Melhores Álbuns (Menções Honrosas)

Alguns dos favoritos de nossa redação que não entraram na lista dos melhores de 2012 mas merecem seu espaço

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Música é sem dúvida, uma das coisas mais estão presentes na vida de qualquer um, independente do perfil ou do gosto, seja em uma relação mais pessoal com fones, em festas, lojas, trilhas de filmes, programas de TV ou qualquer outro momento de nossas vidas. Essa onipresença da letra e da melodia em nossas vidas, torna música algo muito pessoal, onde nos relacionamos com aqueles sons de maneira única e muitas vezes inexplicável.

É por isso que apesar de gostarmos de resenhar os mais diversos álbuns e tentar analisá-los melhor maneira possível, alguns deles acabam nos fisgando sem nos dar chance para explicar o porque. Na lista de melhores álbuns do ano citamos as unanimidades entre a nossa redação e agora estamos aqui justamente para revelar algumas das pérolas mais pessoais que marcaram o ano de cada um.

André Felipe de Medeiros

Bowerbirds – The Clearing

Bowerbirds

Nos últimos cinco anos, a dupla Phil e Beth lançou dois discos gravados em uma cabana no meio do mato com a maior alma Folk em violões, sanfonas e côros, fez turnês com Arcade Fire e Bon Iver e passou pelas mais diversas experiências em seu casamento, incluindo uma em que Beth quase perdeu a vida. O resultado de tudo isso foi um álbum realistamente feliz e corajosamente experimental, exalando a cada (belíssima) faixa um contentamento maduro e honesto sobre estar vivo.

Jair Naves – E Você Se Sente Numa Cela Escura, Planejando A Sua Fuga, Cavando O Chão Com As Próprias Unhas

Jair Naves

O título gigantesco pode chamar sua atenção em um primeiro contato com a estreia solo do músico, mas isso acaba sendo o aspecto menos surpreendente do álbum logo após sua primeira audição. Jair faz um trabalho primoroso ao compor pequenas narrativas grandiosas e tratá-las sob uma sincera e íntima interpretação, do sussurro ao grito. Ao final, a sensação é aquela das luzes do cinema se acenderem e você continuar olhando os créditos subirem na tela, atropelado pelo que acabou de experimentar.

Fernando Galassi

Sleigh Bells – Reign Of Terror

Sleigh Bells

O duo formado por Alexis Krauss e Derek Miller trouxeram para 2012 um dos mais barulhentos e rasgados discos, Reign of Terror duplica a dose de atitude em sua pequena carreira iniciada em 2010, e devidamente continuada no segundo álbum lançado neste ano. A efervescência do Sleigh Bells através das guitarras de Miller envolvidas pelos vocais plenamente doces de Alexis podem ser confundidos com uma bagunça musical sem qualquer propósito além da busca pelo pedante, no entanto o contraste da instrumentação pesada com a voz típica de um Dream Pop traz culhões e diversão ao registro. O trabalho surpreende e dá um passo além proporcionando uma mistura inusitada do Noise Rock com refrões e composições Pop, mostrando que nem só de batidas e timbres eletrônicas vivem as produções que se aventuram no experimentalismo.

The xx – Coexist

The xx

O trio inglês The xx fez grande estreia em 2009 com seu primeiro disco homônimo, reacendendo a chama minimalista a nova década de 10, e servindo como espelho para novas gerações dentro do estilo junto a nomes como Massive Attack. O segundo trabalho de Romy, Oliver e Jamie prometia vir mais dançante segundo suas primeiras entrevistas, porém a dose de calmaria e momentos etéreos vem dobrada no álbum Coexist, criando mais momentos reflexivos do que hits em potencial, que num primeiro momento conquistou surpreendentemente um vasto público. Conciso, pensado e bem desenvolvido, o trabalho , ao que parece, veio a ocupar posições mais baixas entre as escolhas pelo fato de diminuir o ritmo de batidas e desacelerar um pouco mais, o que não faz do disco um material menos eficiente num contexto geral.

Gabriel Rolim

Pond – Beard, Wives, Denim

Pond

Não há dúvidas que Tame Impala e seu Lonerism roubaram a cena neste ano, mas saída da mesma cidade e dividindo alguns integrantes, a Pond fez um dos discos que em 2012 levou a Psicodelia australiana um passo adiante – experimentando, testando e brincando com tantas sonoridades, Beard, Wives, Denim é uma prova que a cena está muito bem servida de novos artistas que a todo o momento colocam novo combustível no movimento Psicodélico do país.

The Vaccines – Come Of Age

The Vaccines

“Temos aqui um segundo disco que serve como excelente exemplo de renovação, bem semelhante à mudança de ares que o Franz Ferdinand fez quando lançou seu segundo álbum. Sem perder o lado Pop e de fácil entendimento, mas ao mesmo tempo variando e estruturando suas referências e músicas respectivamente, o The Vaccines criou um belo segundo disco de Rock & Roll. Agora como uma realidade no cenário musical, veremos se Justin Young se tornará ou não a voz de uma geração.”

