10 artistas atuais que expandem os limites do R&B

Uma seleção formada por quem tem reinventado as possibilidades do gênero a partir de flertes com Ambient, House, UK Bass, Trip Hop…

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Fotos: Angel Rivera

O R&B é um gênero com oito décadas de história. Começando pelos centros urbanos negros americanos nos anos 1930-40, passando pelo estouro da Motown Records nos 1970, chegando à popularização desenfreada nas rádios americanas e no mundo especialmente durante os anos 90 e 2000. Não há ninguém entre seus 20 e 30 anos, acredito eu, que não se lembre de ouvir (voluntária ou involuntariamente) boas horas de Destiny’s Child e Ne-Yo durante a juventude. E hoje, é claro, alguns dos maiores artistas da indústria americana trabalham com o gênero: Frank Ocean, Rihanna, The Weeknd e por aí vai.

Mas o R&B ainda é cercado por muitos questionamentos do que exatamente cabe sob o termo. O que surgiu como o Rhythm and Blues, fortemente influenciado por Blues e Gospel tradicional, passou por diversas mutações ao longo dos 80 anos de sua existência e passou a ser uma definição meio solta – ou até segregacionista, como apontado pela cantora FKA Twigs, que disse ao The Guardian em 2014 que acreditava que seu som só levava o rótulo “R&B” por conta de sua negritude.

Ao se espalhar pelo mundo e assumir diversas outras definições e formas nos últimos anos, porém, artistas de diferentes sonoridades e escolhas estéticas se agruparam sob o termo para indicar suas preferências por harmonias vocais complexas e produções mais apuradas – que mesclam elementos fundamentais do R&B a outras linguagens.

Para você conhecer um pouco mais desses novos caminhos do R&B – influenciados por Ambient, Cloud Rap, House, Trip Hop, o Hyperpop, UK Bass, entre muitos, muitos outros –, o Monkeybuzz fez uma lista de 10 artistas ao redor do mundo que expandem os limites do gênero:

 

Smerz (Noruega)

A dupla norueguesa Smerz é, sem dúvidas, influenciada por gêneros eletrônicos mais pesados, com bastante glitch e barulho nos beats, mas as harmonias vocais e flows de Henriette Motzfeldt e Catharina Stoltenberg frequentemente ressoam características do R&B americano (e, em alguns momentos, até do Hip Pop). O disco lançado esse ano pela dupla, Believer, é um bom blend dos dois.

Tirzah (Inglaterra)

Tirzah já transitou por muitos sons e propostas dentro do R&B desde o começo de sua carreira, em 2013. Seus primeiros EPs, feitos em parceria com a produtora Mica Levi, contam com batidas de House e Dance; já seu disco de estreia, Devotion, abrange melodias vocais mais complexas e instrumentais hipnóticos. Os últimos singles que a inglesa lançou antes de seu segundo álbum, que sai em outubro, são mais orientados por guitarras e parecem puxar influências de Downtempo e Trip Hop.

Erika de Casier (Dinamarca)

Qualquer um que for impactado por algum single da Erika de Casier é capaz de notar quase instantaneamente a influência das batidas e refrãos chiclete do R&B dos anos 1990 e 2000, como Destiny’s Child e Brandy. Mas o som da dinamarquesa é bem mais que isso: com pitadas de Sade, Björk, House e Ambient, Erika compõe as baladas mais tocantes e os hits mais contagiantes (se você já não conhece, escute “Do My Thing”) do R&B atual, sozinha, aos 21 anos de idade.

Oklou (França)

A francesa Marylou Mayniel, que também já foi Avril23, lançou em 2020 seu disco de estreia, Galore. Influenciado tanto por Ambient Music quanto pelas facetas mais frenéticas do Hyperpop, Galore tem um som consistente e específico, que parece ter sido todo criado dentro de uma mesma bolha, um lugar etéreo e melódico construído por Oklou. O projeto contou apenas com a parceria do produtor canadense Casey MQ nas 11 faixas do disco.

Spellling (EUA)

Com dois discos que saíram pela Sacred Bones – selo de Nova York que já lançou esquisitinhos como Pharmakon, Blanck Mass e TR/ST–, a americana Spellling começou mais discreta com o minimal Mazy Fly, em 2019, mas em junho deste ano mostrou de vez todo seu potencial artístico no disco The Turning Wheel. Com arranjos grandiosos e vocais espalhafatosos, mas não exagerado, a cantora fez um álbum que – com toques katebushianos – leva o Soul e o R&B contemporâneos a novas alturas.

Ecco2k (Suécia)

Meio Cloud Rap, meio Hyperpop, meio R&B: o sueco Ecco2k faz questão de misturar estéticas bem futuristas e digitais com seu jeito etéreo de cantar e rimar. Da mesma turma de rappers suecos que popularizaram o Cloud Rap lá no começo da década – Yung Lean, Bladee, Thaiboy Digital e companhia –, os dois últimos lançamentos do cantor, E (2019) e PXE (2021), deixam os contrastes entre suas batidas agressivas e sua voz doce ainda mais claros.

Rochelle Jordan (Inglaterra)

A britânica Rochelle Jordan canta como uma Beyoncé um pouco mais calma – mas não deixe a aparente discrição dos vocais te enganar: o disco Play With the Changes, lançado pela cantora em abril deste ano, é repleto de bangers. Produzido pelo veterano do footwork Machinedrum, o disco – o quarto da carreira de Rochelle, que estava sem lançar um álbum de estúdio desde 1021, de 2014 – é repleto de batidas absurdamente dançantes que vão do House aos ritmos eletrônicos tipicamente britânicos, como o 2-step e o UK Bass.

serpentwithfeet (EUA)

O som de serpentwithfeet é um R&B suave, lento, baixo. Depois de seu álbum de estreia Soil, lançado em 2018, o nova-iorquino soltou neste ano o ainda mais polido e envolvente DEACON, uma celebração do amor negro e LGBTQ com canções que se constroem por cima de muitas camadas de sintetizadores sublimes e batidas minimalistas.

Jessy Lanza (Canadá)

Desde o lançamento de seu primeiro álbum, Pull My Hair Back, em 2014, a canadense Jessy Lanza tem ficado progressivamente mais influenciada por Synthpop e pelo processamento de sua voz. O resultado, evidente em seu disco mais recente, All the Time, do ano passado, é um R&B que parece “de brinquedo”: batidas dançantes, timbres doces e camadas de sua voz aguda ecoando pelos sons divertidos da cantora.

Sega Bodega (Irlanda)

Colaborador de nomes como Charli XCX, Iggy Azalea, Shygirl e Rico Nasty, Sega Bodega provou que também sabe compor faixas cativantes para si mesmo com o lançamento de seus álbuns solo SS (2015) e SS (2017), mas principalmente com Salvador, de 2020. Completamente composto e produzido pelo irlandês, as 11 faixas do álbum convencem com suas construções simples e o flow certeiro do artista.

 

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