Vampire Weekend: Mostrando Ao Brasil A Que Veio

Banda foge de enfeites e populismo previsível em show preciso, maduro e divertidíssimo

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Fotos: Fernando Galassi/Monkeybuzz

Ainda fico impressionado com a diferença de importância que uma banda pode ter em diferentes locais do mundo. Nos Estados Unidos, principalmente em Nova York, Vampire Weekend é uma das principais bandas da atualidade. Nada a ver com hype, é qualidade mesmo, o que consegue fazer com as referências que busca, a complexidade das composições e, ao mesmo tempo, cria um som de fácil digestão, encaixando-se nas mais opostas ocasiões.

No Brasil, antes do lançamento de Modern Vampires Of The City, ainda sentia que a banda era vista como mais um nome do Indie Pop, fazendo um som divertido pra animar festinhas por aí. Essa percepção começou a mudar por aqui com o lançamento de seu último disco, no qual sai – apenas um pouco – o clima de festa e entra uma introspecção com timing perfeito para traduzir os conflitos da geração dos próprios integrantes da banda e de seu público. Mesmo assim, era nítido que aquilo continuava sendo Vampire Weekend, o que fez muita gente voltar atrás e prestar uma atenção diferente às faixas que só serviam para animar a noite.

O segundo passo talvez tenha sido dado nesse domingo, com o preciso e contagiante show da banda do Brooklyn no Lollapalooza Brasil.

Tive a oportunidade de vr os músicos três vezes antes da ocasião ontem, em três momentos diferentes de suas carreiras. O primeiro foi em São Paulo, em 2011, no Via Funchal, em que encontramos um Vampire Weekend começando a entender seu próprio papel tanto na música alternativa quanto na música Pop, mas ainda assim inseguro se deveria seguir com suas próprias convicções ou apenas alegrar o público. Não digo que abriram mão da primeira opção, mas definitivamente focaram na segunda, sendo um dos shows mais divertidos que assisti até hoje, não deixando praticamente nenhuma música dos dois discos de fora.

A segunda vez foi no Pitchfork Music Festival Chicago de 2012. Um show muito especial, já que era o retorno da banda aos palcos após cerca de dois anos em pausa e um sinal de que viria um excelente disco por aí. Me lembro de ter ouvido apenas Unbelievers de novidade em um show seguro, tornando nítido que o hiato havia sido positivo e que eles estavam de volta, juntos, fazendo o que mais gostavam. Confesso que foi aí que eu mesmo passei a olhá-los de uma forma diferente.

A terceira foi no festival South By Southwest do ano passado, onde estavam a duas semanas do lançamento do disco, obviamente já com tudo pronto e tocaram muitas novidades. Step, Diane Young, Ya Hey e outras, sendo executadas com uma felicidade ímpar e percebidas da mesma maneira pelo público. Admito que elas ainda não estavam impecáveis e a incrível Ya Hey soou esquisitíssima ao vivo pela primeira vez. Mesmo assim, a sensação era de estar acompanhando um momento chave na carreira de uma das mais originais, sinceras e criativas bandas da atualidade.

Em 2014, no Lollapalooza, o maior público dentre todos os show que vi, sabia que seria um momento especial. Não vi falhas, não vi hesitações, vi muita personalidade, segurança com as músicas novas e um carinho especial com as antigas. Tocá-las não era apenas um serviço aos fãs, mas a eles mesmos. O público também era ótimo, conhecia tudo do começo ao fim e era nítido que cada um tinha sua relação especial com a banda. Alguns dançavam em roda com os amigos, outros cantavam a plenos pulmões e alguns preferiam assistir atentamente, relembrando seus próprios momentos e resgatando o significado particular de cada música para elas. Eu em particular, não aguentava de ansiedade para ouvir Hannah Hunt, uma das minhas preferidas, ao vivo pela primeira vez, já que eles a incluíram no setlist há poucos meses.

Confesso que, após um grande número de shows assistidos de diversas bandas, principalmente durante estes mais de dois anos de site, não me impressiono mais com números de circo, efeitos especiais ou aquele populismo previsível que parece funcionar, já que é o caminho escolhido pela maior parte das bandas. Vampire Weekend não precisou de nada disso, conseguiu entender a versatilidade de seu trabalho para quem queria ter aquele momento especial com sua banda preferida ou apenas queria curtir um momento único num belo fim de semana em São Paulo.

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Autor:

Nerd de música e fundador do Monkeybuzz.