A 1ª Década de “A Rush of Blood to the Head”, do Coldplay

Segundo disco da banda segue sendo um monumento em sua carreira, além de ter presenteado os fãs com músicas que permanecem como favoritas

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Agosto de 2012 marca a primeira década do lançamento de A Rush of Blood to the Head, o segundo álbum da britânica Coldplay, que revelou ao mundo a maturidade precoce do quarteto liderado por Chris Martin em composições complexas para o universo Pop. Porém, o que faz desse prodígio musical e comercial uma obra a ser relembrada até hoje?

Posso começar com a inevitável comparação com o primeiro disco do grupo, Parachutes (2000). Dá para sentir a mão da gravadora, que pediu uma nova Trouble (The Scientist), uma nova Shiver (God Put a Smile upon My Face) e uma segunda Yellow (In My Place), mas esses três grandes hits de A Rush of Blood tem muita personalidade e superam as expectativas de preencher o espaço dos primeiros sucessos do Coldplay. Tudo aqui soa maior do que em seu antecessor, seja na maior presença do piano ou na expansão que as guitarras proporcionam em diversas das faixas.

E não poderia ser diferente, já que a temática do álbum e o momento em que ele foi feito não poderia pedir um outro formato. Os músicos entraram em estúdio uma semana após os atentados terroristas de 11 de setembro e acabou por retratar muito do que era estar vivo em um país ocidental naquela época. Enquanto o primeiro disco começa com Don’t Panic (e seu refrão que afirma que “vivemos em um mundo bonito”), o segundo abre suas portas com a pesada Politik, resgatando Aristóteles e encontrando a beleza em uma composição quase esquizofrênica que pede que suas necessidades sejam supridas “e o amor acima disso”.

Politik

Há um desconforto, uma tensão natural que pode explodir a qualquer momento. A vida é curta, cada dia da história da humanidade é incerto demais e a impotência quanto aos fatos, ainda mais vista sob um ponto de vista masculino, é revoltante. A faixa-título descreve a sensação de agir por qualquer impulso e justificar o feito pelo sangue que sobe à cabeça, enquanto A Whisper e Amsterdam revelam a urgência em viver e sentir-se vivo. O carpe diem da época faz com que as emoções fiquem ainda mais à flor da pele, daí tantas canções de amor ao longo da obra – que acabaram virando também algumas das favoritas do público, como Green Eyes e Warning Sign.

Essa explosão emocional vem sob uma aura racional muito evidente, seja pela capa e sua cabeça pela metade, que parece formar um revólver com um gatilho, ou pelas construções musicais arriscadas para uma banda que despontava como uma promessa de sucesso mundial (algo que esse álbum concretizou), o que vemos em músicas como Daylight e, principalmente, Clocks – talvez a mais famosa do Coldplay até hoje, com seu piano característico e um Grammy de Melhor Música no currículo.

Clocks

Esse perfeccionismo e uma certa megalomania definiram os três lançamentos seguintes da banda: X&Y (2005), Viva La Vida/Death and All His Friends (2008) e Mylo Xyloto (2011), discos que grande parte do público aprovou, mas que não tiveram muita simpatia da crítica especializada justamente por raramente conseguirem atingir seus objetivos com a mesma naturalidade, ou sinceridade, do segundo álbum.

Cada um desses aspectos pode ser usado para aquecer a discussão sobre esse ser o melhor disco da banda. Mesmo com todos eles, a principal qualidade de A Rush of Blood to the Head é o alto nível de suas faixas, todas variadas o suficiente para a experiência do ouvinte ser variada o suficiente, ainda que o álbum se apresente como uma obra sólida. Além de ser o maior marco na carreira do Coldplay até hoje, ele se identifica como um monumento na vida de muitos de seus fãs. Certamente, continuará pelas próximas gerações como a maior referência para quem quiser ter um primeiro contato com a banda.

In My Place

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ARTISTA: Coldplay
MARCADORES: Disco

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.