20 Discos dos Anos 80 Que Você Nem Lembra Que Existem

Redescobrimos vinte registros desta década, que você pode não lembrar, mas com certeza deve escutá-los

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De vez em quando nós publicamos pequenas listas de discos interessantes e merecedores de redescoberta. Essa aqui procura fugir do óbvio e não é composta apenas de álbuns obscuros, que foram esquecidos ou ouvidos por poucos. Muitos ítens dessa relação venderam milhões de cópias, mas, por motivos estranhos, ficaram para trás, clamando por audição. Medalhões e bandinhas, uní-vos pela lembrança.

Dexy’s Midnight Runners – Searchin’ For The Young Soul Rebels (1980)

Os irlandeses do DMR entraram os anos 80 com a noção exata de que podiam fazer algo muito próximo da soul music americana, em sua variação Stax/Volt. Não eram exatamente capazes de honrar a tradição, mas, valendo-se do excepcional talento dos habitantes da Ilha Esmeralda em termos de musicalidade, fizeram uma estreia maravilhosa e ainda serviram de inspiração para o filme The Commitments.

Dire Straits – Making Movies (1980)

O terceiro disco do Dire Straits marca uma sofisticação em sua carreira, com a adição de elementos melódicos lentos, contemplativos, quase progressivos. A geração pós-punk amou odiar o trabalho de Mark Knopfler e companhia, mas a sonoridade da banda sempre foi um híbrido de Bob Dylan, Bruce Springsteen e folk music inglesa. Aqui há belezuras como Solid Rock e Romeo And Juliet.

Tom Tom Club – Tom Tom Club (1981)

Música alternativa branca flertando com ritmos negros. Isso era o Tom Tom Club, formado pelo casal cozinha do Talking Heads, Tina Weymouth e Chris Frantz, com o auxílio luxuoso de bambas como Adrian Belew, por exemplo. Genius Of Love foi hit na época e serviu de inspiração e fonte de samples para Mariah Carey fazer sua Fantasy 14 anos depois.

Donald Fagen – The Nightfly (1982)

O vocalista e cérebro por trás do grupo de rock’n’jazz Steely Dan iniciava sua carreira solo com este maravilhoso disco conceitual. Fagen fala da paranóia americana da guerra fria, além de visitar com mais liberdade os terrenos do jazz. Ainda faz uma maravilhosa canção sobre vida após o holocausto nuclear (New Frontier) e sobre o futuro em que tudo será perfeito, IGY, com ironia, claro.

Thomas Dolby – The Golden Age Of Wireless (1982)

Dolby surgiu no início da década como um pequeno e amalucado mago dos teclados e da eletrônica. Produtor e multiinstrumentista, ele despontou nas paradas de sucesso ao redor do mundo com o hit She Blinded Me With Science, seguindo com a não menos sensacional Airwaves.

Huey Lewis And The News – Sports (1983)

O quinteto americano é um excelente exemplo de como é possível misturar rock com música pop sem perder o prumo. Sports é um pequeno tratado sobre essa sonoridade e como ela pode ser praticamente perfeita, na forma de canções como Heart And Soul ou The Heart Of Rock’n’Roll. A banda ficaria mundialmente conhecida pelo hit The Power Of Love, da trilha sonora de De Volta Para O Futuro. Lewis, bom cantor, estrelou o filme Duets e cantou com Gwyneth Paltrow a versão para Cruisin, de Smokey Robinson.

Jean Michel Jarre – Zoolook (1984)

O tecladista francês, filho do compositor cinematográfico Maurice Jarre, sempre foi conhecido por abusar dos recursos visuais e espalhafatosos. Zoolook é um disco absolutamente ímpar em sua obra, totalmente sintonizado com a música eletrônica e progressiva, no sentido Kraftwerk/King Crimson anos 80 do termo. Ouvido hoje, Zoolook é uma preciosidade ainda maior.

Lou Reed – New Sensations (1984)

Os anos 80 de Lou Reed sempre foram alvo fácil para a crítica especializada. “Sem foco”, “desnecessário”, “bobo”, eram adjetivos facilmente atribuídos aos discos lançados pelo sujeito. Em dois álbuns, Mistrial (1986) e, acima de tudo, New Sensations, Lou apresenta uma sonoridade mais Rock, mais focada e cheia de ganchos melódicos, revelando uma sutil habilidade na arte do pop ganchudo. I Love You Suzanne pertence a essa lógica, é uma pérola em seu repertório em todos os tempos.

Aztec Camera – High Land, High Rain (1983)

Roddy Frame surgiu aos 19 anos com esse disco, causando reboliço na Velha Ilha. Sua variação de Pop, com inflexões de black music clássica, tomou as paradas de assalto e fez de seu Aztec Camera uma das maiores apostas para a nova década. Se não correspondeu no sentido de atingir o megaestrelato Pop, Frame ergueu uma sólida obra para a banda e em carreira solo ao longo dos tempos.

