Jake Bugg: Sem Pose, Cheio de Personalidade

Jovem britânico ensina toda uma geração de “selfies” que o valor real das coisas não está nas aparências

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Fotos: Camila Cara/Lollapalooza

A voz desta geração é Folk Rock. Acompanhado de dois músicos e quatro guitarras, Jake Bugg mostrou que um talento lapidado e músicas bem construídas não precisam de mais nada para criarem um verdadeiro espetáculo.

O garoto não é de muitas palavras (como já imaginávamos), limitando o contato com o público a alguns thank you entre uma música ou outra. De vez em quando, ele vai até a beira do palco para arrancar alguns gritos – sem esboçar o menor sorriso -, como se estivesse cumprindo ordens. Aliás, ninguém em todo Lollapalooza Brasil 2014 merecia estar vestindo uma camise I hate my job quanto ele.

E sabe o quanto isso atrapalhou o show? Exatamente: Nada. Essa postura “mal criada”/apática acaba nos concentrando ainda mais nas suas composições (e o cara segue a tradição Folk de colocar a alma nas letras e melodias como poucos tem coragem hoje em dia) e seu papel como intérprete em voz e instrumentos impressiona e empolga pela excelência.

Não faltaram hits (Two Fingers foi a mais comemorada), músicas mais dançantes (Taste It, Slumville Sunrise), aquelas de cantar junto de olho fechado (Seen It All, Messed Up Kids) e as baladas (A Song About Love, Broken), que se confirmaram como “preferência nacional” para nosso público criado à base de novelas globais.

Ainda deu tempo de uma cover de Neil Young (My My, Hey Hey) e de mostrar que ele sabe solar direitinho na guitarra, sem ter que fazer pose ou cara de rockstar. Em uma época tão dominada por aparências, Jake Bugg desafia a cultura das selfies e mostra à moda antiga que o valor real das coisas está no que elas são de verdade, não no quanto tentam nos convencer ser.

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.