Cake e a celebração do Rock Alternativo

Grupo norte-americano realiza um concerto de altos e baixos, mas que consegue segurar o público com hits em sua parte final

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Fotos: Dave Mead

Um dos shows mais esperados do primeiro dia do Lollapalooza foi também um dos mais polêmicos. Cake realizou um daqueles concertos que sempre existem em festivais, agradando uns e irritando outros. O importante aqui é saber ponderar no que a banda falhou e como a organização deixou a desejar e que, apesar de alguns tropeços, fez um final de tarde da sexta-feira feliz para muitas pessoas.

Logo de cara, os modestos pais do Rock Alternativo, como o conhecemos hoje, iniciaram uma tríade de músicas muito interessante. Frank Sinatra, com seu estilo tarantinesco, combinando bem com a jornada dos personagens do diretor, deu um toque interiorano ao início do concerto. Uma montanha exibida no telão e boné de caminhoneiro do vocalista John McCrea não nos faziam esquecer a origem norte-americana do grupo. Logo em seguida, Love you Madly e Long Time, dois grandes hits da banda, fizeram todos imaginar o quão inesquecível seria o show.

Entretanto, o próximo bloco do show foi um pouco confuso para muitos. McCrea parecia levemente embriagado, e começou a conversar com o público. Até aí tudo bem, mostrava simpatia e um carinho com o público brasileiro que, vale ressaltar, fala português. A cada canção clássica, Sick of you, Satan Is My Motor (com uma ótima interação entre público e grupo) e Mustache Man, McCrea insistia em querer conversar ao invés de tocar propriamente as suas músicas. Não é querer ser chato com ele, mas, se a cada faixa de três minutos você parar pra conversar outros três minutos, o clima cai, o público se distrai e então temos um problema.

O nível de abstração de seus devaneios era engraçado, falando desde sobre o papa até dividir o público entre os furiosos e os introspectivos, passando à política e outras coisas. No entanto, garanto que nem todo mundo conseguiu entender ou simplesmente prestar atenção no que ele falava tanto, por um simples motivo: o inglês não era a língua nativa de 99% do público e era perceptível uma certa irritação deste com o grupo em alguns momentos. Depois, outras faixas eram tocadas, Wheels e Stickshifts and Safetybelts, as quais capturavam de novo a audiência de todos.

Tanta enrolação fez com que os maiores hits do grupo fossem guardados para os últimos minutos e, neste momento, tivemos atenção total de todos, com o público dançando e cantando na ponta da língua I Will Survive com seu incrível trompete e Never There. Se Cake pode ser considerada um dos pais do Rock Alternativo ao simplificar músicas e misturar diversos estilos, como Country e Funk, o que dizer quando o grupo faz um cover de Black Sabbath? War Pigs surpreendeu a todos e fez saltar a veia roqueira dos presentes naquele final de tarde.

Short SkirtLong Jacket, provalvemente a sua faixa mais famosa e mais apreciada pelos brasileiros, fez com que todos pulassem e cantassem os versos marcantes de um público sobretudo mais velho, na faixa dos 20 e poucos anos pra cima. Em seguida, Opera Singer, faixa de abertura do clássico disco Comfort Eagle preparou o terreno para a derradeira canção (impiedosamente pedida pelos fãs), The Distance. Um dos grandes hinos do Rock Alternativo, com uma melodia puxada pro Rap, teve mais uma vez a atenção dos presentes para cantar o calorosamente o refrão : “He’s going the distance/He’s going for speed/She’s all alone (all alone)/Alone in her time of need”.

Ao final, tivemos um bom show mas, claramente, o público ficou carente por mais músicas e menos falação, pois o grupo havia tocado a última vez por aqui no longínquo, e bizarro – devido ao local-, concerto realizado no Hotel Unique em 2005. O som do palco Butantã, contestado ao longo de todo o festival, deixou muitas pessoas descontentes quando Cake estava tocando. Relatos de que a voz estava baixa e o trompete inaudível irritaram muitos, com provavelmente o problema da dispersão de ouvintes mais presente na parte de trás do segundo maior palco do Lollapalooza. Tanto tempo pedia menos papo e mais ação, mas nada que não tenha deixado todos felizes, sobretudo devido à última parte, repleta de hits.

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ARTISTA: Cake
MARCADORES: Rock Alternativo

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.