Aaliyah: O Reinado Permanece

Lançado um mês antes de seu falecimento, álbum comprova legado da cantora de R&B

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Sabe aquele disco lançado há algum tempo que você carrega sempre com você em iPod, playlist e coração, mas ninguém mais parece falar sobre ele? A equipe Monkeybuzz coleciona álbuns assim e decidiu tirar cada um deles de seu baú pessoal e trazê-los à luz do dia. Toda semana, damos uma dica de obra que pode não ser nova, mas nunca ficará velha.

Aaliyah

Aaliyah foi-se muito cedo, sabemos. Vítima de um acidente aéreo aos 22 anos, a cantora, que começou a carreira aos 15, vivia o auge de sua fama (com o que prometia ser uma forte presença em Hollywood) e de sua musicalidade, como seu terceiro e homônimo álbum revelava quando saiu em julho de 2001, um mês antes de seu falecimento.

Antes de adentrar a nostalgia de comentar um álbum que ouço há catorze anos, confesso que este texto foi escrito de última hora, já que minha ideia para este Fora de Época era outra, que usarei futuramente (sem spoilers), mas ter que escutar novamente sua música para escrever no Acorde e uma pesquisa para outro artigo do site (repito, sem spoilers) me fizeram entender o quanto valia a pena compartilhar a dica do disco.

Vamos aos fatos: Aaliyah, com sua beleza incontestável, era uma isca fácil para o mainstream, já que ela era o que parte do público queria ser e a outra parte queria ter. Como produtora executiva de seus discos, ela sabia reunir uma equipe invejável de produtores musicais, como Bud’da, Rapture e Timbaland – três dos responsáveis pelos sucessos de Aaliyah -, e apostar no que o R&B tinha de melhor na época, por mais múltiplo que o gênero seja.

Isso gerou um disco também variado nos sons. Tem as músicas dançantes com letras que revelam uma personalidade feminina sempre forte (Try Again, I Can Be e I Refuse, por exemplo) com arranjos de igual força, aos moldes do que TLC e Destiny’s Child também faziam, além de baladonas como Never no More e It’s Whatever (a primeira sobre um relacionamento abusivo e a segunda, por outro lado, com todo o romantismo possível para as batidas graves).

As três primeiras faixas da obra já dão conta de mostrar tanto a variedade do som, quanto a qualidade do que vem até Try Again, a 15ª faixa. We Need a Resolution foi uma das maiores responsáveis para o disco estrear já no segundo lugar da Billboard. Catorze anos depois, sua ambientação ainda impressiona, com uma escolha muito bem realizada dos timbres dos beats e uma melodia de samples bem demarcada para Aaliyah brilhar com seus graves e agudos.

Em seguida, Loose Rap constrói outra atmosfera ao brincar principalmente com os sons que viajam de um fone de ouvido (ou caixa de som) para o outro, enquanto a cantora faz uma de suas interpretações mais charmosas, completada por um groove daqueles. Já Rock the Boat (cujo clipe estava sendo filmado quando o avião com a artista caiu nas Bahamas) tece uma rede de graves que embala sensualmente o vocal em um clima tão dançante quanto calmo.

Quase uma década e meia depois, ouvir Aaliyah não é só lamentar a partida tão precoce da artista, mas entender também por que o pessoal que cresceu ouvindo esse disco (entre outros) na juventude produz o som que ouvimos hoje em dia desse jeito. Se na época ela era chamada de “Princesa do R&B”, o tempo revela que seu status de nobreza permanece inalterado.

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ARTISTA: Aaliyah
MARCADORES: Fora de Época

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.