As meninas do Haim e um dos melhores shows do SXSW

Impecável, surpreendente e fazendo música de verdade: foi assim que as irmãs finalizaram com chave de ouro sua participação na edição 2013 do festival

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Com a quantidade frenética de lançamentos que chegam para nós diariamente, é muito difícil saber o que vai vingar ou não. Para um real fã de música, é também uma das questões mais intrigantes e que nos fazem amar cada dia mais toda essa arte. Será que o disco desses caras vai ser tão bom quanto esse single? Será que eles conseguirão manter o nível de qualidade no segundo álbum? Será que chegarão a fazer shows em arenas lotadas e virão para o Brasil em breve ou continuarão em bares e pequenas casas de show nos Estados Unidos e tenho que dar muita sorte para poder vê-los um dia? Acredito que esses questionamentos foram feitos por todos que se encantaram com o som das meninas do Haim. Se a qualidade da banda ao vivo for realmente um dos parâmetros mais importantes para avaliar o futuro do trio, arriscaria dizer que temos chance de acompanharmos por muito tempo a carreira das senhoras do Haim.

A noite era realmente do Vampire Weekend, ainda mais após o cancelamento de última hora da Sky Ferreira. Metade de Austin estava na festa do MySpace conferindo o Justin Timberlake e a outra metade estava lá para ouvir os garotos de Nova York e algumas prévias do novo disco. O que o pessoal não parecia esperar era um show tão bom das meninas que tocariam antes deles, amigas inclusive dos integrantes da banda. As três irmãs chegaram com uma badalação normal para a quantidade e teor alcoólico dos já presentes no local, porém nada além disso.

Pelos comentários aleatórios captados à minha volta, todos os homens estavam babando por elas, boa parte conhecia uma música, a maioria já havia ouvido falar e os poucos fãs (além de mim) eram conhecidos das irmãs. Elas entraram sem muita cena, ajeitaram os instrumentos, subiram acompanhadas de um baterista e começaram o show.

Na primeira faixa, já deram aquela sensação de surpresa com a personalidade demonstrada no palco. A sincronia vocal das três, a empolgação da baixista e a percussão marcada se destacaram na faixa Better Off, que abre o EP Forever. Em seguida, as garotas já emendaram The Wire e a recepção nas palmas já foi mais do que elas podiam ter imaginado.

Claramente emocionadas por estarem tocando no Stubbs, um dos maiores palcos do festival, onde Dave Grohl e o Sound City tocaram no dia anterior, a irmã mais velha e “porta-voz” da banda contou uma história curiosa de que em 2012 haviam tocado no bar em frente ao local, para um público bem pequeno, mas que após o show foram ao Stubbs para assistir à Fiona Apple e ficaram sonhando com o dia que estariam ali naquele palco.

O SXSW é um festival onde se vê de tudo por parte das bandas. Algumas levando a sério demais, outras de menos, outras sem se importar muito com o público, pose demais para pouca música e inúmeros outros perfis. O que me surpreendeu ainda mais nelas, foi o nível de respeito com o público, tocando como se fosse (e deve ter sido) o maior show da carreira delas, mas ao mesmo tempo mostrando o quanto se divertiam fazendo aquilo e queriam apresentar seu trabalho da melhor maneira possível para poderem continuar tocando para o resto de suas vidas.

Em seguida, veio Don’t Save Me, uma das minhas preferidas, divertida como sempre, ainda mais potente ao vivo. Oh Well, cover de Fleetwood Mac foi estrategicamente colocada para impressionar os presentes com a qualidade das três tecnicamente. Riffs de guitarra e linhas de baixo sérias, pesadas, de franzir a testa da plateia que esquentava a cada minuto.

A próxima foi o grande destaque da apresentação: Falling junta todas as melhores qualidades da banda e ressalta os elementos que a destacam, como as melodias Pop de extrema qualidade e as brincadeiras com harmonias vocais, característica repetida por elas em quase todas as faixas, mas sempre com algo a acrescentar, sem tornar a audição cansativa. Para finalizar com a qualidade que já havíamos nos acostumado, nesse momento já com a plateia dançando de verdade cada faixa, vieram Go Slow, Forever e Let Me Go para fechar uma apresentação impecável com todo o merecido reconhecimento do público que entendeu a importância que aquele momento teve na vida delas e das próprias que não conseguiam se conter. Nem mesmo a sempre séria Danielle, voz principal na maior parte das faixas, segurou sorrisos e agradecimentos.

Não é à toa que gostamos tanto de shows e, quanto mais nos apaixonamos por novas bandas, mais queremos assistí-las ao vivo. O contato é mais direto, a sensação de estar vivendo aquilo em tempo real é incrível e não há tecnologia que possa mudar essa experiência. Com elas não foi diferente, já gostava muito de tudo que ouvi antes do festival e minha admiração só se multiplicou. De toda a safra de bandas mais Pop surgidas recentemente, se eu tivesse que apostar em uma que vai crescer orgânica e proporcionalmente em reconhecimento de público e crítica são as Haim, as irmãs mais talentosas e cobiçadas pelos homens do Rock recente.

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ARTISTA: Haim
MARCADORES: SXSW 2013

Autor:

Nerd de música e fundador do Monkeybuzz.