Ouça: Jaden Smith

Filho do ator Will Smith tem mostrado personalidade e boas referências com um Rap bem contemporâneo

Ouça: Jaden Smith

Esta talvez seja, na história do Monkeybuzz, a edição desta coluna (focada em bandas novíssimas) que será protagonizada pelo nome mais conhecido. Se isso já não fosse estranho o bastante, uma de suas participações musicais mais reconhecidas é uma parceria com Justin Bieber. Por isso, recomendo que antes de qualquer pré-julgamento (e até de ler o restante do texto), dê o play no vídeo abaixo.

Mesmo assim, pela nova fase que vive Jaden Smith, ele merece o destaque e o selo de “novidade”. O filho de Will Smith está com 16 anos atualmente e, como muitos já devem ter percebido em entrevistas recentes, está numa fase bem pirada de descobertas e de formação de personalidade, como todo adolescente.

O mais interessante no caso de Jaden é o quanto esse desenvolvimento pessoal está se dando de uma forma autêntica, sem sucumbir a pressões de ter que se enquadrar em certos padrões. É claro que ter nascido famoso como ele ajuda, mas, mesmo assim, o garoto tem conseguido atrair toda uma juventude que o acompanha para temas espirituais e arte de vanguarda, além de um interessante impacto que está tendo no mundo da moda, aparecendo frequentemente quebrando tabus como por exemplo vestir roupas etiquetadas como “femininas”, criando um estilo próprio bem marcante.

Tudo isso se reflete em sua música. 16 anos é o momento de pirar, de experimentar, de ousar, é isso que sempre tornou o adolescente um dos grupos mais interessantes de se analisar. Mas, além de tudo isso, Jaden (e sua irmã também, que já aparece por aqui há algum tempo) tem impressionado pela qualidade de sua música. Ainda não é perfeito, está longe de estar no nível dos grandes nomes, mas é Experimental de uma forma diferente - talvez não para nós, ouvintes, já que sua música é um apanhado de referências clássicas e contemporâneas, mas Experimental para ele mesmo, que parece estar tentando encontrar seu caminho e sua verdade musicalmente.

Sua temática não foge do esperado (relacionamento) e ainda acrescenta uma pitada de problemas contemporâneos, citando referências Pop e situações típicas de um jovem atual.

Meu primeiro contato foi com Blue Ocean, estranha numa primeira audição, mas que me hipnotizou estranhamente com sua melodia emprestada de um estilo que Flying Lotus popularizou muito bem, um Rap meio falado e meio cantado e um final bem bonito, na qual sua irmã canta um trecho de Blue Ocean Floor, de Justin Timberlake. Mas isto ainda não era o bastante para me interessar de fato pelo garoto. Foi apenas com Offering que decidi mergulhar mais e destacá-lo nesta coluna.

Esse Rap é feito em cima de uma batida de Tom Misch, que pela minha pesquisa a fez em homenagem ao produtor e rapper J Dilla. Nela, Jaden faz um Rap com um flow bem interessante e agressivo em alguns momentos. Em suas músicas, é possível ver influências de nomes mais clássicos, como o próprio J Dilla e Wu-Tang Clan, mas principalmente dos contemporâneos, como Drake, Kendrick Lamar e até Eminem.

Apesar de seu Rap estar crescendo em popularidade e chamando a atenção de nomes como Childish Gambino e até de Ezra Koenig (Vampire Weekend), que parece estar desenvolvendo algum projeto com o garoto, não acho que Jaden ainda seja um artista pronto. Mas algo inegável é que ele parece estar vivendo a adolescência perfeita para que este talento se desenvolva cada dia mais.

Artistas: Jaden Smith, Willow Smith

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