O Despertar Do Segundo Dia, Por Mombojó

Apesar do horário, pernambucanos fazem excelente show provando serem um grupo completo

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O poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto disse que “Um galo sozinho não tece uma manhã”. Ele não poderia estar mais certo, pois, na verdade, é preciso de cinco galos arretados e com um ânimo de sobra. Conterrânea do poeta, coube a Mombojó o cargo de abrir a série de shows que se dariam no Palco Axe dentro da programação oficial do Lollapalooza Brasil 2015.

Um trabalho difícil, afinal é complicado convencer as pessoas que ficaram destruídas do primeiro dia a acordarem um pouco mais cedo para ver uma banda brasileira (um preconceito ainda vigente atualmente). Com um público pequeno, o show do grupo começou no que parecia ser um show perfeito para se cruzar os braços e esperar a chuva passar para curtir as atrações estrangeiras. Ainda bem que apenas parecia.

De fato, havia poucas pessoas, mas todas estavam animadas. A banda utilizou seu posto de primeira do dia para aquecer todos, mas acabou gerando tanta energia que, se o festival acabasse lá, já nos daria por satisfeitos. Realmente, o ânimo do conjunto pernambucano é algo invejável, algo que com certeza vem da tradição Carvalesca do Frevo de Recife e Olinda. Na posição frontal do palco, Felipe S. inspirava todos a sairem pingando de tanto dançar, perguntando recorrentemente “Tem alguém cansado aí?”.

Foi uma ótima surpresa saber que Mombojó não usou o espaço apenas para divulgar trabalho e tocar músicas. Durante o show, o telão que antes mostrava imagens de glitches formado por caracteres tipográficos, mostrou um apelo para que o público se conscientizasse da causa Ocupe Estelita, que pede o tombamento do Cais José Estelita (Em Recife) bem como uma manifestação de uma participação popular no planejamento do espaço urbano. Durante estas mesmas projeções, vimos que a banda apoiava os movimentos deste porte que ocorriam em São Paulo, como o Ocupe Parque Augusta.

A banda equilibrou até que bem as músicas entre seus discos, mas houve um leve destaque para seu novo trabalho, Alexandre, o que não deixou os fãs mais ou menos animados: eles estavam lá para ver Mombjó e seu show extremamente completo. Quem não viu, uma pena. Fica um apelo para que bandas brasileiras tão boas não fiquem tão desprivilegiadas por uma questão tão boba quanto horário.

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Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.