A água benta de Chicago

Ao diluir as barreiras entre o Pop e o Gospel enquanto cantam sobre as delícias e agruras de viver na metrópole, os artistas da cidade cravaram seu espaço na história da música negra norte-americana

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Fotos: Rich Fury

Quando Sam Cooke lançou “A Change Is Gonna Come” em 1964, é provável que parte do público tenha franzido a testa antes de abraçar a melodia desta canção que, posteriormente, se tornou um hino dos direitos civis. O palpite de estranhamento inicial vem porque o músico dividia rigidamente suas composições entre “as mais Gospel” e “as mais Pop”, e a canção em questão parece inaugurar uma nova categoria em que essas duas propostas se entrelaçam mais amorosamente. O hit, de alguma maneira, tornou-se audição fundamental para quem deseja entender a contribuição de Chicago para a música negra nos Estados Unidos. “A Change Is Gonna Come” foi a canção mais eficaz em tornar essa divisão entre Gospel X Pop mais porosa – e, consequentemente, maravilhosa.

A partir desse momento, parece que a produção musical da cidade carregou-se de seu próprio repertório e nunca mais abandonou seu caráter espiritual. A política, a vontade de se divertir, os assuntos que tangenciam a alma, tudo isso é objeto da dedicação dos artistas de lá. Mas, é esse espasmo “divino”, essa misteriosa “água benta”, que parece se infiltrar em todos eles. Aqui, vamos caminhar pela linhagem extraordinária de criativos que refinaram ainda mais essa particularidade e que, até hoje, insistem em tentar elevar nossos ouvidos ao paraíso.

“You need courage in time of fear, because of undyin’ news you hear…” – “Jesus” de Curtis Mayfield

O falsete de Curtis Mayfield começou a ser desenvolvido quando ele, ainda criança, entrou para o coral de uma igreja da região norte de Chicago. Durante a década de 1950 e 1960, fez parte do The Impressions, grupo que navegava entre o Gospel, o Doo-wop e o Soul. Mas, foi com a guitarra em mãos que Mayfield encontrou o seu lugar na história da música.

Dono de um talento capaz de aliar virtuosismo e economia como poucos, brilhou logo na estreia solo com Curtis (1970), álbum chamado por alguns de o “Sgt Peppers do Soul”. Pelo menos dois clássicos de sua carreira estão nesse disco: a dançante “Move On Up” e “(Don’t Worry) If There’s a Hell Down Below We’re All Going to Go”, entre outras faixas de peso como “We Are People Who Are Darker Than Blue” – sampleada em “Eu Rimo Na Direita”, do De Leve – e “Wild And Free”. Nesse disco, ele já mesclava temas políticos e diversão. No entanto, por mais importante que Curtis seja, o disco de Mayfield que capta ainda mais o espírito cultural e musical de Chicago é o subestimado There’s No Place Like America Today, lançado em 1975.

Quando esse disco saiu, Curtis Mayfield já era um astro. A trilha sonora do filme Super Fly (1972) já havia lhe colocado no grupo de grandes nomes do soul de sua época e rendido comparações a nada menos que o disco What’s Going On (1971), de Marvin Gaye. Três anos depois, o projeto que ele apresentou era bem menos audacioso, mais simples, mas, nem por isso, menos impactante – ainda mais se considerarmos que, à época, a música negra americana vinha se tornando cada vez mais pautada pela disco music e pelo som das pistas.

O peso simbólico começa pela capa. A arte estampa uma versão da famosa foto de Margaret Bourke-White, tirada em 1937 durante a grande depressão: desempregados – em sua maioria, negros – aparecem na fila de algum programa social e, ao fundo, um outdoor traz os dizeres “There’s no way like the American Way”. Mayfield trocou esses dizeres por “There’s No Place Like America Today”, trazendo as contradições da grande depressão à luz dos anos 1970. Como se ele estivesse dizendo que a ironia do título não só ainda era presente na vida da população negra, mas que o abismo entre o sonho americano e a realidade das ruas persistia como nunca.

O álbum já abre com uma canção sobre a violência das armas de fogo na densa e groovada “Billy Jack.” e, ao longo do repertório, faz novas incursões por temáticas sociais. A belíssima “Blue Monday People”, por exemplo, é um hino às despedidas na hora de correr atrás do mundão nas manhãs de segundas-feiras. O momento, entretanto, em que as vivências de Chicago se afloram mais radicalmente é “Jesus”, um gospel que pede coragem a Deus em momentos de medo. Ela ainda vem na sequência de “So In Love”, talvez a “grande-canção-romântica” de sua carreira – amor platônico e amor divino de uma faixa para outra.

