Francisco, El Hombre: "É muito bom poder representar a nova música brasileira dentro de um festival gringo"

Rafael Gomes comenta a cena da música no país que estará presente no Lollapalooza Brasil 2018

Por André Felipe de Medeiros, 26/02/2018, às 19:05

Cuba, Carnaval, Lollapalooza - A mistura de assuntos que ronda o nome Francisco, El Hombre dá uma pista da riqueza do som da banda, que se apresenta no domingo, 25 de março, no palco do Lollapalooza Brasil 2018. Dono de uma performance explosiva e bastante coletiva ao vivo, o grupo diz estar bastante animado com a participação no festival e que prepara algumas surpresas para a ocasião.

Isso foi dito ao Monkeybuzz por telefone por Rafael Gomes, um dos membros do quinteto, que logo comentou que estar no Lolla "é uma honra, é um baita line up, com bastante banda que a gente ouve faz tempo. A gente está super feliz de poder estar ali vendo e compartilhando".

"Das alegrias maiores é ver a galera da nossa cena sendo valorizada", conta ele, "a gente vai estar lá com Braza, com Liniker & Os Caramelows, com Tagore... É muito bonito ver que o line up brasileiro é justamente as pessoas com quem a gente divide palco quase todo fim de semana, e isso ao lado de outras bandas que são maravilhosas - no nosso dia, por exemplo, tem The Killers e Anderson .Paak, que é incrível".

Para quem está familiarizado com o som do grupo, que mistura a MPB de hoje em dia com sons referencialmente latinos, como o disco SOLTASBRUXA (2016), e nunca viu Francisco, El Hombre ao vivo, poderá ser uma surpresa ver a comoção causada no palco pela banda. "O processo de composição do disco e tocar ao vivo são dois lugares muito diferentes", explica Gomes, "a gente leva isso muito a cabo e gosto muito da maneira que a gente consegue estabelecer essa troca com o público ao vivo. É maravilhoso, é um elemento a mais ali que faz toda a diferença, estar com a galera, olhar no olho, sentir o que a pessoa está sentindo e mostrar para ela também o que você sente com aquela música. Eu gosto bastante (risos)".

Ouvir essas palavras no fim de fevereiro causa uma relação muito direta com o Carnaval, evento no qual a banda acabou de participar com um bloco pelo segundo ano consecutivo. "É uma alegria imensa poder fazer parte dessa festa e entender até mesmo sua função política de unir as pessoas, de mostrar que a festa não só pode como, pra mim, deve ter uma mensagem, que a gente precisa celebrar, porque a vida foi feita pra isso", explica ele, "A gente tem que sair pra vida e enfrentar as dificuldades com alegria. Acho que, dentro de todos os problemas que qualquer país tem, a gente no Brasil tem essa coisa de saber sorrir, de sair dos problemas sorrindo sem deixar de lidar com eles. Acho que é essa energia que o Carnaval traz pra gente, que, não importa o problema que qualquer pessoa esteja enfrentando, a gente segue na necessidade de celebrar a vida e estar com as pessoas. É a coisa mais linda do Carnaval, ver a rua sendo ocupada e poder levar essa energia para o resto do ano, estar em qualquer palco lembrando que essa energia faz parte da gente".

E Francisco, El Hombre chega ao palco do Lollapalooza Brasil no ápice de sua popularidade, alavancada principalmente pelo sucesso de Triste, Louca ou Má, trilha da novela O Outro Lado do Paraíso. Sobre a música, Gomes comenta que "ela conseguiu fazer algo que a gente tinha muita dificuldade, que era fazer com que nossa música e nossa mensagem circulassem para além do circuito de shows. A gente sempre quis sair da bolha, do mesmo círculo social que a gente vive. Daí, desde o videoclipe, que circulou muito na Internet, e depois com a sincronização na novela da Globo, é uma baita alegria saber que não é mais só o nosso círculo social que essa música tá alcançando. Ainda mais ela, que tem uma mensagem tão importante".

"A gente vive um momento de uma transformação urgente", continua ele, "com um monte de mina morrendo, e isso tem que parar, já faz muitos séculos que a gente vive isso, e a força que a gente puder colocar para isso mudar, a gente vai colocar. É muito importante saber que essa mensagem está sendo levada, e ela vai levar todas as nossas outras. A gente tem essa relação com as nossas músicas, a gente acredita muito no que a gente canta, então é muito importante saber que isso está chegando para além do que a gente poderia ter imaginado há três anos".

Voltando ao assunto de poder tocar no festival, Rafael Gomes conta que "é muito bom poder representar essa nova música brasileira dentro de um festival gringo, que vem pra cá e dá essas chances às bandas. Acho muito importante ter essa valorização. A gente vive um cenário muito rico, a gente até se pergunta o que é que falta para uma maior aproximação desse mercado com a cena que a gente vive. São poucos os músicos que conseguem levar isso de uma maneira profissional, se dedicar a isso sem precisar de um outro trabalho. Acho que, nesse movimento crescente desse circuito de bandas, é muito importante ter esse espaço, saber que as pessoas que estão mais acostumadas a ouvir bandas de fora vão poder ter essa oportunidade de conhecer as bandas daqui que dialogam com esse cenário".

E sobre seu show, ele afirma que Francisco, El Hombre vai estar ali "se doando 150%". A gente vai fazer o máximo de esforço pra fazer jus à alegria que a gente sente por estar lá junto de nossos amigos, e a gente espera que as pessoas estejam na mesma vibração para curtir com a gente… e aguardem surpresas, porque vai rolar! (risos)".

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