O Batuque de Tata Ogan

A talentosa pesquisadora investe em mais produção e indica cantoras redescobertas

Por Danila Moura, 02/03/2018, às 18:50

Fotos: Divulgação

Nesse clima de aquecimento para o Dekmantel em São Paulo, vale a pena ficar de olho no line up nacional recheado de DJs que são ótimos seletores. Uma delas é Tata Ogan, nome que reforça a poderosa seleção de minas do festival.

Talentosa pesquisadora de ritmos brasileiros e africanos, ouvir seus sets é sentir a brisa boa de grooves nordestinos e sonoridades regionais, deliciosamente costurados por uma seleção musical impecável.

Criadora do projeto Vitrolinha, que levava mais sobre o universo dos discos de vinil para Niterói, e rolou em outras cidades. Ela ainda é percussionista, DJ desde 1998. Tata acabou de lançar uma mixtape especial para o Dekmantel e ainda bateu um papo com o Monkeybuzz para falar de suas pesquisa musical e planos.

Monkeybuzz: De que forma surgiu a ideia de criar o Vitrolinha? Como a ocupação do espaço público com música afetava as pessoas ao redor? Você sentia qual feedback?
Tata Ogan: A Vitrolinha surgiu em 2007, com uma vontade minha te tocar vinil em Niterói, minha cidade natal. Na na época, todos me chamavam de louca pois o vinil não tinha dado ainda o seu boom de retomada. Durante dois anos, fiz a Vitrolinha toda quarta feira no espaço cultural São Dom Dom na praça da cantareira em Niterói, reduto universitário e da boemia. Por volta de 2012, eu me vi na missão de ocupar a praça da Cantareira e retomar o projeto ali, no meio da praça. Para todos.

Foi uma experiência incrível tocar para todos. Inclusive crianças, idosos, moradores dos arredores da praça, além do povo que já frequentava o espaço. O projeto ocupou sem nenhum apoio cultural da cidade. Rolou por dois anos de forma ilegal. Era a Praça da Cantareira proporcionando cultura gratuita para muitos que nem sabiam da possibilidade de ter vinil por aí. O auge da Vitrolinha foi ver muitas pessoas com seu Shazam procurando os sons que tocávamos ali. A resposta era super positiva e compensadora.

Mb: Como o Vitrolinha transformou você musicalmente?
Tata Ogan: A vitrolinha tá sempre me transformando. A Vitrolinha é um encontro de DJs, pesquisadores que amam o que fazem. A troca é incrível.

Mb: Pelas suas experiências fora do Brasil, você sente que aumentou o interesse pela busca de discos e música brasileira que não tocavam em FMs e festivais de antigamente? Como por exemplo, ocorreu o ressurgimento da cantora Maria Rita Stumpf.
Tata Ogan: Os discos brazucas sempre foram muito valorizados por conta da nossa rica diversidade de ritmos. Vou citar a Geovana e Di Melo. Quase ninguém conhecia o trabalho deles. Através das mãos de DJs eles acabaram voltando com suas carreiras

Mb: Quais outras mulheres musicistas e cantoras você acha que deveriam ter mais espaço na história de música brasileira e estão começando a ser reconhecidas por causa de colecionadores de discos e remixes?
Tata Ogan: Vish, muitas! Margareth Menezes, Zezé Motta, Geovana, Cátia de França, entre outras

Mb: Você é afeita aos tambores e percussão. Você pesquisa também percussão envolvendo religiões afro-brasileiras? Caso sim, você poderia contar mais sobre artistas e cantos que mais são marcantes para você, dentro deste universo?
Tata Ogan: Sim, meu foco com a percussão vai além do envolvimento religioso. Gosto muito de ouvir os percussionistas Naná Vasconcelos, Djalma Côrrea, Cyro Baptista. Na onda religiosa afrobrasileira, recomendo qualquer disco do JB de Carvalho. Audição essencial.

Mb: Quais são seus planos e projetos para 2018 na área musical?
Tata Ogan: Estudar, estudar e estudar (risos). Pretendo lançar uns reedits e remixes esse ano. Focarei na criação e produção musical.

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