eu não produziria normalmente, seja influenciado por Hip Hop ou puramente Eletrônico. Eu sempre gosto de tentar me desafiar e fazer algo que nunca fiz antes. Trabalhei para as marcas John Elliott, Song For The Mute e Second Layer.

Mb: Quais são os planos musicais para 2018?
Danny Daze: Estou me concentrando muito no meu selo e trabalhando no meu álbum que será lançado no final do ano. Quando se trata da minha label, eu realmente quero manter o foco em destacar uma mensagem sobre o som inédito de Miami. Mas, com meu álbum, eu apenas estou produzindo e vejo o que deve sair. Realmente, não estou focando em nenhum selo para lançar isso no momento, como as pessoas tendem a produzir de acordo com o selo que pode se interessar pelo trabalho.

Artista: Danny Daze

Marcadores: Dekmantel Festival São Paulo, Entrevista