Ouça: Tennyson

Dupla canadense chama a atenção por sua pouca idade e por sua música experimental

Ouça: Tennyson

Se o ditado diz que uma imagem vale mais que mil palavras, um vídeo deve valer ainda mais algumas delas. Portanto, dê o play antes de prosseguir com a leitura.

É no mínimo estranho começar esse texto falando de “palavras”, quando o objeto dele, o duo Tennyson, se trata de uma banda instrumental. As vozes que você ouve no vídeo não são de Luke ou Tess Pretty, mas de diversos artistas sampleados nessa música poliforme e multifacetada que a dupla cria. De certa forma, é como se nomes como Aphex Twin e James Blake se encontrassem e decidissem fazer um projeto com influências do Jazz e do Pop.

Falando assim parece complicado, mas, como você bem pode ouvir, não é. O que mais me chama a atenção na música desses jovens (ele tem 19 e ela 17) é a eficiência com que eles conseguem unir estilos tão diferentes em algo realmente coeso e de fácil audição. Junta-se a isso o fato de incorporarem quebras inesperadas, arpejos bastante melódicos, efeitos sonoros às vezes nada usuais e samples diversos. A audição é sempre cheia de surpresas e pequenos detalhes que te fazem imergir ainda mais nos devaneios sonoros desses dois irmãos.

Apesar da pouca idade, a dupla já cria músicas desde o ano de 2012, quanto tinham apenas 15 e 13 anos. Parte dessa ingenuidade juvenil se mantém em sua música, principalmente no que diz respeito a amálgama sonora, mas há também bastante segurança e alguma maturidade adquirida nesses anos fazendo música. Nessa entrevista concedida ao site Yours Truly um pouco desses dois lados se manifestam de forma bem natural, algo que faz muito sentido para a idade de ambos.

Do início do duo até agora, foram ao ar um bom número de singles que atingiram certo sucesso principalmente depois de 2014, quando foram eleitos pela imprensa canadense como o curioso caso de jovens prodígios com um som contemporâneo. Não demorou para que isso se alastrasse para os EUA e daí para o resto do mundo. Passada a fase de deslumbre com a idade e com a sonoridade nada ortodoxa da dupla, a mídia começou a realmente dar atenção ao que mais importa: a música.

Falou-se moderadamente do EP Blamer (2012) e bastante de Like What, lançado no ano passado. Essa segunda obra é até agora o melhor registro do grupo, que parece amadurecer a cada novo lançamento. Há nesse compacto um trato especial ao lidar com algo que vaga entre o Hip Hop e R&B, mas sem perder de vista aquele som experimental e cheio de peculiaridades visto nas demais músicas lançadas anteriormente. Vale a pena prestar atenção como o consegue integrar coisas tão mundanas como o abrir de portas ou um despertador a sua música sem soar algo forçado ou propositadamente freak. Tudo surge de forma bem natural.

Artista: Tennyson

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