Quatro Razões para não Perder o Show de Disclosure no Lollapalooza

Dupla promete transformar Interlagos em uma pista de dança cheia de influência de Chicago

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Não é muito complicado explicar a razão da presença das bandas em determinados line ups. Muitas delas marcaram presença nos últimos meses e ganharam uma legião de fãs que fazem parte do público-alvo do evento, fizeram bonito em alguma obra recém-lançada e/ou estão na mídia por consequência de uma das duas coisas. Enquanto a maioria agrada e tem seus tickets e vistos carimbados para os maiores festivais do mundo, outros projetos são as atrações desses eventos, são as peças fundamentais da noite e que determinam a ida de uma massa. Dia 5 de abril, no Palco Interlagos, o duo inglês Disclosure mostra sua cara ao Brasil pela primeira vez em uma performance para marcar todos os amantes do gênero. Como se nem fosse necessário falar, vou ainda pontuar porque é obrigatório sua presença no show, que começa às 21h30:

1) Maturidade

Desde 2011 conquistando lugar em bons blogs de música, os irmãos Lawrence foram ganhando ouvidos dos mais antenados em música experimental. Desde Latch e, principalmente, Settle, lançado ano passado, a coisa estourou e saiu dos limites. O underground virou comercial em pouquíssimo tempo com maturidade não compatível à idade dos meninos, mas com uma cabeça completamente formada musicalmente falando. O álbum foi lançado pouco tempo de Random Access Memories e comparado fortemente à obra dos robôs, dizendo ser mais contemporânea, leve e palpável. Conseguiram misturar o Pop no Deep House, trouxeram mais o vocal para as faixas e encheram com um time de colaboradores de peso.

2) Competência

Não é só pela indicação ao Grammy de 2014 – os irmãos Lawrence farão 90 minutos de show à la SBTRKT – como estão habituados – com instrumentos ao vivo. O palco possui uma variedade absurda deles: É baixo, teclado, sintetizador, baterias sintetizadas, microfones. Os garotos tocam o que aprenderam desde meninos, o som que tinha como referência da Chicago House, todo aquele Hip Hop Americado e Swing que ouviam no meio dos anos 90. Quem roubou a cena de festivais que só tinham macacos velhos como headliners tem de ser topetudos o suficiente. Guy e Howard estudaram muito e se envolveram com a fonte de música sem medo. Jovens que beberam lá atrás e mastigaram pra meninada de hoje. Essa é a receita que trouxe Disclosure onde está.

3) Ineditismo

É necessário pontuar que é a primeira vez dos londrinos no país. Prestigiar e saber aproveitar essa oportunidade há de soar necessária. Enquanto alguns artistas do festival tem maior chance de pousar novamente em terras brasileiras devido ao caráter dos festivais e seu público-alvo, estamos diante da chance de ver os responsáveis por um dos maiores hits de 2012, Latch, com os graciosos vocais de Sam Smith, sem contar as inúmeras vezes que suas faixas foram para o ranking britânico. A turnê dos irmãos está lotada e sendo cotada nos maiores festivais do mundo, não é novidade que são os queridinhos da vez. Logo, demorou pra conseguir uma brecha pra trazer Disclosure ao Brasil, não desperdicemos a oportunidade de ter diante dos nossos ouvidos quem está nos holofotes do mundo.

4) Show

Disclosure já tinha dois singles e ainda nem sabia discotecar. A velocidade em que as coisas foram acontecendo para os irmãos Lawrence fez a maturidade chegar mais rápido, e isso fica notável no show deles. Houve um tempo em que os concertos eram voltados para um som mais experimental feito basicamente para produtores. Hoje, Disclosure já procura tornar seu som mais acessível ao público que não é profissional. Isso acoplado à necessidade de fazer com que todo mundo esteja inserido em um cenário de balada, mesmo estando em uma performance. O show, de 90 minutos, é feito mixado com samples das faixas em cima de uma estrutura Chicago House em que as músicas do álbum vão se formando ao decorrer do tempo e do BPM. Aquele logo (o famoso rosto feito em traço) vai acompanhar a dupla e ainda “cantar” as músicas em que os artistas não comparecerem (ou seja, boa maioria). Hoje já temos um profissional que fica só por conta do jogo de luzes e da animação dessa marca registrada. Estrelismo? Nunca. A dupla já disse que desde o início quis tirar a visão “espetáculo” do show e focar na atmosfera “club”, ou seja, vão com tênis confortáveis e com energia para dançar.

Enquanto em 2013 tivemos um mascarado em palco diferenciado, o rato Deadmau5, nesse ano teremos uma máscara flutuante. Ambos artistas que mereceram uma atenção especial – maior espaço – marcaram uma geração. Disclosure quebrou uma barreira que há anos não se trazia: o original. Isso rendeu primeiro lugar na Inglaterra no lançamento em junho, 4 estrelas no jornal The Guardian e nota altissima no renomado site Pitchfork. Enquanto alguns categorizam, os dois preferem dizer que Disclosure escreve faixas “Popeadas” inspiradas no House e na Garage. E os dois não tem medo de afirmar isso. Eles, apesar de parecerem muito Joy Orbison e Four Tet no início de carreira, nunca fizeram parte daquela cena por completo. E teremos a prova disso no dia 5.

O que vamos ter na nossa frente não é somente uma prateleira cheia de prêmios. Interlagos irá reviver os anos 90 em uma discoteca que os irmãos Lawrence vão nos dar a chance de participar.

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Autor:

Publicitário que não sabe o que consome mais: música, jornalismo ou Burger King