Disclosure: Quem Soube Curtir Não Se Decepcionou

Dupla estava pronta para o festival, mas será que o festival estava pronto para ela?

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Fotos: Foto: Hick Duarte/ I Hate Flash

A sensação depois do show de Disclosure era estranha. Muita gente saindo decepcionada esperando uma porrada Eletrônica e muita festa, mas acabou sentindo uma apresentação mais tímida dos irmãos. Aí vem a pergunta: “O que eles fizeram de errado?” e o silêncio reina. Eu mesmo, que tive a oportunidade de vê-los em Paris, no Pitchfork Festival do ano passado, garanto que eles fizeram exatamente o mesmo show, praticamente as mesmas músicas, tocadas da mesma forma, mesma empolgação e com os mesmos efeitos, e lá todos saíram empolgadíssimos com o espetáculo incrível, inclusive classificado por mim como uma apresentação digna de nossas cinco bananinhas. O que saiu errado por aqui então?

Nada. Pelo menos nada que pudesse ter sido evitado. O problema estava, na verdade, no contexto em que ele estava inserido. O primeiro e mais óbvio motivo era o local aberto do show. É lógico que o House dos ingleses fica muito mais interessante em um local fechado, onde sentimos o baixo pulsando e o clima de balada no ar. Mas não tenho certeza se podemos culpar o festival, já que a dupla é um nome que cresceu muito rápido com este primeiro disco e a produção acreditou que ali, no palco Interlagos, tudo ficaria mais confortável. Guardadas as proporções do hype, é só comparar com os públicos de Lorde e de Imagine Dragons, duas bandas em seus primeiros discos e que entupiram suas apresentações.

O segundo ponto é a comparação inevitável com os demais nomes do dia. Ao assistir a um show solo, seu foco está apenas naquela banda e você está com as expectativas certas e ajustadas. Num festival como o Pitchfork Festival Paris, repleto de nomes mais experimentais e introspectivos, é lógico que a sensação seria de que o Disclosure quebrou tudo. E quebrou mesmo. Mas, no Lollapalooza, imagine a responsabilidade de animar um público que assistiu Cage The Elephant, Portugal. The Man, Lorde ou Phoenix e Nine Inch Nails. Entendeu o tamanho do problema?

Se analisarmos, os irmãos fizeram um show impecável, dançante de um jeito menos explosivo e mais introspectivo, perfeito para curtir o momento, fechar os olhos e sentir tudo aquilo de uma vez só. A habilidade dos meninos com os instrumentos e os prolongamentos que faziam em seus precisos hits impressionavam. Sério, aquilo numa casa de shows fechada reviveria qualquer um. Stimulation, Grab Her! e When A Fire Starts To Burn conseguiram sem dúvida empolgar quem estava no clima certo e não esperava outra coisa além de curtir muito, sem exageros desnecessários.

As reações ao show do Disclosure revelam um dos grandes problemas dos festivais brasileiros. As bandas que vem para cá sempre apelam para tentar agradar exageradamente o público com truques previsíveis, pulando na galera sem que o clima do show naturalmente leve a isso, balançando a bandeira do país, tudo isso possivelmente tentando devolver a entrega que sempre percebem nos públicos por aqui. Nada contra, desde que isso não passe a virar sinônimo de bom show e parâmetro para qualquer avaliação.

Quem quis dançou, curtiu, cantou junto todas as músicas e teve um encerramento à altura de grandes festivais mundiais para o cansativo primeiro dia de Lollapalooza. Disclosure trouxe seu Eletrônico Pop e sofisticado com toda a técnica que impressiona pela idade dos dois. Não há dúvidas que os poréns citados acima atrapalharam uma apresentação mais memorável, mas, mesmo assim, o duo inglês criou um verdadeiro clima de curtição generalizada no Autódromo de Interlagos. Por mais shows assim em festivais no Brasil.

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Autor:

Nerd de música e fundador do Monkeybuzz.