Mais uma vez, Curtis Mayfield havia conseguido falar de política, violência, Jesus Cristo e amor – e tudo isso fazendo sentido em conjunto – em um só disco. Sua proposta que aglutina diferentes temas e personas como parte de “uma coisa só” ressoaria com intensidade em artistas de Chicago que apareceriam vinte anos depois, quando um gênero chegou com os dois pés na porta: o Rap.

“Can’t knock the hustle, but I’ve seen street dreams deferred…” – “The 6th Sense” de Common

É bem verdade que, durante os anos 1990, já existiam representantes do hip hop que abordavam assuntos para além das temáticas consagradas no Gangsta Rap. A Tribe Called Quest, Gang Starr e Nas são exemplos. Ainda assim, poucos conseguiram atingir a verdadeira epítome do “rapper consciente” como Loonie Rashied Lynn, o Common, nascido no sul de Chicago.

Os lançamentos independentes Ressurection (1994) e One Day It’ll Make Sense (1997) já haviam feito barulho, mas foi com Like Water For Chocolate (2000), seu primeiro trabalho sob uma grande gravadora, que ele consolidou sua posição entre os mais sagazes letristas da sua geração. Curiosamente, o caminho escolhido para renovar as questões sobre as quais o Rap se debruça foi, na verdade, o de falar de suas raízes.

Produzido por nomes tarimbados como D’Angelo, DJ Premier e Questlove, o disco toca em temas como a vida dura na comunidade de Chicago – sem enaltecer a violência –, a capacidade de resiliência dos guetos e o poder redentor do Hip Hop. Tudo isso a partir da visão única de Common, como em um dos versos mais famosos do disco, presente na clássica “The 6th Sense”: “It’s unseen or heard, a king with words / Can’t knock the hustle, but I’ve seen street dreams deferred” [Nunca se viu ou ouviu, um rei com palavras / Não se pode derrubar o ‘corre’, mas eu vi sonhos da rua serem adiados].

A força das referências de Common pode ser resumida por este verso, observe: “Can’t Knock The Hustle” é uma canção de Jay-Z que está no seu disco de estreia, Reasonable Doubt (1997); “Street Dreams” é o segundo single de It Was Written (1996), do Nas, e “What happens to a dream deferred? (“O que acontece com um sonho adiado?)” é a pergunta que abre o poema “Harlem”, escrito por Langston Hughes em 1951. Em apenas um verso, Common faz alusão a três obras e subverte uma abordagem central no Gangsta Rap, defendendo que a violência não compensa. Em meio à chuva de consciência, ainda sobra tempo para a impulsividade na linda “The Light”, uma das Rap Love Songs definitivas que, reza a lenda, foi composta para Erykah Badu.

O impacto de Like Water For Chocolate é sentido até hoje. Principalmente quando pensamos em discos de hip hop que são capazes de entregar ao público violência e podridão, mas também iluminam caminhos e trazem reflexões profundas sobre maneiras de se permanecer vivo e humano – como é o caso do (já) clássico To Pimp A Butterfly (2015), de Kendrick Lamar.

O percurso natural a partir daqui seria descrever os lançamentos seguintes de Common: Electric Circus (2003) e, seu outro “peso pesado”, Be (2005). Mas, algo aconteceu em 2004 e o Rap – e a música Pop como um todo – nunca mais foi o mesmo: Kanye West lançou seu álbum de estreia, The College Dropout.

“But if I talk about God my record won’t get played…” – “Jesus Walks” de Kanye West

Muito já foi dito e será dito sobre Kanye West, um assunto inesgotável na cultura pop. O que dá para dizer resumidamente aqui é que o rapper eleva à enésima potência todos os aspectos de sua personalidade, fazendo com que, às vezes, ele pareça uma caricatura de si mesmo, mas não menos interessante por isso. No entanto, como por aqui o assunto é o som de Chicago, o ingrediente que ele adicionou ao caldeirão foi o que muitas vezes o torna único: a megalomania.

Mesmo que The College Dropout tenha sido seu primeiro disco, o burburinho já era grande em torno da estreia do produtor. Antes disso, ele já tinha assinado hits de Jay-Z (“Izzo (H.O.V.A)”), Beyoncé (“Bonnie & Clyde”) e Alicia Keys (“You Don’t Know My Name”), para citar poucos. Além disso, após algumas mixtapes, West também defendia o posto de MC em um lançamento oficial.

O resultado foi um dos mais aclamados discos da década de 2000. Nascido em Atlanta e radicado em Chicago desde os três anos de idade, Kanye é talvez o exemplo mais grave das misturas e fusões exploradas até aqui. Em seu debut, todos esses sabores musicais e estilísticos da cidade já se fizeram presentes, mas em tons bem mais épicos do que em seus antecessores. Os atributos musicais de Chicago pincelam todo o trabalho: eles aparecem no Do-wop delicioso do interlúdio “I’ll Fly Away”, na homenagem às raízes em “Family Business” recheada de coros e referências à musicalidade gospel, ou em “Through The Wire”, carro-chefe do disco, que contém sample de “Through The Fire”, da conterrânea Chaka Khan. A última serviu como cartão de visita da técnica de sample que virou marca registrada de Kanye, as famosas vozes em “high pitch”.

Mas é difícil escapar: a grande canção do álbum é “Jesus Walks”. A faixa vencedora do Grammy de Melhor Canção de Rap – o primeiro dos 21 gramofones conquistados pelo rapper até o momento – traz sample de um coral gospel da ARC, formado por ex-dependentes químicos, enquanto Kanye solta suas rimas. Entre as mais icônicas, “Eles dizem que você pode rimar sobre tudo a não ser sobre Jesus, isso significa armas, sexo, mentiras e vídeo-tape, mas se eu falar sobre Deus, meu disco não vai tocar?”

A ironia é que essa música tocou e muito, chegando ao 11º lugar do disputado Hot 100 da Billboard. Além dos coros, há uma breve inserção de “(Don’t Worry) If There’s a Hell Bellow, We All Going To”, de Curtis Mayfield, a cada verso cuspido raivosamente por Kanye. O título da canção de Curtis (“Não se preocupe, se há um inferno embaixo, nós todos vamos para lá”) escolhida por ele para fazer parte de uma música chamada “Jesus Caminha” não deve ser por acaso: ainda mais quando pensamos em Kanye West e, principalmente, quando pensamos no(s) Kanye(s) West(s) que apareceram a seguir.

Antes das declarações polêmicas que viraram títulos de tantas matérias por aí, antes de ser um ícone da moda, antes dos Yezzys virarem uma febre, antes das Kardashians, Kanye fez muita música da boa vestindo suas famosas camisetinhas pólo. O enorme talento como produtor se tornou indiscutível e ele apresentou ao mundo um estilo marcante e habilidoso como MC.

Em Late Registration (2005), resposta 100% à altura da aclamada estreia, ele veste a camisa de Chicago com êxito em “Touch The Sky”, com o parceiro, também da cidade, Lupe Fiasco, e sample de “Move On Up”, de Curtis Mayfield. Isso sem falar das composições que mostram a faceta de “moço família” de Kanye, que persiste até hoje em meio à megalomania. Os exemplos mais evidentes são “Roses”, composta para a avó, e “Hey Mama”, para a mãe.

Sua sequência de discos – quase imbatível quando pensamos em hip hop –, é incrivelmente sólida e deixou ainda mais evidente a capacidade de aliar o épico e o singelo, o moderno e o tradicional, Cristo e as tentações mundanas e, em última instância, o sagrado e o profano. Como um MC escolhe um sample 100% abençoado de Pastor T.L. Barrett (também de Chicago) em “Father Stretch My Hands” e abre seus versos com: “Now, if I fuck this model / And she just bleached her asshole / And I get bleach on my T-shirt / I’ma feel like an asshole”? Resposta: só sendo o Kanye West.

Seja na gordura dos synths de “Flashing Lights”, na introspecção de “Everything I Am”, na imponência de “Power”, na fuga do conforto em Yeezus e 808’s & Heartbreak ou em toda a leveza de ye, o que fez Kanye ser Kanye é o poder de bricolagem ao longo de toda sua obra. Bricolagem, inclusive, é palavra-chave para entender o artista: emprestando a noção do antropólogo Lévi-Strauss, trata-se da união (em certa medida, algo espontânea) de variados elementos diferentes que resultam, então, em um novo elemento que, ainda assim, carrega uma identidade muito própria e exclusiva.

Além de Kanye, obviamente, ser um personagem que confunde, surpreende e arrebata o imaginário pop. Um dos momentos mais imprevisíveis de sua discografia é The Life Of Pablo, disco lançado em 2016, do qual “Father Stretch My Hands” faz parte. Esse álbum renderia outro texto tão longo quanto esse – que resvalaria irresistivelmente no que Kanye fez no último Coachella –, mas vamos nos atentar apenas à faixa de abertura, a gospelzaça “Ultralight Beam”, que serve de gancho para falar de outra cria de Chicago e um dos “filhos” mais talentosos de West: Chance The Rapper.

“I trip to make the fall shorter…” – “Acid Rain” de Chance The Rapper

Antes de cantar o verso do ano de 2016 (segundo o Genius e eu mesmo) em “Ultralight Beam”, Chancellor Bennett já havia colocado seu Rap no mapa primeiramente com 10 Day (2012), sua mixtape de estreia. Não é à toa que Chance já disse que o primeiro álbum de rap que ele ouviu foi justamente The College Dropout. A influência de Kanye (em especial enquanto ainda era o personagem das camisetas pólo coloridas) é óbvia nos beats. Basta ouvir o high pitch do sample de “Family” ou a cheia de soul “Prom Night” para sacar. As temáticas também se assemelham: as ruas de Chicago estão em “Brain Cells”, a saudade de uma época que se foi aparece em “Nostalgia” e na própria “Family”, e as homenagens à mãe tomam forma em “Hey Ma”. Mas, foi com Acid Rap, lançada no ano seguinte, que o rapper mostrou de verdade sua (originalíssima) voz ao mundo.

Uma das mixtapes mais quentes da década, Acid Rap é, como o título sugere, uma intensa viagem psicodélica por… Chicago. O ambiente da Wind City não está apenas nos temas abordados nas letras, mas muito bem delineado nas produções (boa parte assinada por Nico Segal, o Donnie Trumpet, parceiro de Chance desde sempre).

Na enérgica “Good Ass Intro”, já se percebe o BPM apressado típico do Chicago Juke, um Ghetto House ainda mais rápido, usado como pano de fundo para rimas frenéticas. A debochada “Pusha Man” – com sample de “Pusherman”, de Curtis Mayfield – vem na sequência e, após um silêncio de quase cinco minutos, o deboche dá lugar à loucura em “Paranoia”, canção escondida na mesma faixa.

Chance vai de versos descompromissados sobre drogas para o medo da violência nas ruas antes das pupilas sequer dilatarem. A cidade se faz presente no trabalho também pelas participações de conterrâneos nos versos como Vic Mensa e Twista (na nostálgica “Cocoa Butter Kisses”, um de seus principais hits), Saba (em “Everybody’s Something”) e Noname (em “Lost”), e nos samples de Donny Hathaway (em “Juicy”) e Common (em “Good Ass Intro”). Trata-se de uma jornada caleidoscópica pelas texturas e sons de Chicago e que, considerando os passos de Chance a seguir, pode ser resumida no verso “I trip to make the fall shorter” (“Eu viajo para tornar a queda menor”), da reflexiva “Acid Rain”.

Chance, que se lançou ao show biz com quase dez anos a menos do que o Kanye de The College Dropout, confessou em mais de uma entrevista que, após o sucesso de Acid Rap e os elogios de figurões do Hip Hop, incluindo o próprio Kanye, ele se perdeu um pouco. Mudou-se para Los Angeles, desgarrou-se do acolhimento de Chicago e em algum momento ficou viciado em Xanax, ansiolítico poderoso. Chance agradece a Deus por sua estadia em L.A. não ter durado nem 6 meses até que ele retornasse para sua terra natal. O resultado do “bom filho à casa torna” foi miraculoso: Coloring Book (2016) lhe rendeu os gramofones de Revelação e Melhor Álbum de Rap, no Grammy.

Se em Acid Rap ele se jogou na lisergia de vibrações de Chicago, em Coloring Book, o rapaz foi em busca do lado mais espiritual de sua cidade. Um projeto colaborativo de artistas de Chicago que veio no período entre os dois lançamentos, Surf (2015), já mostrava um Chance bem adepto do gospel, como na incrível “Sunday Candy”, uma canção sobre ir à missa de mãos dadas com sua avó e que traz citação de “It’s Gonna Rain”, de Reverendo Milton Brunson (pergunta de que cidade ele é).

Essa aspiração religiosa explode em Coloring Book e é aí que ele vira Chance The Preacher. Amostras do Rap Gospel no disco é o que não faltam: “Blessings”, “How Great” e “Finish Line” talvez sejam os pontos mais altos. A última traz a wordplay certeira no verso “Last year got addicted to Xans/ Started forgetting my name and started missing my chance/ L.A. for four months, end up leaving right back, I’m in love with my city, bitch, I sleep in my hat” (“No ultimo ano, fiquei viciado em Xanax, comecei a esquecer meu nome e comecei a perder a minha CHANCE [sacou?]/ L.A por quatro meses e acabei voltando/ Eu estou apaixonado pela minha cidade, bitch, eu durmo no meu boné”). A impressão é justamente essa, a de que Chance, após um período no “fervo”, voltou com força total para suas raízes e vasculhou cada pedaço de Chicago em busca de si mesmo. O resultado da imersão no Gospel é bem menos sisuda e mais festiva do que a de Kanye, sobrando até espaço para um “housezinho” dançante (“All Night”) em meio aos louvores.

O projeto ainda traz participações dos conterrâneos Noname, Jamila Woods e Saba, donos, hoje, de discos prestigiadíssimos pela crítica e que seguem a mesma linhagem do Som de Chicago que abordamos até aqui. E a tendência é que a água de Chicago siga abençoando novos artistas que são capazes de voltar-se para as raízes em busca do que é inovador e mesclam celebração com consciência social, política com deboche, amor mundano e divino. Assuntos sérios com diversão, que é sempre fundamental. Como diz Emma Goldman, lendária ativista lituana: “Se eu não posso dançar, não é a minha revolução”. Amém.

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