A versatilidade das produções de Daniel Ganjaman

O produtor que revolucionou o Rap brasileiro, pelo menos duas vezes, tem muitos outros lados do seu trabalho com bandas de cenas bem diferentes

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Creio que muita gente liga a figura de Daniel Ganjaman ao Rap, e de fato grande parte de suas produções e parcerias foram dentro do estilo, mas, se cavarmos mais fundo em sua carreira, percebemos que ele tem um currículo muito extenso incluindo outros gêneros.

A música veio do berço e a paixão por ela era inevitável. Ganjaman, que tinha um estúdio em sua casa, começou bem cedo a experimentar nele, aprendendo nessa mesma época a tocar inúmeros instrumentos, tudo isso por conta própria. Durante sua adolescência ele envolveu com o movimento Punk e Hardcore, nos quais começou a tocar e produzir suas primeiras bandas. Mais tarde, o encontro com DJ Nuts e Zegon (que viria a ser um dos seus grandes parceiros) mudou completamente sua cabeça e a abriu para novas possibilidades na produção de Rap.

O primeiro trabalho que causou um real impacto foi Rap É Compromisso! do Sabotage. O disco foi revolucionário para a época por trazer uma musicalidade maior ao estilo, adicionando guitarra, teclado e baixo aos já famosos beats e samples. No momento do lançamento, Sabotage foi posto como uma grande promessa do estilo, porém sua morte prematura nunca nos deixou saber se ela de fato se concretizaria. Ainda hoje, Ganjaman e outros produtores tentam lançar o disco póstumo que já estava em produção quando o rapper morreu.

Outro projeto importantíssimo dentro do estilo foi sua parceria com Marcelo Cabral na produção de Nó na Orelha, disco que revelou Criolo para um novo público. O álbum mais uma vez inovou a cena do Rap nacional ao trazer uma série de outros elementos a ele como Afrobeat, Reggae, Samba e Brega. Além disso, ele conseguiu fugir das temáticas corriqueiras de violência e pobreza sem apelar também para a glamorização do estilo, como a que acontece no Hip Hop americano.

Saindo um pouco da cena do Rap, mas mantendo o ar de protesto e a pegada mais roqueira (vinda da adolescência), ele produziu A Invasão do Sagaz Homem Fumaça, terceiro e derradeiro disco da Planet Hemp, considerado por muitos o melhor da banda.

Outro trabalho com que Daniel se envolveu foi Homem-Espuma, o segundo álbum do Mombojó. Mais uma vez, a tarefa dele foi agregar estilos diferentes como o Manguebeat, Rock e elementos da Bossa Nova. O grupo de Recife, que teve uma tímida estreia dois anos antes, conseguiu conquistar seu espaço e sair do circuito alternativo que habitava até então.

Seu trabalho mais recente foi com os paulistanos da Mão de Oito. Um Dia Que Já Vem é o primeiro disco do quinteto e se vê a mão de Ganjaman fazendo a união de estilos como Reggae, Rock, Ska e Samba Rock, além de trazer um apelo popular ao som do quinteto.

A grande qualidade na produção de Daniel Ganjaman é conseguir agregar diversos estilos e, mais que isso, conseguir extrair o melhor do artista em alguma forma acessível. A diversidade de artistas e gêneros que consegue trabalhar mostra também sua grande versatilidade como produtor.

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MARCADORES: Produtores

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts