Foals: A Explosão Vespertina

Volta do grupo inglês é aguardada com muito ansiedade e expectativa para um dos momentos mais intensos do Lollapalooza 2013

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Essa não é a primeira vez que Foals desembarca no Brasil, tampouco será a minha estréia em shows comandados por Yannis Philippakis e companhia. Ambos são eventos não exclusivos e que não diminuem as minhas expectativas em relação ao concerto da banda de Math Rock de Oxford no Lollapalooza 2013.

Alguns fatores me levam a crer que você deveria chegar mais cedo no último dia do festival. Primeiro, o show está programado para às 3 da tarde, horário que, para quem não se lembra ou que não foi ano passado, englobou dois dos melhores concertos de 2012: Cage the Elephant e Gogol Bordello. Início de tarde, não tão lotado, mas com aquele sol escaldante fazem deste momento, o propício para festa.

Segundo, Foals já é dono de um dos melhores discos de 2013, Holy Fire, assim como já havia feito em 2010 com Total Live Forever e Antidotes de 2008. Ou seja, com uma carreira curta, porém já dourada, o grupo parece evoluir constantemente, dosando novas influências sem perder a sua essência. O último disco, aliás, traz um lado mais showman da banda, com canções que parecem ter sido feitas para provocar o catarse e emoção de seu público. Algo que nos leva ao terceiro fator.

Quem já ouviu algum de seus três discos, principalmente o segundo, talvez tenha alguma dificuldade em imaginar a introspectividade da banda, com suas linhas de guitarra e baixo sobrepostas, batidas quebradas e a voz serena de Yannis como um dos shows “mais explosivos de 2013”. Posso lhe dizer que está enganado. Em 2008, quando o grupo ainda carregava um debut debaixo do braço, e um ou dois singles de sucesso, principalmente Olympic Airways presente no FIFA 2009, pude ver sua apresentação no Planeta Terra do mesmo ano.

Estava com uma expectativa moderada em relação ao concerto, muito devido a sensação de um “volume baixo” em seu disco de estreia. Nos primeiros minutos, já pude ver que estava errado ao me deparar com uma das melhores presenças de palco que eu pude ver em toda a minha vida. Os membros parecem estar em transe, agitam o público, as músicas são muito mais barulhentas e podem ser realmente compreendidas ao vivo. Yannis, naquela época, já demonstrava um certo domínio de sua atuação com o público, apesar de uma pequena timidez contida. Depois os vi em Paris em 2010, Lisboa 2011 e São Paulo abrindo para os Red Hot Chilli Peppers em 2011. Cada vez que os via, o repertório parecia estar mais conciso,o grupo mais maduro, mas sempre a mesma presença de palco explosiva e a sensação que suas faixas são feitas para serem ouvidas ao vivo. As faixas calmas são emocionantes, enquanto os momentos mais rápidos propiciam bela uma interação entre público e banda.

Shows cada vez maiores, no sentido de grandeza e não de duração, demostram que neste ano, com um passe ainda mais valorizado no mercado de festivais, Foals conseguirá propiciar um dos momentos inesquecíveis do Lollapalooza 2013. O que nos leva a lembrar novamente do horário, 3 da tarde em um domingo. E que me leva a pensar um único porém: todas as vezes que vi a banda ao vivo, o show acabou tão repentinamente, em alguns momentos com Yannis sendo expulso do palco e público querendo muito mais, que só tenho uma coisa a lamentar: o show será curto. Prepara-se para querer mais, sair do festival desejando um show solo do grupo, algo que eu calorasamente espero desde 2008. Mas prepare-se para um concerto que surpreenderá muita gente, inclusive você.

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ARTISTA: Foals

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.