20 anos de Siamese Dream

O segundo álbum do The Smashing Pumpkins faz aniversário e continua a empolgar como antes

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Há mais de 21 anos, aos meados do mês de maio de 1991, era lançado Gish, o álbum de estreia dos Smashing Pumpkins, que viria a ser o grande responsável por projetar a banda, lançando-os como uma das grandes promessas musicais da época, sofrendo comparações inevitáveis aos maiores expoentes do momento, cabendo-lhes a promissora alcunha de “os novos Nirvana”.

Contudo, este artigo não é sobre Gish. É sobre as consequências dele…

Há exatos 20 anos, após a repercussão positiva de sua iniciação, Billy Corgan e sua trupe assinavam com Virgin Records, com o compromisso de gravar seu segundo álbum, passando por uma das épocas mais emocionalmente conturbadas do grupo, ao mesmo tempo em que sofriam a pressão de sua gravadora, público e crítica especializada para cumprir definitivamente a promessa que tinham feito ao alcançar tal status com seu álbum anterior.

O “segundo álbum” de um grupo foi durante muito tempo (ainda é para os mais insistentes) um mito entre os jornalistas. Quando o procedimento básico de produção das bandas se encaixava numa espécie de padrão imposto pelas grandes gravadoras, um segundo álbum de qualidade servia como uma grande oportunidade de se firmar como um grupo artístico de qualidade e a prova da estabilidade do mesmo para além do afã momentâneo que um hit comercial frequentemente causava.

Após um período de retiro para as sessões de gravação num estúdio afastado, no dia 27 de Julho de 1993 era enfim lançado Siamese Dream, álbum que nasce como o resultado final de um processo muito doloroso e bastante conhecido no mundo artístico: a crise.

Este era o cenário: o baterista Jimmy Chamberlin lutava contra um severo vício em heroína e frequentemente se ausentava, chegando a desaparecer por dias sem dar notícias. Billy Corgan, por sua vez, passava por um período de problemas emocionais, enfrentando uma crise de depressão profunda. James Iha, o guitarrista, e Darcy Wretsky, a baixista, haviam recentemente terminado seu relacionamento amoroso. Isso tudo somado ao stress da pressão, que já citei anteriormente, para sucesso do segundo álbum.

Se afastando do Grunge que lhes rendeu as comparações com o Nirvana e pendendo mais ao lado do Dream Pop, Noise Pop e Heavy Metal, (união de estilos que viria a se firmar como marca registrada de Corgan), Siamese Dream estabeleceu definitivamente o patamar dos Smashing Pumpkings como uma das grandes bandas da década, e abriu caminho para outras grandes obras do compositor que ainda estavam por vir, como o como o genial Mellon Collie and the Infinite Sadness.

Após um processo tão doloroso, Corgan chegou a declarar que se Siamese Dream não fosse um grande sucesso, aquele seria o fim da banda. Dadas as devidas preocupações, o álbum chegou ao Top Ten da Billboard e vendeu mais de quatro milhões de cópias em três anos. E ainda atingiu o status de um dos álbuns mais influentes de todos os tempos, ao lado de Nevermind do Nirvana e Superunknown do Soundgarden, apontando em algumas listas como um dos melhores álbuns “tem-que-ouvir” já lançados.

O álbum rendeu, na época, quatro singles: Cherub Rock, Today, Disarm e Rocket. Seu processo de gravação foi perfeccionista, graças à paranoia de Corgan, que chegou a regravar, em sua versão, todos os instrumentos dos outros integrantes (menos no que dizia respeito à percussão), chegando ao resultado de até 40 overdubs de guitarra por faixa.

O álbum, que recentemente ganhou uma versão remasterizada e foi relançado em 2011 com uma capa que conta com um tratamento de cores na foto original das meninas “siamesas”, é uma obra emblemática, tanto por estabelecer os novos caminhos estéticos do grupo a partir de então, abrindo caminho para outras excelentes obras, por expor a relação conturbada dos integrantes, que viria a se tornar uma grande marca da banda, para aqueles que se interessavam pelo grupo num plano além do musical, quanto por afirmar que os processos de crise, sempre tão dolorosos e por vezes traumáticos na vida real tem sua compensação em excelentes obras de arte.

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Autor:

Discreto e silencioso. Falo pouco, ouço bem, porém.