A Nova MPB: Continuação do patrimônio nacional

A Nova MPB: Continuação do patrimônio nacional

A cultura brasileira sempre teve em si a formação tida por misturas, que sempre agregaram o que tínhamos de melhor em nossa raiz e sempre ficou atenta quanto ao que se ocorria de bom pelos outros cantos do globo, mas nunca fugindo da identidade nacional. Com a MPB não foi diferente.

Nos anos 30 e 40, o estilo que é tido até hoje como a identidade brasileira fincava-se nos ouvidos populares. Era o Samba, aquele de raiz e que muito se discute se veio da Bahia ou do Rio de Janeiro, abrindo rodas por todas as esquinas dos bairros de subúrbio. Noel Rosa e Cartola foram grandes nomes que fizeram do estilo um dos mais poéticos de toda a música mundial.

Como dito, o Samba era um estilo observado com ares marginalizados e logo veio a influência elitizada, na qual misturava-se o Samba a elementos de Jazz colocando letras que não mais falavam do cotidiano dos morros ou de levianos amores, mas agora sobre uma ostentação das paisagens brasileiras e colocando dosagens mais filosóficas e pensantes, de vez em quando.

Era a vez da Bossa Nova de Tom Jobim, Dorival Caymmi e Vinícius de Morais. Curiosamente, se lá nos anos 20 e 30 o novo conceito modernista era de ir como uma espécie de quebra com tradicionalismo, agora, a Bossa Nova, que se originou dessa onda de ruptura, era vista com maus olhos pelos jovens dos anos 60 que iriam se apegar ao Iê-iê-iê e ao Rock, principalmente o britânico.

Dessa mistura do Samba e Bossa Nova é que podemos dar início ao que surgia e foi chamado de Música Popular Brasileira, a MPB. Muitos nomes beberam desses dois estilos, como é o caso de Chico Buarque, Milton Nascimento, Caetano Veloso , Nara Leão, entre outros, sempre trazendo músicas carregadas de lirismo e muita poesia em suas letras, característica forte da música brasileira. A MPB encantava a todos e ganhava espaço no gosto popular. Concursos, como o da extinta TV Excelsior, premiavam os nomes que surgiam do estilo. Fora isso, os programas de TV, geralmente dos finais de semana, abriam espaço para os artistas exporem suas canções, muitas delas que já ficavam na ponta da língua do público. Sempre firmada nas raízes da música brasileira, a MPB seguia pelas décadas e muitos artistas como Adriana Calcanhoto, Maria Rita, Marisa Monte e Arnaldo Antunes, este dando um toque de Iê-iê-iê, sempre deixavam o estilo vivo e próximo do público.

E é claro, a nova geração da música nacional não ia deixar esse patrimônio de lado. A Nova MPB é essa nova safra que continua trazendo a voz e o violão da MPB clássica com a sua cara pessoal, mas sem perder a base já conhecida e reverenciada. Os nomes são vários, e a qualidade é grande. Principalmente a partir dos anos 2000, esses artistas começavam a despontar, como por exemplo CéU, Ana Cañas e Tiê. E justamente por ter surgido nessa época, a qual a música alternativa ganhava destaque, os novos artistas da MPB acabaram ganhando rótulo de Indie por muitas pessoas, o que acaba não sendo muito adequado.

O que podemos dizer é que esses novos artistas souberam trabalhar com o antigo e o novo de uma maneira que resultou num MPB revisitada, com toques mais Pop, Folk, R&B, Eletrônico e Rock que simplesmente a tornaram interessantes e fazendo com que essa coletividade fosse formada por diferentes sons, unidos por uma mesma base, onde o ouvinte pode buscar esses detalhes em cada artista.

As opções são para todos os ouvidos, desde o ar mais Pop de Mallu Magalhães e Clarice Falcão, o introspectivo mas “valsante” de Tiê, Tulipa Ruiz e Thiago Pethit - esses três “membros” do que foi chamado de os Novos Paulistas, uma MPB mais densa de Bárbara Eugênia e Pélico, um som com uma levada mais Bossa de Cícero, ou com doses de eletrônico de SILVA. Seja qual for o artista em que se dê o play, e qual for a sua tônica, o que temos é sempre um turbilhão de elementos que nos toca, nos alegra ou nos faz chorar. É a força da musicalidade que poucos lugares do mundo tem, e somos felizes de sermos um país que possui esse dom no sangue de nossos artistas.

Aos poucos, essa nova geração foi conquistando os iPods de pessoas de sua própria geração, os jovens que ouviam e reverenciavam os grandes nomes, e que agora abriam-se para o novo. Desse modo, com um revival dotado de particularidades que só vinham a acrescentar, a “Nova MPB” começava a surgir em documentários e entrevistas para canais de TV e Internet, além, claro, dos palcos de casas de shows de grandes cidades brasileiras e desse modo ganhando ainda mais fãs.

E assim como foi com a Bossa Nova, essa nova safra acabou por conquistar territórios internacionais, como foi o caso recente de CéU, que recebe ótimas críticas dentro e fora do Brasil. Disco este, que assim como Berlim, Texas, Sweet Jardim, Tudo Tanto, entre tantos, vão aos poucos ganhando uma força incrível para se tornarem novas jóias da discografia verde e amarela, agregando força e poesia musicada assim como víamos nos consagrados nomes do passado e que agora são trazidas pelos grande nomes do presente e que vêm se tornando ainda maiores em um futuro muito próximo.

A música brasileira sempre encantou os ouvidos de todos pelos cantos do país e do mundo com seu alto poder poético e seus arranjos incríveis, principalmente no violão e na percussão. Os grandes nomes já fizeram sua parte e agora a nova geração, cheia de ótimos nomes, segue esse caminho de continuar a exposição de uma de nossas melhores propriedades culturais: a música popular.

Discografia

Tulipa Ruiz - Tudo Tanto
Tiê - Sweet Jardim
Thiago Pethit - Berlim, Texas
Ana Cañas - Amor e Caos
Bárbara Eugênia - Jornal de BAD
Mallu Magalhães - Pitanga
Cícero - Canções de Apartamento
Marcelo Jeneci Feito Pra Acabar
Pélico - Que Isso Fique Entre Nós
SILVA - Claridão
Clarice Falcão Clarice Falcão
CéU -Caravana Sereia Bloom

Artistas: Clarice Falcão, Ana Cañas, Marcelo Jeneci, Céu, Tulipa Ruiz, Thiago Pethit, Tiê, Bárbara Eugênia, SILVA, Mallu Magalhães, Cícero, Pélico

Marcadores: MPB, Estilos