Com Muito Mais Segurança, Dillon Francis Traz a Esperança de Volta ao Palco Perry

Do Moombahton à EDM, do Deep House ao Trap, americano impõe show sóbrio e firme no sábado

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Depois do fiasco do show de DJ Snake, associado com o fato de dividir horário com St. Vincent e Kasabian, Dillon Francis ainda contava com mais um desafio: lutar contra uma tenda não tão cheia. Os poucos que ainda gostam de música Eletrônica se frustaram com a falta de identidade do francês antes de Francis e muitos desistiram do Palco Perry, então, quem quisesse poderia ver o DJ de perto e ter a oportunidade de ouvir o que vem sendo trazido com a turnê Money Sucks Friends Rule.

A diferença em tão pouco tempo era muito nítida. Quem tivesse passado na tenda 30 minutos antes e durante Francis não poderia acreditar no potencial de um artista mesmo com concorrentes tão fortes. Dillon já entrou confiante, saudando a todos com voz forte, atitude de quem sabe o que faz e técnica de gente grande. E foi exatamente essa atitude que fez com que o público, antes ainda desconfiado e um pouco apático, se animasse em questão de minutos.

O americano trouxe um set dinâmico mostrando um pouco de tudo que o fez chegar ali, desde o Moombahton até o Bass pesado. Na primeira quebrada que o público pôde sentir o Trap a figura mudou e pudemos ver que a produção desse ano seguiu a tendência certa. Enquanto no ano passado foram pra uma linha bem mais Chillwave/UK Garage, que pegou pesado em 2013 e 2014, o que tivemos de maior destaque agora em 2015 foi o Trap e Bass. Quem melhor que Dillon Francis, Snake, Skrillex e Major Lazer pra isso?

É impossível não comparar com Snake no quesito “construção de enredo”. Com horários tão próximos quem foi persistente no Palco Perry conseguiu ver uma história coerente e bem empregada em todo set de Dillon. Sem medo de ousar, trouxe a veia latina do Moombahton e conseguiu, inclusive, arrancar um Deep House agradando muito os surpresos. Bonito foi perceber que faixas como I Can’t Take It, When We Were Young, We Make It Bounce, todas do último álbum do artista, de 2014, eram todas cantadas em coro alto, provando aceitação total dos fãs brasileiros.

Mas não só músicas novas, como também a ótima I.D.G.A.F.O.S. e Bootleg Fireworks, tiveram espaço na performance do americano, sempre contando com lasers fortes e telões bem chamativos. E toda brincadeira fica muito mais legal quando bem misturada com hits que bem gostamos e conhecemos. Daft Punk e Kanye West foram só alguns dos escolhidos para movimentar o Palco Perry e trazer um pouco de versatibilidade ao set de Francis. Quem conhece a trajetória do americano, cheio de humor e ousadia em cima do palco, tocando faixas inusitadas e fora da cena Eletrônica, ficou esperando. O sábado, para Francis, era um dia de sobriedade. Ou ressaca. Mas, sem dúvidas, um show de técnica, carisma e animação. Dillon mostrou que a tenda tinha muito mais história pra contar e que o voto de confiança valeria a pena.

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Autor:

Publicitário que não sabe o que consome mais: música, jornalismo ou Burger King