Dekmantel 2018: Sábado

Festival holandês volta ao Brasil com ótima estrutura junto de apresentações de grandes personalidades

Por Ana Laura Pádua, 07/03/2018, às 14:09

Fotos: Foto: Ariel Martini

Mais uma vez São Paulo viveu uma experiência inesquecível com o famoso festival e selo de Música Eletrônica holandês Dekmantel. Depois de sua estreia em 2017, no Jockey Club, neste ano, o antigo Playcenter foi ocupado por muitas pessoas durante o fim de semana — dias 3 e 4 de março. A estrutura e o modo que o festival foi pensado é de saltar aos olhos. Em um lugar onde quase só se enxerga o verde de árvores, luzes foram instaladas para o pôr do sol, estabelecendo uma atmosfera que tomou conta inteiramente do lugar. Ali, aconteceu a edição diurna do evento, que foi até às 23h. Na sequência, uma parcela do público deslocou-se até o Sambódromo do Anhembi — instalação que fica bem próxima do grande evento, se jogar no after com os sets de nomes como Teto Preto,DJ Fett Burger, b2b Palms Trax & Midland, Magal e outros.

Cashu
foto: Gabriel Quintão

Como enfatizado, o festival é muito bem construído, e a localização e distribuição dos palcos não ficam de fora. Além de vazar pouquíssimo som de uma apresentação para outra — mesmo estando relativamente perto, cada pista tinha uma personalidade distinta. A tenda UFO, por exemplo, ficou um pouco mais isolada das outras e lá a mão do Techno pesou com os brasileiros Cashu e Tessuto, passando pelo DJ de Berlin Kobosil e encerrando com o famoso mascarado do Electro de Detroit, Stingray. Enquanto isso, o Selector, um dos palcos mais místicos e escondidos pelas árvores, recebia Tata Ogan, Bufiman e Willikens & Ivkovic. O encerramento dançante ficou nas mãos de Young Marco, DJ e produtor de Amsterdam que flerta com o boogie caribenho e com o funk de Chicago.

Maria Rita Stumpf
foto: Gabriel Quintão

Neste primeiro dia, o grande destaque ficou para o palco Gop Tun, responsável por receber os pioneiros da Música Brasileira, Maria Rita Stumpf e Marcos Valle. Apesar da sonoridade ser mais orgânica, instrumental e com uma pegada no Jazz, ambos os shows foram aclamados. Qualquer hora que você desse um pulinho ali tinha gente. Além, é claro, dos DJs e produtores nacionais Barbara Boeing, TYV e Carrot Green — que teve a ousadia de acrescentar a faixa Dream On de Aerosmith em seu set. Encerrando, o produtor de Berlin, Palms Trax, que não à toa, marcou presença pela segunda vez no Dekmantel em São Paulo.

Atmosphere
foto: Eduardo Magalhães

Já o Main Stage, maior palco instalado na entrada e saída do evento, abrigou uma quantidade bem grande de público e nomes da Música Eletrônica. A coreana Peggy Gou, por exemplo, foi uma das artistas mais comentadas antes do evento e em sua apresentação, que começou às 17h (horário relativamente cedo), tinha gente dançando por todo lado. O DJ Midland é também queridinho da galera que mixa diferentes estilos ao House e Bass. Depois veio o irlandês Mano Le Tough que também gosta da vibe House, só que com uma cara mais Disco. A dupla de Berlim, Modeselektor, foi o headliner da noite pesando no BPM e nos graves, e claro, ninguém conseguia ficar parado. O grande destaque desta apresentação foi quando eles colocaram a faixa Nikes, de Frank Ocean, para tocar na íntegra. Sim! A música é bem mais baixa/calma e, mesmo assim, a deixaram inteira no meio do set. Esse momento foi um dos mais emocionantes e certeiros em questão de pluralidade e arquitetura do festival como um todo. As luzes, sets, lineup, equipamentos, banheiros, localização, tendas, capas (gratuitas) para se esconder da chuva... Enfim, tudo muito bem pensado, sendo um dos festivais mais interessantes da atualidade que temos o prazer e a honra de receber.

mais sobre