Lucas Repullo

How to Dress Well – Total Loss

How to Dress Well

Total Loss é uma daquelas obras em que nos faltam palavras que descrevam bem a sensação de ouvi-la. Faltam palavras por ser um disco muito sensorial, que não se ouve apenas com os ouvidos, as faixas são cheias de texturas, reverberações e poucos instrumentos que juntos hipnotizam e fazem dançar e reagir ao som das maneiras mais institintivas. Isso não significa que é uma obra impecável, pelo contrário, é um disco que provavelmente será esquecido daqui alguns anos e não marcou o ano de 2012, como muitos outros fizeram muito bem, mas preencheu boa parte dos meus momentos em que queria esquecer do mundo por alguns minutos, por isso seria uma injustiça não citá-lo.

Mac Demarco – 2

Mac Demarco

Existem diversas maneiras de combinar letra e melodia em um disco e Mac Demarco escolheu uma das mais interessantes. Todas suas letras contam histórias curiosas e que nos provocam determinadas reações, tendo as melodias lá para realçá-las, funcionando como uma trilha sonora criada para ambientar a histórias contada por ele em suas canções. O álbum possui algumas das melhores batidas e riffs que ouvi em um bom tempo e é absolutamente viciante, agradando fãs de Folk, Rock Psicodélico, Surf Music, Indie Rock e muito provavelmente seu pai.

Nik Silva

Ty Segall – Twins

Ty Segall

Para coroar um ano de ótimos lançamentos, Ty Segall deixa seu melhor trabalho de 2012 por último. As experimentações guitarreiras, sujas e psicodélicas do músico se fazem presentes em Twins de forma a remeter o que foi apresentado em suas três ultimas obras, mas também deixa claro que ele sempre irá levar sua música um passo adiante em cada novo lançamento. Faixas como You’re The Doctor, They Told Me Tooe Who Are You quebram a barreiras estilísticas e conseguem agradar até mesmo que torce o nariz para esse som mais “sujinho” feito por Ty.

Wild Nothing – Nocturne

Wild Nothing

Jack Tatum está de volta e em seu segundo disco mostra que amadureceu muito se comparado com Gemini de 2010. Seu novo trabalho é um grande desfile de hits sonhadores que levam o Dream Pop a um novo patamar. Belas melodias, boas linhas de guitarra e vocal encantador fazem deste álbum um dos mais completos do gênero, que passava por uma grande saturação de artistas fazendo exatamente a mesma coisa. Com certeza esse é um dos discos mais bonitos do ano.

Pedro Ascar

Boys Noize – Out Of The Black

Boys Noize

Não tem muito o que falar de Ridha. É inevitável não catalogar Boys Noize na lista, não só como autor de um dos melhores álbuns de 2012, como um dos produtores mais bem sucedidos da cena eletrônica. Depois de um trabalho excepcional no Handbraekes, em conjunto com Mr Oizo, e uma palinha com o grande nome do Dubstep comercial Skrillex (com Dog Blood), o produtor alemão ainda escontrou tempo para juntar suas referências já conhecidas de hip hop com electro de baixo BPM em Out of the Black. Tudo minuciosamente bem produzido. Misturou percussões, abusou do vocal e provou estar à frente de todos de sua geração.

Disclosure – The Face

Disclosure

Mesmo com o incrível trabalho do duo brasileiro Digitaria com Masochist ou o inovador e individualista álbum do Matthew Dear, Beams, seria injusto não apontar esses ingleses como um dos maiores nomes do ano. The Face resgatou o UK Garage e misturou com o melhor da estrutura Dubstep e o gingado do R&B. As variações de 2-step dão fluidez às faixas e a essência Soul acalenta a alma. A fusão perfeita para demonstrar que não é idade que constrói técnica ou talento. The Face é o resultado de um trabalho que deveria fazer com que muitos veteranos abaixassem a cabeça para o Disclosure.

Vitor Ferrari

Spiritualized – Sweet Heart Sweet Light

Spiritualized

Mais um trabalho feito com maestria pelo perfeccionista Jason Pierce. Sweet Heart Sweet Light chegou em 2012 e não desapontou, mantendo o nome que o Spirtualized vem carregando principalmente após o lançamento do ótimo Ladies and Gentlemen We Are Floating in Space, que curiosamente foi usado por Pierce como inspiração para o álbum deste ano. Começando logo de cara com a épica faixa Hey Jane e com participação da banda de cordas Amiina, a qual já trabalhou com Sigur Rós, e a qualidade de sempre na temática das letras, Sweet Heart Sweet Light merece atenção em meio aos discos de 2012.

Ringo Deathstarr – Mauve

Ringo Deathstarr

O dilema do segundo disco sempre persegue as novas bandas. E a pressão fica ainda maior quando os novatos trazem na bagagem um disco de estreia que tenha sido elogiado e aprovado por crítica e público. Foi o que aconteceu com o Ringo Deathstarr em Colour Trip,seu primeiro disco de estúdio. Entretanto, o trio de Austin soube contornar a pressão e trouxe Mauve, um álbum primoroso e digno de um revival dos grandes nomes do Shoegaze, que com suas faixas cruas, encorpadas e densas misturadas com psicodelia, mostraram que sabem muito bem compor tanto para o lado mais Pop, quanto para o lado mais raiz do estilo.

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