A fórmula matemática do Math Rock

Adicionar outros elementos à fórmula do Math Rock pode render outras sonoridades muito boas. Veja como o estilo foi se modificando e sendo influenciado por outros em seus mais de 20 anos

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O Math Rock nasceu no fim dos anos 80 quase junto com o Post-Rock (estilos que derivaram do Rock Progressivo de uma década atrás) e, a partir daí tomaram caminhos diferentes. Enquanto um soa mais técnico, o outro parte para a mais pura passionalidade musical. O Rock matemático, quando foi criado, primava puramente pela racionalidade e em seu mais de 20 anos sofreu uma série de mudanças, reinvenções e fusões que o deixou um pouco menos cabeça, mas não menos técnico.

O estilo se apoia em dois pilares o ritmo fragmentado, criado pela quebra constante no ritmo da bateria (enquanto canções clássicas de Rock seguem o tempo 4/4 em toda a música, no Math Rock os tempos são irregulares e complexos, como 6/5, 11/8 ou 13/8) e o tapping, técnica que consiste em bater nas cordas da guitarra ou baixo pra criar uma sonoridade diferente. Essa é a fórmula básica do gênero, mas dá pra chegar a resultados completamente diferentes adicionando a ele outros elementos.

Math Rock + Post-Hardcore =

Essa é uma união que era bem comum nos anos 90, especialmente pelo produtor/músico Steve Albini, que esteve presente em algumas bandas e produziu mais uma infinidade de outras, sendo umas das mais expressivas foi a Shellac, que existe até hoje. A Tera Melos é outra banda importantíssima por fazer essa mistura da técnica matemática com os vocais e guitarras características do Post-Hardcore e é considerada por muitos uma das bandas mais influentes do Math Rock.

Math Rock + Indie Rock =

Essa é uma mistura que ficou popular nos anos 2000, como uma segunda explosão do gênero. A Battles foi uma que ajudou a popularização deste mix e, em 2011, fizeram um dos melhores discos do gênero, o Gloss Drop. O This Town Needs Guns ficou conhecido por trazer alguma emoção para o estilo da pura racionalidade. E, por fim, o Giraffes? Giraffes! é uma dupla que levou tudo isso um passo à frente. Mesmo não sendo muito conhecido, o duo é muito influente no meio.

Math Rock + Noise =

Que tal adicionar guitarras barulhentas e muita distorção à fórmula do Math Rock? O trio londrino Three Trapped Tigers faz essa mistura e ainda coloca uma pitada de música eletrônica. A dupla Hella tem com um de seus membros Zach Hills, considerado um gênio pelos estudiosos do gênero. A dupla tem um som pesado, um clima meio sombrio com uma guitarra distorcida e uma percussão “genial” de Zach, por isso a banda é considerada uma das mais importantes do cenário aritmético.

Math Rock + Post-Rock =

O encontro desses “irmãos separados na maternidade” é uma das fusões mais incríveis que o gênero trouxe: a racionalidade matemática aliada ao sentimento do Post-Rock. O Don Caballero tem uma formação bem irregular e chegou a declarar seu fim em 2000, mas o baterista Damon Che recrutou mais dois músicos e voltou à ativa em 2003. Até Omar Rodriguez do The Mars Volta já teve sua fase de experimentar com esses estilos com o projeto “solo” El Grupo Nuevo de Omar Rodriguez Lopez em 2009. Os brasileiros do Jennifer Lo-Fi também ficaram conhecidos por fazer essa mistura e ainda trazer altas doses de psicodelia a sua música. Enemies é uma banda relativamente nova que vem surpreendendo muita gente. Lançando EPs desde 2008, o quarteto lançou seu disco de estreia em 2010, o We’ve Been Talking.

Math Rock + Pop =

Essa união é outra que ficou em evidência a partir dos anos 2000, a ideia aqui é simplificar a fórmula e trazer uma sonoridade mais acessível, uma fusão que recebeu um nome: Math Pop. Entre os artistas desse “novo” gênero está o Maps & Atlases que lançou recentemente o seu segundo disco, Beware and Be Greatful e outro bom nome dessa cena é o Tubelord, que mergulhou de cabeça no Pop e fez em 2011 um ótimo álbum, o ROMANCE. Fechando a lista, o Foals foi uma grande hype em 2008 com seu debut Antidote.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts