Entrevista: SILVA

Show do Lollapalooza será o segundo com repertório do show de “Vista pro Mar”

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Quem estiver às 13h10 no Palco Ônix do Lollapalooza neste sábado, 5 de abril, verá não apenas um show do ótimo SILVA, mas testemunhará a segunda vez que o repertório do recém-lançado Vista pro Mar é mostrado ao vivo.

O sucessor de Claridão veio ao mundo há menos de um mês com menos candidatos hits, mas com uma coleção incrível de faixas. Chegou a vez do público do festival ver como elas ficarão no palco.

Para nos adiantar um pouco sobre o show e contar sobre a gravação do disco, Lucio encontrou um tempinho pra responder nossas perguntas por email a tempo de contribuir para nossa ansiedade ficar ainda maior para sua apresentação.

Monkeybuzz: Seu primeiro álbum trazia cinco músicas lançadas anteriormente. Como foi trabalhar desta vez dez composições inéditas? Isso implica em quais diferenças na hora de pensar no álbum como um todo?
SILVA: O fato de trabalhar só com músicas inéditas mudou um pouco o processo de fazer o disco. Logo que fechei meu contrato com a gravadora em 2012, a direção para o meu primeiro disco era que eu usasse as músicas que já havia lançado anteriormente no meu primeiro EP e completasse o álbum com músicas inéditas. Então, o processo era parecido com um quebra-cabeça, o que acaba deixando o processo um pouco mais difícil. Dessa vez o trabalho foi mais longo, já que comecei a produzir o álbum do zero, mas acredito que dessa forma o disco acaba ficando mais consistente.

Mb: Como foi gravar em Portugal? Porque escolheu lá como berço para o disco?
SILVA: Foi uma experiência incrível. Eu aproveitei a turnê que fiz por lá em novembro do ano passado e resolvi ficar mais um mês em Lisboa para terminar de produzir algumas músicas e gravar boa parte dos elementos orgânicos do disco. Estive lá durante o inverno e acho que o frio também me ajudou a me concentrar mais no trabalho.

Mb: Minha impressão é que a maioria das músicas tem menos camadas sonoras que em Claridão, como se elas fossem mais “mínimas”. De onde veio a escolha de trabalhar essa sonoridade?
SILVA: As músicas desse disco também tem várias camadas, mas acho que o que causou essa sensação de limpeza em Vista Pro Mar foi a mixagem. Eu dei mais destaque para a melodia principal e para as batidas, então os outros elementos ficaram num outro plano. Também deixei a minha voz mais limpa e coloquei menos efeitos, para que a letra também ficasse mais clara. São diferenças sutis, mas acho importante fazer algumas mudanças de um trabalho para o outro.

Mb: Por falar em diferenças, como é entrar no estúdio agora como “veterano”, não mais como um novato?
SILVA: Dessa vez, eu me diverti bastante e senti que a pressão diminuiu de certa forma, o que para mim foi mais prazeroso, embora Vista Pro Mar tenha dado mais trabalho para ser feito. Quando eu estava produzindo Claridão, eu já tinha um show agendado para um festival e ainda estava preparando o set junto com o Hugo (baterista). Era tudo bem novo naquele momento! Agora o trabalho aumentou, mas não me dá tanto susto como no começo (risos).

Mb: E a participação de Fernanda Takai em Okinawa, como aconteceu?
SILVA: Sou fã da Takai desde criança e sempre adorei a voz dela. Há alguns meses, nós acabamos sendo apresentados e começamos a nos falar por email. Em novembro do ano passado, eu fui abrir um show da Lana Del Rey em Belo Horizonte e a Takai estava na cidade. Nós nos encontramos e ela me levou para conhecer o estúdio na casa dela. Foi aí que eu mostrei a versão demo de Okinawa e ela topou gravar comigo. Fiquei muito feliz de ter uma das minhas artistas prediletas nesse disco!

Mb: Vista pro Mar tem toques de Reggae e sonoridades asiáticas aqui e ali, mas ainda me parece muito coeso com seu trabalho anterior. Houve alguma preocupação, dentre tantas diferenças, de manter algumas semelhanças?
SILVA: Eu pensei em manter um link com o primeiro disco sim, até porque Claridão é, de certa forma, ainda muito recente e não achei que era o momento para uma ruptura brusca. Eu tenho meu jeito de produzir e gosto de usar essas sonoridades “asiáticas” desde o meu primeiro EP. Essas coisas acabaram ficando características nas minhas composições e sinto que elas vem de uma forma bem intuitiva, não planejei muito.

Mb: Sobre o show no Lollapalooza, como você acha que será mostrar as novas músicas em um palco de festival?
SILVA: Vai ser uma experiência incrível e com muito frio na barriga, já que é o maior festival que já toquei até agora. Mas eu comecei nessa pressão, quando tive que tocar pela primeira vez no festival Sónar várias músicas que eu também nunca havia tocado ao vivo. Hoje, eu tenho mais músicos comigo no palco e acredito que a experiência vai ser bem melhor!

Mb: Como você descreveria hoje seu estilo?
SILVA: Eu misturo muitas coisas no meu som, então fica um pouco complicado definir um gênero. Mas tenho amigos que brincam e chamam o que faço de “Bossa Nova Dreampop” ou “Dream Wave”. Hoje surgiram tantos nomes que eu ainda estou escolhendo como chamar minha música!

Mb: Você foi do anonimato ao reconhecimento em muito pouco tempo. Como você tem lidado com tudo isso?
SILVA: Não tenho muito problema com isso, acho até que sou bem pé no chão. No começo, eu achava estranho quando alguém me parava e elogiava minha música. Costumava ficar mais sem graça que a pessoa que me abordava. Agora, eu vejo que isso tem seu lado compensador, já que estou envolvido com música desde tão novo. Sinto que estou colhendo os frutos de um trabalho de vários anos e fico muito feliz por isso.

Mb: Pra terminar, o que você tem ouvido?
SILVA: Estou viciado no disco Ambient 2: The Plateaux of Mirror, do Brian Eno e do Harold Budd. Eu sou fã do Mr. Eno há muitos anos, mas nunca tinha parado para ouvir esse disco com atenção, agora está no repeat! Ah, e tem o disco do Blue Hawaii também. Bom do começo ao fim!

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.