The Black Keys: da garagem para o Lollapalooza 2013

Conheça mais da trajetória de uma das mais importantes bandas do Rock atual e saiba o que esperar de seu primeiro show no Brasil

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Para quem acompanha a carreira do The Black Keys há bastante tempo, parece ter sido do dia para a noite que os rapazes tornaram-se uma das maiores e mais reconhecidas bandas de Rock da atualidade. Os garotos de Akron, Ohio, surgiram na época da explosão de bandas que salvariam o Rock, como The Strokes, The Hives, The Vines e a principal, The White Stripes, cuja comparação não deu sossego a Dan e Patrick por um bom tempo.

A estreia veio com The Big Come Up, álbum que, de tanta sujeira e alma característica do Blues, tornava quase impossível negar a emoção e calafrios ao ouvir o vocal estourado, a microfonia característica e o caos instrumental que impressionava ao lembrarmos que haviam apenas duas pessoas fazendo aquilo dentro de uma garagem. A partir daí, a banda lançou trabalhos quase que anualmente, em cada um incorporando novas influências, ganhando experiência, evoluindo na produção, nas composições e explorando áreas carentes da música, sempre com uma segurança rara de que quem se encantou com o primeiro trabalho, não se decepcionaria jamais. Dentre todos que vieram posteriormente e antes de começarem a produzir em um estúdio, destaque para Rubber Factory, primeiro do grupo a figurar no Top 200 da Billboard.

Apesar de nem sempre tão comum, o duo trilhou um caminho muito lógico para o sucesso, aumentando exponencialmente seu público a cada novo lançamento. Alguns se impressionam inclusive que o reconhecimento atual não tenha vindo em 2008, com Attack & Release, o primeiro de uma trinca de trabalhos produzidos pelo americano Danger Mouse. O álbum foi realmente um divisor de águas para a banda, usando da abrangência musical de seu produtor, criado nas bases do Hip-Hop, trazendo para o The Black Keys um ar mais vanguardista, menos rústico, espantando a sensação que poderia surgir de que era uma banda muito presa em suas influências do passado. O disco conseguiu inovar trazendo elementos da Psicodelia e do Folk, conquistando novos fãs sem perder os antigos e assegurando seu merecido espaço entre os grandes álbuns da década.

O topo parecia ter chegado com o lançamento de Brothers em 2010. Além de todo seu sucesso como álbum e do hit Tighten Up ter explodido nos iPods pelo mundo e nas trilhas dos mais variados comerciais e filmes, o álbum foi o primeiro contato de boa parte da base atual de fãs com o trabalho da dupla. Essa incursão da banda em um trabalho menos garageiro, veio da maneira certa. Brothers é um álbum redondo, que não nos deixa pular uma faixa ao ouvi-lo. Teve seu grande single responsável por atrair ouvintes, mas sem ofuscar as demais faixas do trabalho que ganharam tanto ou mais reconhecimento do que a música do clipe com criancinhas no parque.

Foi aí que veio El Camino, álbum mais divertido da banda. A prévia veio com o hit Lonely Boy e seu já clássico vídeo com um senhor dançando de maneira engraçada ao som da faixa. O disco então não decepcionou quem havia gostado da primeira faixa, mas também não surpreendeu, trazendo boas músicas, incorporando desta vez o ritmo dançante do Rockabilly, mas talvez abusando um pouco demais da fórmula, deixando o disco um pouco repetitivo se ouvido na ordem e por completo. El Camino não é de maneira nenhuma um álbum ruim e ainda não acaba com a segurança dos fãs em poderem esperar sempre o melhor de Dan e Patrick. Ele é simplesmente um álbum mais difícil de ganhar o coração de quem se encantou com os primeiros trabalhos, mas excelente para ganhar ainda mais fãs para uma das bandas mais consistentes do Rock atual. Mesmo para quem não se encantou de cara, aos poucos não há como não se pegar dançando faixas incríveis como Gold On The Ceiling, Sister ou Nova Baby e muito menos não ficar boquiaberto ouvindo a épica Little Black Submarines que destoa um pouco das demais com seu início Folk e sua virada de animar até o mais cético fã de Black Sabbath.

Meu carinho pelo álbum aumenta ainda mais por ter sido o responsável por trazer uma de minhas bandas preferidas para o meu país. Se o som de El Camino, de Brothers e até o de Attack & Release foi o que te encantou, a satisfação é garantida.

Se seguirem a linha dos últimos setlists, 70% das faixas mais famosas do disco mais recente devem aparecer, um terço de Brothers também encorpará a apresentação e como óleo para a engrenagem da dupla, espere ver algumas pitadas dos primeiros álbuns com I’ll Be Your Man do debut The Big Come Up, Thickfreakness do álbum homônimo, Girl Is On My Mind do Rubber Factory e provavelmente I Got Mine, Strange Times e Same Old Thing do Attack & Release. Assistir à esse show no Lollapalooza Brasil é uma oportunidade rara, já que tocarão para uma quantidade de público que até em casas internacionais é raro de conseguirem. Além disso, a qualidade ao vivo de Dan, Patrick e da banda que agora os apoia, é inquestionável, multiplicando tudo que sentimos ao ouvir as gravações do estúdio, cravando o lugar deles entre os headliners dos maiores festivais pelo mundo.

Para quem quiser uma prévia da energia dos dois no palco, ou também quiser assistir um pouco de uma outra fase da banda, vale procurar o DVD do show no Crystal Ballroom em Portland, em 2008, dias após o lançamento de Attack & Release, ou seja, The Black Keys em sua melhor fase, com toda a alma e o peso dos primeiros discos, mas já com os elementos incorporados por Danger Mouse que consagrariam a banda poucos anos depois.

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Autor:

Nerd de música e fundador do Monkeybuzz.