Young The Giant: Prioridades, Transe e Espiritualismo

Banda peca em algumas questões, mas, no geral, agrada ao público paulistano

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Ao cair da noite do segundo dia, o palco Axe agrupava aqueles que não tinham a menor disposição ou gosto para ir dançar ao som de Calvin Harris do outro lado do mundo, nem apreciar o Rap suave e feroz de Childish Gambino. Marcado para as 19 horas, o show de Young The Giant conseguiu juntar um número bastante razoável de apreciadores, afinal tratava-se da primeira turnê brasileira do grupo, que mataria uma ansiedade considerável de cinco anos (data de lançamento do primeiro e ótimo disco). Era praticamente um primeiro encontro às cegas: não sabiamos o que iria acontecer, mas era inegável que queriamos ver a banda (já havia ocorrido outros shows, mas este era o primeiro em um festival).

Pontualmente, a performance começou com gritos insandecidos de mulheres e homens quando a banda entrou, o que só dobrou de proporção quando o vocalista Saamer Gadhia se colocou na posição frontal do palco. Parecia uma apresentação de boy bands de décadas atrás – o que é justificável, afinal a espera e ansiedade eram grandes. Iniciando com Slow Dive, do segundo disco, tinhamos a impressão que, pela obra do grupo ser composta de poucos discos, teríamos um set bastante equilibrado, o que, infelizmente não ocorreu.

À medida que o show passava, ficava claro que Mind Over Matter tinha uma clara preferência no repertório, ao contrário de seu precedente Young The Giant, que só foi contemplado com quatro músicas em um total de doze. É compreensível que, pela banda estar fazendo uma turnê do novo disco, ela o priorize, mas, por ser a primeira vez que vinha à capital paulista, cabia um melhor planejamento da música para que todos os fãs saíssem satisfeitos.

Percebe-se que, durante sua performance, o quinteto pensa bastante na questão audiovisual para ilustrar suas composições. Elas auxiliavam bastante na captação do conceito do disco e colocavam o público em um certo transe. Essa foi uma preocupação que acabou tomando um rumo extremamente positivo durante a execução do show, ainda mais considerando o segundo disco, no qual temos uma temática extremamente espiritual que flerta bastante com um psicodelismo suave. Aliás, a espiritualidade e uma paz interior tomavam conta dos integrantes, principalmente do vocalista, que parecia bastante leve e estava apreciando o show.

Com alguma interação bem superficial com o público, Young The Giant produz um show que não peca em termos técnicos, mas deixa a desejar na escolha das músicas e na performance, uma vez que as composições eram apenas reproduzidas sem maiores preocupações sobre uma ambientação. Na verdade, parecia o show de Alt-J, porém com membros mais carismáticos e gatinhos.

Foi o suficiente para saciar nossos desejos de ver a banda ao vivo, mas, certamente, uma frustração pela prioridade de certas músicas e do ar bastante passivo do grupo para com a plateia. De resto, um show bastante divertido.

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Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.