Steve Aoki (e o Maior Público do Palco Perry)

Produção teve que bloquear a entrada de fãs na rampa de acesso, alegando lotação máxima

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Não adianta: Esse foi o ano em que artistas individuais fizeram espetáculos em grandes palcos do Lollapalooza Brasil. 2015 viu a música Eletrônica sair do nicho para um gosto geral. A prova disso foi o show de Steve Aoki. Fechando as apresentações de domingo e sendo o último headliner do festival, o americano foi vítima de um cálculo errado da produção do evento. Em 2013, quando o DJ se apresentou no mesmo palco, a situação era confortável e adequada, mas esqueceram que, de dois anos pra cá, houve cinco singles e o título de décimo melhor DJ do mundo pela publicação Dj Mag. E, de certo, Pharrell Williams não segurou a barra, e nem o público, do seu show.

A cena Eletrônica do Brasil vive uma explosão e, sim, Aoki é um dos precursores disso. Não só pelo seu talento nato de fazer hits, mas também pela famosa irreverência de tornar seus shows verdadeiros sinônimos de diversão e juventude. Não demorou 20 minutos para que o DJ subisse na mesa e estourasse a primeira garrafa de champagne no público próximo à grade. E aquele papo recente de que Steve iria parar com os famosos bolos em grandes festivais? Uma bobeira! Nada menos que seis bolos foram arremessados pela pontaria quase que anormal do “japonês” e, claro, os “surtudos” se vangloriaram pelo feito.

A começar pela entrada sempre triunfal de seus sets: Mais uma vez, escolheu uma entrada egocêntrica trazendo repetidas vezes seu nome fazendo que o público gritasse “Aoki” junto com o vocal, isso tudo acoplado com um grave que causava ainda mais suspense. Até então, nada de Steve no palco. Impossível era conseguir enxergá-lo. Todo o espaço do Palco Perry nunca tinha visto tanta gente. O show já havia começado há 30 minutos e a rampa que dava acesso à tenda parecia mais uma enxurrada de fãs sem fim. O resultado que a produção viu foi, infelizmente, cercar a rampa e impedir a entrada de qualquer um alegando “lotação máxima”. O que, antes de tudo, foi claramente um erro do próprio evento respingou em quem pagou o ingresso e queria ver seu ídolo, uma pena. Em 2015, os atrasados não tiveram chance.

Entretanto, quem entrou era só felicidade. Steve não deu tempo pra ninguém respirar e nem se incomodar em aquecer a pista, afinal quem estava ali já tinha saído de um bom aquecimento feito por Calvin Harris no Palco Onix. A intenção do americano era fechar com chave de ouro e remixes enérgicos o segundo dia e fazer jus a seu nome como atração final. E, como um ótimo brasileiro de coração – quem é fã de verdade sabe que Aoki volta ao país frequentemente -, ele se sentiu à vontade em toda apresentação. Pulava, subia nas caixas, pedia grito ao público (como se ainda fosse necessário). O calor dentro da tenda era tão grande devido à lotação e ninguém conseguia ficar parado. Sucessos do último álbum do DJ imperaram e foram cantados em coro, como Boneless, Back to Earth, Afroki e Born to Get Wild, sem esquecer dos antigos e jamais esquecidos Turbulence e Freak. Houve até a ousadia de trazer a intro de Wonderwall no original enquanto todos levantaram isqueiros e as luzes dos celulares. Aposto que você esperava isso era de Dillon Francis, certo?

Quem queria ver técnica talvez saiu um pouco frustrado. Há muito tempo que o show de Steve é mais espetáculo. Algumas mixagens pareciam já prontas, uma vez que o DJ se envolvia com o público e perfeitamente de uma faixa ia para o drop da outra. Mas, pra quem está espremido em uma tenda quente sorrindo e tirando foto de uma garota gritando em cima de um barco inflável, isso não parece um problema, parece? Steve entra no mesmo palheiro de Major Lazer: saíram do patamar de provar alguma coisa e agora se preocupam bem mais em fazer um show marcante.

Pois bem, a nota máxima aqui vai para o público e a mínima vai para a produção. Steve, assim como Skrillex, deveria ter sido “promovido” a um palco de mais destaque. Dessa forma, não haveria tumulto, não haveria calor, nem empurra-empurra, todos veriam o show de forma igualitária. E que a agenda de Aoki continue amando o Brasil. Domingo foi a prova de que ninguém está nem um pouco cansado de suas receitas. A fórmula é original e tem gente que come. E como!

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Autor:

Publicitário que não sabe o que consome mais: música, jornalismo ou Burger King