Luneta Mágica: “A gente busca ser muito plural no que faz”

Banda de Manaus será uma das primeiras atrações do fim de semana de Lollapalooza

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Alguns dos melhores shows nas últimas seis edições do Lollapalooza Brasil foram das bandas que estão ali na base do cartaz, as letras “miúdas” que chegam quase como “efeitos colaterais” do que é um grande festival. Entre os Golias do fim de semana entre 23 e 25 de março, está Luneta Mágica, velha conhecida do Monkeybuzz que se apresentará na sexta (23) após show nos EUA, no renomado SWSX, meras semanas antes.

Nascido e baseado em Manaus, o quarteto conseguiu, com esse combo de festivais, um feito bastante raro para as bandas brasileiras do cenário independente, essa presença em eventos de destaques tão grandes. “É muito louco, tudo isso é muito novo”, conta Erick Omena, membro da banda, “é nossa primeira vez no Lollapalooza, a primeira vez tocando fora do país, e começar já no SXSW é muito legal… Tem um peso bem representativo para a gente, que está um pouco mais distante. Quando saíram essas divulgações, foi uma conquista coletiva (risos), muitas pessoas aqui no Amazonas compraram nossa vitória”.

Como se não bastassem as presenças nos festivais, o grupo está ainda na onda de seu mais recente lançamento, o single Parte (com produção de Carlos Eduardo Miranda), que chegou para revelar um pouco da sonoridade que o público poderá esperar de seu próximo registro. Quando perguntado sobre esse novo momento, essa nova “cara” da banda, Omena comenta que ela será uma soma do que tem acontecido com Luneta Mágica, “tanto o que o EP de remixes, através da mudança da estrutura das músicas, pôde proporcionar, quanto o que a gente viu que funciona nos palcos e o que a gente tem ouvido de novo. A gente busca ser muito plural no que faz, nas nossas composições. Posso dizer que em No meu Peito, nosso último disco, a primeira música não tem nada a ver com a segunda, que não tem a ver com a terceira… apesar que todas façam parte de uma gama de influências que cada um da banda possui e que a gente consensualmente consome junto”.

“Não tenho como prever como a gente vai soar. A gente não tem um foco de soar assim ou assado, a gente quer fazer a música e, de acordo com o que a gente vai percebendo que ela esteja pedindo, a gente vai tentando lapidá-la. Tem muita coisa extremamente Pop que a gente adora e muita coisa extremamente Experimental que a gente também gosta. Testar o choque desses dois mundos aparentemente opostos é algo que a gente acha curioso, algo que a gente brinca”, revela o músico.

E como esses experimentos afetam o som que Luneta Mágica faz ao vivo? “A gente tem uma premissa que, em termos de disco, a gente separa o objeto artístico. Disco é disco, show é show”, conta Erick, “a gente não tem um purismo de tentar reproduzir o que o disco fez. A gente pensa que são experiências bastante diversas que, por mais que sejam diferentes, não prejudica a experiência e o conhecimento da música. Muito pelo contrário, a gente acha que contribui. Têm tantos fatores que alteram nossa percepção de uma música, imagina na hora da criação. A gente se vê influenciado pela repercussão da nossa performance ao vivo,mas não se restringe a isso. A gente tenta usar o estúdio ao máximo que a gente conseguir”.

“A gente tem escutado muita coisa diferente, e é inevitável que isso acabe refletindo em novas composições”, conta Erick Omena, que continua: “Eu, particularmente, gosto muito de dizer que, quando um artista fala sobre suas influências, ele joga sempre para grandes unanimidades – John Lennon, Syd Barrett… Beleza, são caras que eu admiro, mas são distantes, são símbolos quase canônicos que me influenciam. Mas existe outra parte da influência que é pouco falada, e acredito que influencie muito Luneta Mágica, que é os nossos amigos, as pessoas que convivem com a gente, e as que não convivem mais, os eventos cotidianos… Isso influencia de uma maneira arrebatadora”.

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.