Justin Timberlake - The 20/20 Experience

Justin Timberlake - The 20/20 Experience
  • Ano: 2013
  • Selo: RCA Records
  • Produção: Timbaland
  • # Faixas: 12
  • Estilos: Neo Soul, RnB, Hip Hop
  • Duração: 72
BBBBa

Justin Timberlake mudou o pop e poucos sabem disso. Depois de FutureSex/LoveSounds, em 2006, o mundo começou a receber as batidas eletrônicas no Pop de uma forma mais convidativa e isso tudo tem um nome: Timbaland. Esse mesmo nome volta em 2013 com The 20/20 Experience trocando, dessa vez, o BPM acelerado, por um RnB disfarçado. Comecei a resenha assim pra reafirmar a vontade de Timberlake (e sua equipe) de serem vanguardistas, pensarem a frente, estipularem uma nova forma de comercializar o Pop que venderão nos próximos anos. Foi assim (e está sendo) nos últimos sete e poderá ser assim nos próximos sete. A obra recém lançada vende um novo JT (iniciais jogadas na capa do próprio álbum): de blaser e gravata (óbvio), cabelo com laquê pra trás, uma gravata borboleta desatada e uma vibe Robin Thicke que muitas quarentonas recém-divorciadas não cansariam de comprar. Isso mesmo, o novo trabalho não vende somente um novo gênero, mas um novo comportamento, uma nova moda. A nova tour de JT inclui todos esses elementos e cada elemento depende do outro diretamente pra que se sustente. Mas e os fãs de fato, têm espaço nisso?

O álbum veio menos oitentista e mais setentista, menos Michael Jackson e mais Stevie Wonder, mais R&B e menos "B". Quem se sustentou a partir do Justin provocativo, dançante e empolgante talvez se frustre com seu novo trabalho. Dificilmente aqui se verá algo que vire hit ou que dispute atenção a singles como Sexy Back, Cry me a River ou My Love. As faixas se estendem por mais do que sete minutos, brincam no UK Garage, passam pelo Hip Hop melódico, tem direito a guitarras do Blues, trompetes do Jazz, influência latina, continuam enaltecendo a mulher e tendo o beatbox de Timbaland.

Pusher Love Girl abre alas para o que será o álbum, com backing vocal em coro, falsetes e muito suingue, dando espaço ao primeiro single, Suit and Tie. A faixa, com participação do Jay- Z, de fato, é a mais fácil de se degustar, mais parecida e sedutora à la Robin Thicke de um Soul modernizado. O refrão é pegajoso e nada inteligente. Em seguida, temos Don't hold the wall, uma versão Hip Hop (e indiana?) do que já estamos cansados de ver em parceria com Timbaland - e seus samples. As letras ainda continuam pretensiosas e com falta de conteúdo, o Pop só se assemelha aqui. Tunnel Vision é acelerado e traz uma maior preocupação com a estrutura londrina, assim como Body Count e seus trompetes. A música continua com a irritante participação desnecessária de Timbaland nos samples, mas a melodia vale total a pena e prende o ouvinte. Os sintetizadores espaciais de Spaceship Coupe tentam harmonizar com a temática "fora do mundo" da própria faixa e a persuasão de Justin de convencer a garota de que ela é de outro mundo e que quer voar com ela é mais um ponto pro compositor.

That Girl contém notas interessantes de trompete, saxofone e guitarra e prova que Justin se mostra confortável em trabalhar nesses estilos e, ao que tudo indica, quer homenagear alguns nomes que sempre o inspiraram, segunda melhor música do álbum. Let the Groove Get In mostra talvez o contrário da anterior, tentou aprofundar no tribal, se aventurar no que há de mais "caliente" na música latina e não convenceu por inteiro. Chegamos em Mirrors, segundo single do álbum e, sim, uma das melhores músicas do trabalho. Funcionando mais ainda que a própria Suit and Tie, "espelhos" refletem a música que envolve paixão de Justin por sua nova fase e seu vício por fazer faixas intrigantes, isso tudo em uma fórmula comercial de rádio muito convincente.

Blue Ocean Floor foge por completo do que nos habituamos a ouvir em toda Experiência, mas agrada e é a melhor faixa de todo o álbum, sem dúvida alguma. Talvez por ser a única peça em todo o quebra-cabeça que foge do padrão, nos dá o questionamento do por quê que não tivemos mais experiências assim. Visivelmente influenciada por Radiohead e Flying Lotus, a música é uma versão arrastada, densa e com sintetizadores de um hipnotizante e delicado relato de Justin. Como é gostoso não ter intervenção de Timbaland aqui!

The 20/20 Experience não é um álbum Pop comercial e, por isso, precisa-se ouvir o o trabalho mais de uma vez para degustar melhor a mensagem de JT. A obra vem, novamente, com uma proposta que causa barulho e poucos entendem de início. A ideia que é, claramente, pra chocar tem êxito. O que em 2006 só funcionava com as melodias repetitivas e grudentas, JT enfiou beatbox ou sintetizadores de Electro. O que seria absurdo para um público que jamais aceitaria virou febre, viralizou até hoje. Quem esperava uma ousadia de misturas eletrônicas, algo que vem acontecendo, se enganou. O artista foi pra outro caminho e inovou, mais uma vez.

Porém, analisando The 20/20 Experience, talvez pelo fato de ser seu novo "álbum de estreia", se encontra um pouco confuso. Como um vômito de influências de Merengue a Soul, Justin tenta criar um padrão cativante para mulheres maduras que pode causar sono em sua nova turnê "banco e violão". Sem contar que Timbaland deveria ficar no seu posto apenas de co-produtor e deixar a voz pro seu projeto solo. Entretanto, Justin hoje já tem carreira em cinema, teatro e empreendedorismo, consolidadas, não precisa provar mais nada. Não é mais o tipo de artista que se preocupa em hitar pista e ficar em primeiro lugar, mas em transformar seu talento em liberdade criativa. Foram seis anos até que Justin se sentisse pronto, assim como seu vídeo-teaser lá em janeiro acusou ("I'm Ready"), talvez porque esse seja seu primeiro álbum solo. O primeiro álbum de Justin Timberlake em que o gênero não é mais Pop. JT cresceu.

Bom para quem ouve: Robin Thicke , AlunaGeorge , Radiohead

Artista: Justin Timberlake

Marcadores: RnB, Hip Hop, Neo Soul