Calvin Harris Transforma Palco Onix em Balada a Céu Aberto

Metralhando hit após hit e mesclando com faixas pesadas, escocês consegue fazer um espetáculo sozinho

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“Olá, São Paulo, meu nome é Calvin Harris”, ditas em vocais graves quase que imperceptíveis a faixas que tão bem conhecemos e, diga-se de passagem, amplamente aprovadas pelo público, foram as primeiras palavras ditas pelo escocês, como se ainda precisasse de alguma apresentação. O Palco Onix nunca esteve tão lotado. Sem concorrentes tão expressivos, a disputa foi vencida pelo DJ, último artista a se apresentar na área mais distante do evento. As expectativas eram grandes, afinal não é sempre que se vê o nome do produtor em grandes festivais. Teríamos todos ali uma sucessão de hits com colaborações que iriam desde Ellie Goulding a Rihanna, de NE-YO a Florence Welch. E quem pensou que se tratava de um show comercial estariaa completamente enganado.

O produtor conseguiu agradar as duas bases de fãs que se encontravam no gramado reclinado do Ônix: os fãs de Calvin, inclusive de sua prévia carreira no Electro, que sabe, entende e conhece o peso da mão em suas produções e ainda gosta; e os não-tão-chegados ao gênero, mas que conhecem o DJ pela quantidade e frequência de suas músicas na rádio. Então, o grande esquema aqui foi misturar bem remixes escolhidos a dedo – sejam dele ou de terceiros – com suas produções autorais originais. E não é que deu muito certo? Era incrível, natural e fluído como Calvin Harris conseguia misturar um sucesso com uma faixa desconhecida mais pesada, trazendo sorriso aos desavisados e surpreendendo os amantes da EDM. Tocou Disclosure, Skrillex, Martin Garrix e David Guetta, mas, incomparavelmente, eram com suas autorais que o coro era mais alto: Blame, Outside, So Close, Summer, C.U.B.A, Bounce, I Need Your Love e Sweet Nothing, entre várias outras.

E isso tudo regado a um espetáculo. Título do topo da lista de DJs que mais faturaram em 2014, segundo a revista Forbes, com a bagatela de 66 milhões de libras, o artista tem mais que o suficiente para investir em cenário, equipamento, telão e técnica. A começar no palco coberto por dez telões e emprego de pontos espalhados de fumaça, lasers de alta performance, estouro de papel picado, jogo de luzes, pirotecnia, tudo que for necessário para que fizesse que o Palco Ônix virasse uma balada a céu aberto.

Ouvindo toda história construída por ele, parece que ter vários hits em rádios, ser líder no ranking de faturamento e agradar amplamente as mulheres do festival seria suficiente. A técnica de Calvin Harris também impressiona. Todo DJ tem algum tipo de macete: Enquanto Skrillex usa muito scratch, Jillionaire e Aoki fazem cortes secos, e Calvin usa muito filtro para sair do drop e entrar no próximo vocal. É uma boa tática para um artista que trabalha tanto com faixas com intros vocais. Sem contar que o silêncio momentâneo que isso causa soa quase que um egocentrismo por parte de Harris, afinal quem não gosta de gritos e aplausos?

Mas, que sejam merecidos. Calvin sempre foi um artista pra usar tudo a seu favor – ser performático e vaidoso, inclusive. Entretanto, sempre preferiu ficar longe dos holofotes, grandes aglomerações e falatórios. Sempre foi de fazer, não de falar. De colocar no topo, de estar no topo, de fazer acontecer. No domingo, Calvin Harris provou não ser dominado por nada nem ninguém. Quem dita as regras é ele. E, com sua segurança e talento, conseguiu como ninguém fazer um espetáculo de um homem só.

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ARTISTA: Calvin Harris

Autor:

Publicitário que não sabe o que consome mais: música, jornalismo ou Burger King