Ao Vivo, SILVA Confirma Ótima Fase na Carreira

Show de “Vista pro Mar” revela envolvimento dos fãs com música do capixaba

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Fotos: Hick Duarte

Um grande teatro com centenas de pessoas na plateia de frente para um músico assumidamente tímido no palco. A melhor explicação para o clima ora descontraído, ora intimista que SILVA consegue construir no palco é o potencial envolvente que suas músicas tem – e só quem já viu seu show sabe como é gostoso o clima oscilante entre ondas sonoras intensas e uma verdadeira brisa do Pop mais tranquilo.

E a turnê de Vista pro Mar encontra-se hoje em sua melhor forma, após tantas apresentações e experiências vividas na estrada pelo capixaba Lúcio Souza. “Eu mudo muito com o tempo”, conta ele sobre tocar o disco hoje, “é difícil continuar no mesmo feeling depois de um ano, eu luto pro show não ficar frio”. As mudanças são totalmente justificáveis, já que, nesse meio tempo, ele abriu um Lollapalooza, passou uma temporada em Tóquio e gravou clipe em Angola, só para citar algumas das experiências. É fácil imaginar que não só o show mudou, mas que a própria pessoa por trás do nome SILVA está diferente.

Isso se reflete, em um primeiro lugar, em maturidade no palco. Acompanhado de apenas três músicos, Lúcio se reveza entre teclados, sintetizadores, guitarra, seu violino de sempre e até mesmo o violão – com o qual mandou uma versão intimista e diferente de Cansei, uma de suas primeiras faixas – sem deixar as peteca da atenção e da satisfação do público caírem. Por outro lado, sua desenvoltura para vencer a timidez faz com que ele crie um ambiente familiar, de cumplicidade com a plateia entre histórias e pequenas anedotas sobre suas composições, o que deixa todo o clima ainda mais leve.

Foi assim no show em que ele fez em São Paulo nessa terça, 28 de abril, no Theatro Net. O meio da semana não foi obstáculo para seu público ir até lá para ver o artista apresentar suas melhores características ao vivo.

“Ele mistura alguns ritmos e fica muito bom”, revela Ester, uma das fãs que tiveram chance de chegar mais cedo para ver a passagem de som e conversar com o músico, “e ele é muito original. Quando ouço as outras bandas, sinto que já escutei aquilo antes, mas SILVA não, nunca ouvi nada igual”. Antes do show começar, o pequeno grupo de pessoas do lado de fora do teatro comenta a personalidade de SILVA como músico (“Acho que ele se destaca na MPB”, diz um dos fãs, Marcelo, “ele ousa”), assim como sobre sua pessoa (“Apesar de ser tímido, ele é super simpático e atencioso”, disse outro fã, Jadson).

Quem chega lá e vê fã-clube uniformizado com camiseta e o envolvimento da plateia cantando todas as músicas nem imagina o quanto essa dinâmica ainda é recente na carreira de SILVA, e deve-se muito ao que aconteceu após Vista pro Mar. “Quando eu comecei, que foi num meio bem Indie mesmo, as coisas foram tomando proporções que eu não esperava”, revela Lúcio, “acho que eu tô numa coisa meio assim: Indie demais pra ser Pop, Pop demais pra ser Indie”.

É interessante notar como o desenvolvimento das músicas do novo disco e de Claridão nos palcos é seguido por um crescente número de admiradores de seu trabalho – um fenômeno que não necessariamente ocorre nesse cenário nem underground, nem mainstream (“limbo”, como ele brinca), quando vemos tantas bandas cada vez melhores baterem em um teto muito baixo de público, ou artistas muito medianos crescendo em popularidade.

No caso de SILVA, tudo parece acontecer com a mesma naturalidade com que ele conduz o espetáculo, o que só permite um envolvimento ainda maior em nível pessoal com os fãs (“À primeira vista, a música parece simples, mas, quando você vai entrando no universo do disco, percebe que tem toda uma coisa pensada e ele consegue falar muito com poucas frases. E o instrumental também te leva pra fora, pra outro lugar”, comentou uma das meninas no meet & greet). “Eu tô feliz com o que o trabalho já alcançou, é algo que eu nem imaginava, diz Lúcio, que completa a frase com o mesmo jeito sincero que apresenta no palco: “Foi acontecendo e tamo aí”.

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ARTISTA: SILVA
MARCADORES: Ao Vivo

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.