“Apanhador Só” e Seu Espirito Aventureiro

Primeiro registro do quarteto gaúcho é um daqueles clássicos pessoais instantâneos

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Sabe aquele disco lançado há algum tempo que você carrega sempre com você em iPod, playlist e coração, mas ninguém mais parece falar sobre ele? A equipe Monkeybuzz coleciona álbuns assim e decidiu tirar cada um deles de seu baú pessoal e trazê-los à luz do dia. Toda semana, damos uma dica de obra que pode não ser nova, mas nunca ficará velha.

Apanhador Só – Apanhador Só (2010))

Apesar da banda já acumular alguns anos de estrada e um EP que vim conhecer muito tempo depois, foi só em 2010 que conheci o Apanhador Só e seu ótimo disco homônimo – obra que catapultou os quatro gaúchos de Porto Alegre ao posto de uma das maiores revelação “Indies” daquele ano.

Lembro que na época um amigo vivia colocando versos desconexos e cheios de um humor cotidiano tirados das canções em seu Twitter e por mais de uma vez me indicou o tal disco. Vencido pelo cansaço, resolvi ouvir aquela banda de nome estranho e com uma lírica nem um pouco comum. Dar o play foi uma enorme e ótima surpresa.

Fui fisgado logo de cara ao ver como a banda conseguia aliar melodias fáceis e gostosas às suas letras e ainda como conseguia fazer tudo isso ao mesmo tempo em que criava hits instantâneos e cheios de variedade. Não preciso dizer que esse foi um daqueles discos que se tornaram seus favoritos logo na primeira audição, nem acrescentar que até hoje não ele abandou esse posto na minha pequena lista de preciosidades musicais – realmente um daqueles que nunca saíram do iPod -, não é?

De Um Rei e o Zé a E Se Não Der, o disco emoldura trezes ótimas canções que sobreviveram exemplarmente ao tempo e que ainda hoje são as mais pedidas e comemoradas nos em shows, mesmo com o novo Antes Que Tu Conte Outra tendo sido lançado com tamanho êxito. Apanhador Só é um disco direto e cheia de nuances, algo que os músicos explicam de forma bem “Apanhador Só”, se definindo como “Música popular com espírito aventureiro”.

E por falar em shows, a forma com que esse primeiro disco soa ao vivo me parece ainda melhor que no registro de estúdio. A primeira apresentação que vi a banda fazer foi bem tardia também (no começo de 2012), porém, depois de então, esse virou quase um evento obrigatório e toda passagem da banda por São Paulo rende pelo menos uma ida a um de seus shows. As faixas se tornam ainda mais intensas, ganham pequenas jams e aquela energia que só se sente ao vivo, algo que se você ainda não experimentou, deveria!

Clássicos como Um Rei e o Zé, Maria Augusta, Peixeiro e Nescafé não saem do repertório dos shows do quarteto, talvez por formarem o grupo de canções que melhor definem a sonoridade da banda. Algo que brinca com o cotidiano e traz pitadas de humor, amor e uma visão certas vezes inusitada do dia-a-dia.

Voltando ao álbum, em 2011 ele ganhou uma série de versões ao som de voz, violão e sucatas, que ficou conhecido como Acústico Sucateiro, obra que traduz muito bem a irreverência do grupo e seus primeiros anos em que ainda era um quinteto e que um membro ficava responsável unicamente pelo sucateirismo.

Esse disco é talvez um dos melhores exemplares dos novos caminhos da Música Popular Brasileira tem rumado e de como ela pode aliar o lado mais Pop à qualidade musical e ao pensamento fora da caixa. Por enquanto uma banda única, mas espero que muitos novatos se inspirem no espirito aventureiro do Apanhador e que possa alçar voos tão ou ainda mais altos que os do quarteto gaúcho.

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ARTISTA: Apanhador Só
MARCADORES: Fora de Época

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts