DREAMS - No One Defeats Us

DREAMS - No One Defeats Us
  • Ano: 2018
  • Selo: The Sleepy Jackson
  • # Faixas: 11
  • Estilos: Synthpop, Eletrônica
BBbaa

Quando dois artistas de contextos musicais se juntam, é comum pensar que a soma das partes será uma espécie de junção destas sonoridades, intercambiando elementos e construindo arranjos novos e ecléticos. Porém, há uma certa dose de simplismo nesta afirmação, revelando que este tipo de projeto na verdade acarreta uma série de variantes.

Chame de improvável, o fato é que o Grunge e o Synthpop estão juntos em uma das parcerias mais inusitadas do ano. De um lado, Daniel Johns, líder do famoso trio Silverchair e um denso letrista cujas abordagens geraram grandes hinos de sua geração dos anos 1990/2000. Do outro, Luke Steele, integrante do duo Empire Of The Sun, um projeto mais chegado na exaltação do bem-estar e alegria por meio de canções eletrônicas de apelo Pop intenso e bastante dançantes.

Assim, surge Dreams e seu disco de estreia intitulado No One Defeats Us um trabalho que apesar da produção afiada e de integrantes peritos em composições fortes, traz uma confusão naquilo que quer trazer para o ouvinte. Se você achava que aqui haveria uma mistura bem dosada de Grunge e Eletrônica, é melhor procurar outro álbum. Obviamente, Daniel Johns não tem a obrigação de associar todo ato criativo aos seus discos do passado, assim como Luke Steele.

Porém, o que de fato torna este trabalho um tanto superficial é como as composições parecem ser feitas para preencher tabela, apelando para estereótipos de cantar sobre liberdade no melhor estilo “espírito falso de Tomorrow Land” e loops recorrentes que bebem de referências como a EDM. Além disso, os arranjos eletrônicos são bastante repetitivos e, diferente de ser uma estética proposital, parece ser mais uma preguiça criativa. De certa forma, é como se Dreams fosse um projeto que poderia alcançar voos maiores, mas percorre um caminho conhecido e garantido.

Movies já começa aumentando o volume dos sequenciadores dos anos 1980 no máximo, ao mesmo tempo que abusa dos efeitos vocais (que, em certo momento, até parecem uma canção ruim de Kanye West). Silence traz timbres típicos daquela sonoridade escura da música eletrônica dos anos 80 junto a melodias ora suaves, ora distorcidas. Dreams poderia ser facilmente uma música de Empire Of The Sun, com andamento mais lento e pegando firme dos sintetizadores estridentes. Odd Party parece contornar um pouco do terreno da Synthwave, bem futurista e cheia de colagens distópicas, como se fosse um filme do Exterminador do Futuro. Por fim, Into The Wild encerra este trabalho de forma minimalista mas tão forte quanto as outras composições.

No One Defeats Us pode não ser o trabalho mais coeso e organizado, mas pode trazer alguns momentos de diversão para o ouvinte. A questão é esta diversão é bastante artificial e, até mesmo forçada, botando em cheque um pouco do valor destas composições. Um disco perdido em lugares comuns.

(No One Defeats Us em uma faixa: Movies)

Bom para quem ouve: The Dissociatives , Perturbator , Cut Copy

Artista: Dreams

Marcadores: Synthwave, Synthpop, Eletrônica