Palco Perry: O Melhor da Música Eletrônica no Lollapalooza

Saiba o que é imperdível nos dois dias no espaço reservado ao gênero no festival

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A próxima folia pra quem gosta de música no Brasil é o festival Lollapalooza, que chega daqui menos de um mês. No ano passado, fizemos uma cobertura de todo o peso que recheou o Palco Perry. Vimos Porter Robinson ser o melhor DJ de todo festival, abusando de todos as caixas de grave da tenda, sendo surra-pós-surra em todo gênero que lhe cai bem. Desde o Electro House ao Dubstep, soube percorrer bem todo seu trabalho desde Unison à euforia de seu single 100% in the bitch. Vimos Knife Party aterrorizar no auge do sucesso de Internet Friends. Madeon provando que sua pequena idade não faz seu talento, provou versatibilidade em um show bastante comercial trazendo uma pista lotada mesmo disputando com o final do show de Queen of the Stone Age. Steve Aoki brincou e bagunçou o sábado com seu bolo, seu barco e seus maiores sucessos no Electro House. Faltou peso, sobrou EDM e vontade daquele produtor que vimos na Tomorrowland dias antes. Felguk representou bonito o Brasil no domingo, vindo com remixes de Justice e The White Stripes e singles esperados pelos fãs (como a famosa Wow). Pra fechar, Rusko mostrou o lado sombrio do Dubstep aos adeptos tímidos. Som industrial misturado com Reggae e muita presença de palco.

O que tiramos disso? A segunda edição do festival veio ousada querendo trazer o que os maiores eventos de música Eletrônica oferecem aos seus presentes: EDM, com foco no Electro House e Dubstep. Ponto pro Lollapalooza. A consequência disso foi o público estar muito mais próximo do que acontece lá fora, Tomorrowland, UMF, o próprio Lolla e uma série de outros festivais que não são em suma Eletrônicos, mas que tem em seu time jogadores da Electronic Dance Music mais barulhenta e menos radiofônica. Foram 30 horas de graves com artistas nacionais e internacionais se revezando e botando o Brasil na rota.

Em 2014, resolveram mudar a fórmula, o que é ainda mais incrível. Mantiveram o EDM mesclando os novos pupilos do gênero com os grandes monstros. Enquanto de um lado temos Flux Pavilion e Krewella, encabeçando o hype do Dubstep do momento, do outro temos os professores Wolfgang Gartner e The Bloody Beetroots ensinando do outro. O primeiro estreou I Can’t Stop na trilha do filme O Grande Gatsby e lançou o EP Freeway (2011) junto de nomes de peso como Dillon Francis e Steve Aoki. Krewella vem em momento de estouro pra apresentar o trabalho lançado no final do ano passado. Get Wet é o suprassumo do EDM, fugiram por completo daquele Dubstep agressivo do Play Hard pra atingir um público comercial com singles como Live for the Night e Alive.

Gartner vai provar que não tem como se intitular em um só gênero. Deve mostrar seus trabalhos de Weekend In America, além das suas várias colaborações com nomes de pesos, como Tiesto, Skrillex e Deadmau5. Já sobre The Bloody Beetroots fizemos um artigo bem bacana pra falar sobre o trio italiano que mistura Punk com Electro que vai trazer a anarquia para a Tenda Perry.

Em paralelo a isso, Axwell é a grande atração de domingo e fecha a noite mostrando por que já ganhou o Grammy cinco vezes. O sueco, pra quem não sabe, era do lendário Swedish House Mafia, que acabou há aproximadamente um ano. No seu set, além dos maiores sucessos com o trio – desde Don’t You Worry a Save The World, deve apresentar também algumas das faixas que o colocaram tantas vezes entre os dez mais escutados da DJ Poll, entre elas Feel the Vibe e I Found U.

Mas o mais legal disso tudo é que eles resolveram mudar a dinâmica do processo. Enquanto em 2013 eles priorizaram o barulho, decidiram em 2014 priorizar o que tem de novo e a qualidade. Antes de tudo quero enfatizar que não fiz relação entre barulho e qualidade aqui, somente que não importaram com sons estritamente comerciais e que movimentam grandes públicos para comandar o festival. É o exemplo do incrível Digitaria. O duo brasileiro formado pela delicada Daniela Caldellas e Daniel Albinati trazem o que tem de mais refinado e gostoso do Deep House para se ouvir. Os mineiros liberaram EP há quase um ano e vão mudar a cara do festival trazendo uma atmosfera mais Chill para o início do sábado do Lollapalooza. Outro exemplo (e que exemplo!), e uma hora e meia depois, entra Flume. O australiano vem em uma época boa de lançamentos, após Lockjaw e Flume Deluxe. Trouxe o Hip Hop para produções Chill Out e deu muito certo. O produtor está com turnê cheia, boas críticas e muitos curiosos para matar toda essa expectativa. A Tenda Perry começa bem leve, agraciando um público que não se contenta com som poluído e com artistas direto de festivais vanguardistas, como Pitchfork Festival, pra cá. Entra em pontos não descobertos no ano passado, com Hip Hop, Trap com Baauer, Chill Out e Experimental com Flume e Deep House com Digitaria.

A escolha desse line up não é à toa e demonstra uma tendência de produção que vem para o Brasil esse ano. Assim como o exagero perambulou em 2013, estamos diante da busca de referências e hibridismo de gêneros, resgate de antigos estilos, não necessariamente encaixáveis no EDM. Isso abre portas para produção e cabeças do público. A versatilidade vai dar uma outra cara ao evento, vai agregar e agradar maior público e estimular o pessoal a chegar mais cedo ainda no festival, o que evita aglomeração de filas ao final da tarde – o que todo mundo viu que foi um problema em outras edições. Cheguem cedo, absorvam a experiência que o festival quer passar e entrem em contato com o que tem de mais novo na música. Dessa vez são só 24 horas, mas muita coisa boa vai vai acontecer durante esses dois dias no Palco Perry!

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Autor:

Publicitário que não sabe o que consome mais: música, jornalismo ou Burger King