A volta da cinquentona Fita Cassete

A nossa querida fitinha andava moribunda e esquecida durante algum tempo, mas ela volta com força total às portas de completar 50 anos e vira relíquia para colecionadores

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Pra quem achava que as fitas cassetes estavam fadadas ao esquecimento e se extinguiram no fim do século passado, a história é um pouquinho diferente. Sim, elas são difíceis de carregar, tem uma durabilidade não muito grande, não são muito práticas e, sobretudo, são bem difíceis de serem encontradas. Mesmo assim produzem aquele som chiado que muitos nostálgicos amantes de música adoram. Em 2012, elas completam 50 anos de vida e, mesmo cinquentonas, conseguiram voltar à moda.

Com a popularização do formato digital como principal meio de se consumir música, os formatos analógicos curiosamente vem ganhando força e recebem um novo status, passando a ser relíquias e não mais só um formato de mídia. Como todo mundo tem acesso à música em mp3 e o utiliza no dia-a-dia, os outros formatos podem ser vistos como colecionáveis, chegando até mesmo ao ponto de virarem raridade.

Assim como o vinil, ouvir uma fita cassete requer mais que apertar o play do seu iPod, existe um ritual envolvendo as fitinhas – colocá-las no seu tocador, ou naquele trambolho pré-iPod chamado Walkman, ouvir o som chiado que ela produz, rebobinar as fitas (muitas vezes manualmente), gravar suas músicas uma a uma em uma compilação e toda as sensações que só os formatos analógicos podem nos oferecer.

Essa mídia está ressurgindo como uma alternativa de divulgação (ainda muito pequena, se comparada ao vinil), principalmente entre os artistas independentes. Fora do Brasil, essa iniciativa já é adotada por diversos selos e bandas como, Animal Collective, Deerhoof e Mountain Goats que lançaram seus mais recentes trabalhos também em cassete. Como essas tiragens são sempre pequenas, essas fitas acabam virando itens de colecionador. Os gaúchos da Apanhador Só adotaram esse formato no projeto Acústico-Sucateiro e vendem suas fitinhas nos shows.

Até a gigante Amazon se rendeu à moda retrô e lançou um departamento só com elas. Além dos mais diversos títulos (a grande maioria ainda em suas embalagens originais e com preços bem salgados, exemplo de Roman Candle, estreia do Ellioth Smith, que custa quase 600 dólares), o site tem uma infinidade de tocadores e raridades ligados a essa moda.

A precursora deste movimento no Brasil é a mineira Pug Records, que tem um catálogo próprio e algumas fitas já lançadas. Duplodeck (que você pode ouvir abaixo), Top Surprise e Coloração Desbotada são algumas bandas que assinam por esse selo e que tem em comum a estética Lo-Fi. O que mais chama atenção nessas iniciativas é que elas aliam um baixo custo de produção com a exclusividade do produto.

Boa parte da produção da Pug Records (que também usa o formato mp3) vai para o exterior, principalmente para os Estados Unidos, onde existem outras gravadoras e selos que fazem sua distribuição.

O misto de nostalgia e fetiche trouxe as fitas cassete de volta, agora não mais como apenas um meio de se ouvir música, mas como relíquias, passando a coexistir pacificamente com as outras formas digitais e analógicas. Mesmo que seja em um número reduzido, essas cinquentonas continuam rodando por aí com tudo.

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ARTISTA: Duplodeck

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts