Tame Impala: A Psicodelia Toma Conta do Autódromo

Digno de ser “headliner”, grupo traz show dançante em sua quarta apresentação no Brasil

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Vi algumas das passagens de Tame Impala pelo país e posso afirmar que cada show tem uma energia bem diferente. No primeiro deles, em 2012, a banda estava em turnê por Innespeaker (até então seu único álbum) e apresentou-se em uma casa de médio porte; no segundo deles, em 2014, o grupo já tinha lançado Lonerism e flertava com sua nova fase, abraçando a vibe do que viria a ser Currents, disco lançado em 2015, e se mostrando apto a ser o headliner de um festival também de médio porte (longe do tamanho megalomaníaco de um Lollapalooza).

Em sua quarta passagem pelo país (e terceiro show que vejo), foi uma verdadeira – e gratificante – surpresa ver que o grupo já consegue e merece ter seu nome impresso em letras grandes nos cartazes dos festivais. Com uma apresentação impecável, o grupo soube levar ao palco o novo momento de sua carreira (agora ligado a músicas mais dançantes e com toques do Rock e Pop dos anos 70 e 80). Com quase metade do set formado por música de Currents, o show quase se tornou uma balada lisérgica a céu aberto, com pontos altos pontuados por versões de Let It Happen, The Moment e The Less I Know The Better.

Se o intuito da banda era fazer o público dançar ao som das letras introspectivas de Kevin Parker, a missão foi cumprida com sucesso, ainda mais ao ver até alguns velhos sucessos, como Mind Mischief e It Is Not Meant To Be, ganharem versões mais dançantes, quase como um remix feito ao vivo somente por instrumentos. Elephant, música de Lonerism, foi também um dos pontos altos nesse quesito, ganhando uma “inserção baladeira” em meio uma jam alongada da faixa.

Outra diferença crucial nesta apresentação foi o telão. Se nos outros shows a potência do equipamento não permitia um aproveitamento pleno das possibilidades dessa ferramenta da banda, aqui a história foi diferente. As projeções funcionavam como um sexto elemento do grupo, servindo para potencializar a lisergia que brotava dos instrumentos de Parker e companhia. O show de luzes e efeitos hipnóticos ajudavam a botar o público num transe, que foi quebrado ao final pela chuva de papel picado (em Feels Like We Only Go Backwards, penúltima música do show).

Entre momentos mais introspectivos (Yes, I’m Changing, em que Parker larga a guitarra e pega somente microfone, assumindo o papel de um verdadeiro crooner) e outros totalmente dançantes (Apocalypse Dreams), o grupo fez um show completo e digno de um headliner para um festival de peso como este. Tame Impala cresceu não só em fama e público, mas também como uma banda, que já se mostrou mais que preparada para um desafio desses. É bastante seguro afirmar que o quinteto australiano propiciou aos fãs um de seus melhores shows no Brasil.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts