A cruz e a espada de Apeles

O Monkeybuzz apresenta com exclusividade o novo disco do projeto solo de Eduardo Praça

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Fotos: Rodrigo Bueno

“A lista é extensa”, avisa Eduardo Praça, o paulistano por trás do projeto Apeles a respeito de seus ídolos na poesia. “Entre meus favoritos estão Florbela Espanca, William Blake, Ana Cristina César, Adélia Prado, Emily Dickinson e, nossa, tantos outros…”. De acordo com o músico que está lançando o seu segundo LP solo Crux – depois de ter passado pelas bandas Quarto Negro e Ludovic –, o lirismo tem papel fundamental na sua formação artística. “Tenho o costume de ir anotando frases e até remonto narrativas de diferentes autores por conta própria. De certa forma, é assim que eu escrevo minhas músicas também”, diz.

No disco que está sendo lançado com exclusividade pelo Monkeybuzz, a caneta de Eduardo manteve-se firme no projeto de desvendar o inconsciente de seu mestre. “Sem dúvida, o tema central de Crux é o meu autoconhecimento e minha autocrítica. Estar em tratamento nos últimos anos foi como atravessar uma epopeia e foi nas aventuras dessa trajetória que eu me apoiei para escrever as músicas deste álbum.” A palavra “Crux”, entre seus diversos significados, como me explicou o músico, é o cerne de alguma questão ou o ponto mais crítico de uma escalada. Por trás da escolha deste nome estão eventos como uma mudança de país (Eduardo vive atualmente na Alemanha, em Berlim), uma batalha por sua saúde mental, uma lesão séria e outros acontecimentos que ele não nomeia, mas afirma categórico: “mudaram profundamente a minha visão de mundo”.

Há muito tempo venho flertando com a Disco. É um universo que amo, me dá movimento, nostalgia e é preciso entender que ela não precisa estar sempre associada à alegria – Apeles

Assim, Crux representa um ponto chave no caminho trilhado por Apeles. Musicalmente, isso está representado em um afastamento das cordas metálicas e uma aproximação dos sintetizadores e do piano. Curiosamente, a Disco Music – gênero, em geral, associado à vida noturna, à festa – é o ritmo que o ajuda nessa pesquisa interior. “Há muito tempo venho flertando com a Disco. É um universo que amo, me dá movimento, nostalgia e é preciso entender que ela não precisa estar sempre associada à alegria”, argumenta. Sobre essa base, ele se desenrola em contrastes, ironia e despretensão nos poemas que canta. “Uma vez me perguntaram sobre como o LP estava soando. Brinquei que era uma mistura de Gigi D’agostinho com Leonard Cohen e até hoje ouço reações engraçadas de quem ouve essa comparação. Queria deixar as coisas mais leves, mas não posso fugir totalmente da melancolia e dos temas que questionam a nossa natureza.”

“É da minha personalidade dar sempre uma entrega gigante”, afirma o duplamente leonino artista (sol e ascendente no signo fixo de fogo). “É no momento em que estou totalmente mergulhado em algum tema que me vem o ímpeto de fazer um álbum. Quase como para tirá-lo do corpo. É um processo exaustivo, mas muito recompensador”, conta. A intensidade vem de muito cedo. Quando criança já era apaixonado por John Lennon e foram os erros e acertos do mais experimental dos Beatles que o guiaram para o mundo da música. Até hoje, Eduardo pensa nas bandas que já teve, nos momentos que já viveu, e na coragem desmedida que fluía em suas veias. “É tudo mais difícil, além da parte prática e de logística, existe uma carga emocional enorme em cima de todas as decisões artísticas que se toma”, diz sobre a carreira solo. “Mas, vale muito a pena. As pessoas sabem o quanto você lutou para que tudo saísse bem.”

Quem quiser averiguar o resultado de todos esses esforços em primeira mão deve ficar atento à programação do Centro Cultural de São Paulo. “O show de lançamento acontece lá, no dia 4 de setembro. Reuni alguns dos melhores músicos que conheço para apresentar esse álbum da maneira mais fiel e dedicada possível”, promete. “Arrisquei muito, desde o começo, no processo de Crux. Ele me tirou da minha zona de conforto e mostrou que eu sou capaz de tirar força de lugares onde antes não imaginava que poderia ser forte. Espero que, de alguma forma, ele sirva para que as pessoas descubram essa mesma força dentro delas.”

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ARTISTA: Apeles
MARCADORES: Exclusivo

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