Afinal, Por Que Gostamos de Covers?

Se tudo é cópia de uma cópia, vale a pena ir atrás de novas versões do que conhecemos e às vezes nem mesmo gostamos?

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Você pode até dizer que não gosta, mas todos sabemos que músicas cover são sempre um sucesso. Seja pela curiosidade que temos ao ver como ficou uma versão de uma música que conhecemos feita por outro artista, pelo número de visualizações que esses vídeos tem na Web ou pela quantidade (e demanda) de bandas que se dedicam só a isso por aí, a popularidade dessas reinvenções é indiscutível. Por que será?

Pra começar a discussão, existe a ideia de que as pessoas tem a tendência de gostar mais das coisas que já conhecem (por exemplo, é mais comum que alguém escolha repetir uma música que sempre ouve ao invés de ir atrás de uma faixa nova) ou das que assimilam mais facilmente (costumamos preferir aquilo que nos é familiar). Só isso por si só já responde a pergunta, mas nossa conversa pode ir além.

Quando falamos de covers que reinventam alguma música, ao invés de apenas reproduzirem com uma outra voz, existe o elemento surpresa e, às vezes, algum aspecto inusitado que vem nela. É aquela faixa de sempre, só que não – sabe? Ela nos chama a atenção justamente por reconhecermos sua identidade (esteja ela na letra ou na estrutura da composição), isso somado a um novo aspecto.

Às vezes, isso permite que nós notemos algumas qualidades da canção que estavam escondidas ou pouco exploradas na original e passamos a gostar ainda mais de uma composição que já curtíamos, ou que nos passava desapercebida.

Melhor ainda é quando uma música que curtimos ganha sua versão por uma banda que sempre ouvimos e com sua cara, principalmente se a original e a cover forem de estilos diferentes. Quando os músicos conseguem manter a identidade, a essência da faixa, e colocar sua própria sonoridade naturalmente em cima do trabalho do outro, sem forçar, o resultado é impressionante ou, no mínimo, divertidíssimo.

Só que não tem como deixar pra lá o lado negativo das covers, que é justamente o que faz alguns torcerem o nariz para essas versões. Por causa de sua atratividade, elas são opções para muitos músicos que estão começando a carreira despontarem, ou mesmo para que outros ganhem a vida apenas interpretando criações de outros artistas (e quem é que nunca viu uma banda cover até mesmo imitar o jeito de se vestir e corte do cabelo dos músicos referenciados?). O problema disso? Oportunismo.

Fica ainda a impressão de que alguns músicos ou tem preguiça, ou lhes falta talento para criar suas próprias produções, precisando sempre apelar para as criações dos outros na hora de mostrar que sabem cantar ou tocar. Se o show é muito baseado em covers, periga ficar ainda aquela cara de “artista de barzinho” ou “banda de formatura”, o que é pior ainda.

De qualquer forma, sempre que um bom artista se propõe a fazer sua própria versão de uma música de outra pessoa, vale a pena experimentar o que ele aprontou. Se for um músico de confiança, ele pode até tocar algo que você não gosta e, em suas mãos e voz, vai ficar legal. E se a banda “estragar” uma boa música, tudo bem, você vai entender por que gosta tanto da original.

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.