A volta do At The Drive-In

Depois de onze anos de hiato, o quinteto que ajudou a revolucionar a sonoridade dos 90 foi a um grande festival fazer sua primeira apresentação oficial depois de tanto tempo

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No último fim de semana, presenciamos a volta de uma das bandas mais significativas dos anos 90, a At The Drive-In. Depois de onze anos fora dos palcos, a banda fez um grande show no Coachella. Com direito a nove hits, o quinteto conseguiu empolgar a legião de fãs que tem (só quem não parecia muito empolgado era o guitarrista Omar Rodriguez, que ficou ali quietinho no fundo, o show inteiro).

A banda foi tão importante nesse cenário dos 90 por dar uma chacoalhada na sonoridade da época, que vivia os últimos suspiros do Eletropop dos 80 e o Hard Rock, enquanto o Britpop dominava soberano no mainstream e o Grunge dava seus primeiros passos. No meio da década, se tornou a maior banda do cenário alternativo, já que o grunge estava em seu auge radiofônico.

Com uma sonoridade muito característica que combina melodias emotivas e ritmos acelerados, transitando do hardcore dos anos 80 à psicodelia que estava presente no começo dos 90, a banda se tornou uma das mais influentes do chamado Post-Hardcore, conhecida também por seus shows cheios de energia e beirando a anarquia.

A banda foi formada em 1993 e, acredite se quiser, Omar tocava baixo na época e mais tarde viria a se tornar um dos grandes nomes entre os guitarristas. Jim Ward e Cedric Bixler já faziam parte da trupe e gravaram o primeiro EP, Hell Passo. Somente após a gravação do primeiro disco, Acrobatic Tenement (1996), a ATDI se tornou um quinteto com a entrada de Paul Hinojos e Tony Hajjar (foi a partir daí que Omar assumiu seu posto de guitarrista).

Em 1998, a banda gravou seu segundo álbum, In/Cassino/Out, quase ao vivo no estúdio, mostrando um som cru, honesto e beirando o experimentalismo – marca registrada da dupla Omar e Cedric. Mas seu verdadeiro trunfo veio só em 2000: Reletionship of Command o derradeiro e melhor disco do quinteto.

Em 2001, a banda anuncia sua separação e, a partir daí, acontece a gênese de duas bandas que levaram à frente toda energia e peso do At The Drive-In. Omar e Cedric criaram um projeto expansivo de Rock psicodélico chamado The Mars Volta, enquanto o trio Jim, Paul e Tony formou Sparta, banda que seguia o mesmo estilo da banda que os revelou.

O hiato que durava onze anos finalmente acabou. A apresentação na última noite do Coachella trouxe uma banda mais experiente e que abusava menos das drogas. Com um set impecável, a banda mostrou grandes hits como Arcarsenal, One Armed Scissor e Pattern Against User.

Por algum motivo, Omar tocava sua guitarra como se nada importante estivesse acontecendo – justo ele, que fazia apresentações épicas pulando e jogando a guitarra para cima. Em compensação, Cedric gritava, pulava, corria de um lado para o outro e dizia coisas sem sentido, revivendo a época de atividade da banda, ao mesmo tempo que os membros da Sparta também aparentavam estar felizes pelo retorno. Com isso, o quinteto realizou um ótimo show, com a qualidade que as saudades e a memória dos fãs do At the Drive-In esperavam.

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Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts