2012 em Estilos

Do Psicodélico do Tame Imapala (foto) ao Hip Hop de Kendrick Lamar, conheça as estéticas que marcaram a música no Brasil e no mundo ao longo do ano

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Ao longo dos últimos meses, falamos em nossa coluna de Estilos sobre várias estéticas que fizeram e fazem a história da música. Chegando agora no final do ano, é hora de fazermos uma restrospectiva e levantar quais desses foram os estilos que mais marcaram 2012.

Durante esse ano, alguns deles foram muito marcantes, seja em lançamento de álbuns bem recebidos por crítica e pelo público, quanto em festivais temáticos e shows. São eles: Psicodélico, Folk e a trinca Rap/Hip Hop/R&B.

PSICODÉLICO

Se em 2010 o álbum Innerspeaker credenciava Tame Impala como uma das grandes revelações do cenário atual da música, Lonerism foi responsável por confirmar essa fama figurando um nome altamente bem criticado. A banda de Perth não só lançou um disco à mesma altura do primeiro como voltou a tomar conta de palcos de grandes festivais como o Coachella, além de sair pelos continentes com sua turnê psicodélica chegando inclusive ao Brasil, onde fez três shows, dois em São Paulo e um no Rio de Janeiro. Outros grupos também trouxeram a temática lisérgica à tona, como os veteranos do Of Montreal e do Animal Collective que também lançaram disco novo.

O espaço também foi creditado a novatos. É o caso do quarteto australiano The Laurels, que, mesmo tendo sido formado em 2006, lançou EP em 2011 e começou a despontar neste ano com seu Rock Psicodélico misturado com Shoegaze e doses de Pop. Outro nome que nos encantou foi a franco-australiana Melody’s Echo Chamber. Tida como uma das melhores surpresas deste ano, o primeiro disco da banda da doce Melody Prochet foi produzido por seu namorado, ninguém menos que Kevin Parker, vocalista do Tame Impala. O disco conquistou o público e já ganhou espaço entre os favoritos de muitos por aí.

FOLK

O estilo caipira prevaleceu este ano tanto tanto aqui no Brasil quanto no exterior. Pillip Long, Phillip Nutt, O Bardo e o Banjo e Mustache e os Apaches, entre outros, só para citar os nomes do Folk brasileiro, foram responsáveis por executar o som interiorano também nas cidades grandes. Além disso, vale citar a iniciativa de eventos como o All Folks Fest, que concederam um palco para expor os grandes nomes nacionais do estilo em 2012.

Os principais destaques estrangeiros ficam com Mumford & Sons e Grizzly Bear. A banda de Marcus Mumford lançou seu segundo disco, Babel, o mais vendido na semana de lançamento em 2012 nos Estados Unidos. Com belas faixas entoadas pela forte voz de seu líder em meio a banjos e violões, oscilando entre o belo e o energizante, o álbum se mostrou encorpado e um belo representante do estilo. O Freak Folk de Shields do Grizzly Bear foi também um disco que marcou o ano de 2012 com um trabalho sólido e bem criticado.

Vale citar também as irmãs suecas Johanna e Klara que formam o belo e sublime First Aid Kit, que lançou neste ano o seu segundo trabalho, The Lion Roar’s, que impulsionou ainda mais a carreira das duas. A união do violão e teclado com a voz delicada do duo traz um Folk leve e contagiante, tanto que conquistou Jack White, que as chamou para abrir seus shows da turnê europeia.

No ramo das descobertas, acabamos conhecendo dois nomes. O primeiro é o jovem Jake Bugg que trouxe em seu disco de estreia uma mistura interessante do Folk cinquentista com a modernidade do Indie Rock dos anos 2000, que, com sua voz mais grave e um clima meio blasé, tem altas comparações sendo feitas com o mestre Dylan.

Já o outro é Half Moon Run, trio que estreou apenas neste ano, mas se apresentou já como gente grande com o ótimo Dark Eyes. Com toques de Rock Alternativo, ganhou a atenção não só dos fãs do estilo, mas também das gravadoras e de produtores de eventos, tendo agora fechado contrato com o selo Glassnote Records e sido escalado para a edição 2013 do SXSW.

RAP/HIP-HOP/R&B

Fica difícil separar esses três estilos que costumam andar junto – e isso não foi diferente em 2012, ano em que todos tiveram destaque no mundo da música com artistas sabendo muito bem os representar.

Os diversos shows com ingressos esgotados antecipadamente já mostram o sucesso que Kleber Cavalcante, o Criolo, teve em 2012. Muito disso foi devido ao seu ótimo álbum Nó na Orelha, que, apesar de ter sido lançado ano passado, ainda rende frutos ao rapper. Nele, Criolo soube misturar o seu Rap com outros estilos, produzindo um dos melhores álbuns nacionais. Seu nome ainda figurou no Sónar SP e será atração do Lollapalooza 2013.

Ainda nas misturas de estilos, Gary Clark Jr. soube trazer um R&B em meio ao seu Blues Rock. O músico foi responsável por abrir o show da lenda Eric Clapton em São Paulo, e ainda foi chamado pelo mesmo para uma participação em sua última música, recebendo um aval do mestre da guitarra.

E o que falar de Frank Ocean? Seu belíssimo disco-conceito Channel ORANGE foi um dos mais belos e com mais sentimentos que ouvimos no ano. Uma obra de arte do R&B e, não era pra menos, com a tutoria do rapper Jay-Z, o jovem fez um álbum que com certeza vai marcar o estilo por bons anos.

Se o Hip Hop é uma música de retratar a vida sofrida e em meio a preconceitos, Kendrick Lamar soube passar (guardada as devidas proporções) o que os grandes nomes do estilo como Tupac e Dr. Dre. faziam e conseguiu representar bem o estilo em 2012 com seu segundo álbum de estúdio. Com letras sólidas que seguem as origens do estilo, Lamar declama o sofrimento e fúria rimados e se mostra um bom nome do estilo.

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Autor:

Marketeiro, baixista, e sempre ouvindo música. Precisa comer toneladas de arroz com feijão para chegar a ser um Thunderbird (mas faz o que pode).