The Honeydrippers – The Honeydrippers vol.1 (1984)

Robert Plant, assim como a maioria de seus contemporâneos ingleses dos anos 60, preferiria nascer negro na América da década anterior. Neste EP, Plant se cerca de parceiros como Jimmy Page e Jeff Beck para fazer um pequeno tributo a esta sonoridade ancestral. Canções como a cover de Sea Of Love ou o arraso de Rockin’ At Midnight mostram que eles atingiram o objetivo em cheio.

Lloyd Cole And The Commotions – Rattlesnakes (1984)

Poesia beat tardia, influências de Byrds e Velvet Underground, um compositor e vocalista acima da média e uma grande habilidade para unir refinamento e ganchos pop. Assim foi o disco de estreia de Commotions, Lloyd Cole à frente. Um marco da década de 1980 que poucos lembram.

Style Council – Café Bleu (1984)

Ao lado do Clash, o Jam era o grupo mais sólido da Inglaterra Punk da virada dos anos 70/80. Paul Weller, no entanto, tinha outros planos. Largou tudo, assumiu sua maior paixão (a Soul music) e montou o Style Council, que ainda será reconhecido com méritos equivalentes ao Jam. Música, mod tardio e muito talento reunidos sob a forma de uma nova banda, cheia de bossa e bom gosto.

Prefab Sprout – Two Wheels Good (1985)

Lirismo com inspiração em Cole Porter. Instrumental com influências das melhores fontes possíveis. Um cantor/compositor extremamente sensível, recluso, maravilhoso. Vocais perfeitos, instrumental acima de qualquer suspeita, produção redonda de Thomas Dolby e canções inigualáveis como When Love Breaks Down, Bonny e Appetite. A maior banda inglesa dos anos 80, sem qualquer exagero e, veja, ainda desconhecida para você. Corra atrás.

Bob Dylan – Empire Burlesque (1985)

Outra vítima da crítica musical dos anos 80, Bob Dylan, artista aleatório por natureza, teve suas obras na década sempre reduzidas a um plano inferior. Pura preguiça/desinformação. Se os discos não atingiam o status de obras primas de trabalhos anteriores, continham grandes canções e climas. Tight Connection To My Heart é um exemplo de como a pena “dylanesca” estava afiada.

Arcadia – So Red The Rose (1985)

Projeto paralelo ao Duran Duran, levado adiante por Simon Le Bon, Nick Rhodes e John Taylor, o Arcadia mergulhou ainda mais fundo na vertente Roxy Music dos durannies, enchendo seus bolsos de luxo e refinamento sonoro. Há momentos neste único disco lançado pelo trio que não foram igualados pelo Duran em toda a carreira.

Everything But The Girl – Love Not Money (1985)

Tracey Thorn e Ben Watt foram dois entusiastas da sonoridade conhecida como “new bossa” no início dos anos 80. Se nos dois primeiros discos o EBTG ficou restrito à Inglaterra, com a chegada do hit When All’s Well, o duo expandiu fronteiras. Além da canção, uma cover bela de Kid, dos Pretenders dá um tom de charme a este terceiro trabalho.

Stewart Copeland – The Rythmatist (1985)

Um disco importantíssimo para entender a encruzilhada entre Inglaterra e África. Copeland, então egresso do Police, acenava com uma incursão pelas sonoridades do continente negro, com participação de convidados como o guitarrista Ray Lema. Percussivo, emblemático, ousado.

Housemartins – London 0 x 4 Hull (1986)

A injustiça do acaso fez com que os Housemartins ficassem conhecidos pelo mundo como a banda que fez a Melô do Papel, que também atende pelo nome de Build. Um ano antes, no entanto, a banda de Hull estava lançando esta obra prima de fazer inveja aos Smiths, enchendo o Pós-Punk tristonho de colorações da música negra e pop americana dos anos 70. Algo impensável e sensacional.

Dream Academy – Remembrance Days (1987)

Um dos grandes e discretos tesouros dos anos 80, o trio inglês Dream Academy deixou três discos gravados. Este, o segundo trabalho de Nick Laird-Clowes, Kate St. John e Gilbert Gabriel, produzido por Hugh Padgham (piloto de estúdio para discos de Genesis e The Police), tem uma das mais belas canções da década, Indian Summer. A banda ainda teria um grande sucesso mais tarde com uma versão para Love, de John Lennon.

Tin Machine – Tin Machine (1989)

David Bowie não levou o título de Camaleão em sua carreira à toa. Cansado da mesmice, Bowie decidiu encarnar uma versão “cantor de banda de rock”, a bordo de um grupo que ele criou com os irmãos Sales, Hunt e Tony, além do guitarrista Reeves Gabrels. Mais que mérito do grupo, as composições de Bowie e sua abordagem guitarreira, anteciparam o próprio rock enguitarrado que viria anos depois, surgindo com uma importância influência da sonoridade dos anos 90.

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Autor:

Carioca, rubro-negro, jornalista e historiador. Acha que o mundo acabou no meio da década de 1990 e ninguém notou. Escreve sobre música e cultura pop em geral. É fã de música de verdade, feita por gente de verdade e acredita que as porradas da vida são essenciais para a arte.