A Maré Está Boa para a Surf Music

Um dos primeiros estilos do Rock, consagrado por bandas californianas como o Beach Boys nos anos 1960, encontra na música Indie o momento perfeito para voltar no novo milênio no som de bandas como The Drums (foto), Girls e Wavves

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Já faz algum tempo que uma onda dos anos 60 tem provocado uma maré de boa música em bandas contemporâneas: A cinquentona Surf Music revela que ainda tem muito pique para reverberar nos lançamentos de hoje, seja como influência em sons que vão do Pop ao Indie, ou em canções que trazem o estilo quase em sua totalidade.

É o caso de músicas como Honey Bunny, do Girls, e Let’s Go Surfing, do The Drums, que trabalham uma certa “tradição” do gênero, em que a guitarra com reverb, a temática praiana e os versos românticos acompanham a energia juvenil presente em praticamente todas as composições que seguem esse estilo.

Dizem que tudo começou em 1961, quando Dick Dale lançou o hit Let’s Go Trippin e os Beach Boys lançaram Surfin. Ambas logo tiveram muito sucesso e viraram ícones do chamado “Som da Califórnia”. As duas músicas também marcaram dois movimentos distintos dentro do gênero: A primeira com o Surf Rock (instrumental) e a outra como Surf Pop (vocal).

Um primeiro revival aconteceu nos anos 90, quando várias canções nesse estilo fizeram parte da memorável trilha-sonora de Pulp Fiction (1994), o que fez com que o próprio Dale voltasse ao estúdio. Foi aí que surgiram bandas como Man or Astroman?, que incorporaram esse espírito àquele misto de punk e grunge que as bandas mais novas faziam, levando o som da praia também para o skate (lembra as músicas dos jogos do Tony Hawk? Então, bem aquilo).

Tem quem diga que o som feito pelo Weezer na época também se encaixe no formato. Os vocais de Buddy Holly, por exemplo, ecovam essa tendência que voltava ali. Enquanto ali a Surf Music era uma referência, ela soa mais natural à música feita nesses últimos tempos – não necessariamente um gênero, mas uma estética comum a algumas composições. Mas por que isso agora, no século 21?

Um primeiro palpite pode ser essa onda vintage que tomou conta da produção cultural de hoje (não apenas na música), com um resgate do melhor das décadas passadas. Tem também o reverb na guitarra, cada vez mais comum até pelos desenvolvimentos e aperfeiçoamentos dos pedais. Além disso, há o hedonismo das letras que geralmente falam de uma vida de liberdade no litoral ensolarado – um cenário muito atraente para quem vive na correria urbana.

Seja lá qual for o motivo, a questão é que a pegada Surf faz parte integral da cena Indie contemporânea, sentida nos sons de bandas como Wavves, Real Estate, Best Coast e até mesmo Metronomy (repare em The Look), e a gente pode hoje curtir os frutos dessa tendência da mesma forma que gerações lá atrás curtiram – até por que a proposta desse estilo é justamente a diversão.

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.