Aquecimento Gop Tun Festival: Amanda Mussi & Victoria Mussi

Quando as primas se conheceram, como elas se organizam e o que podemos esperar do b2b na primeira edição do festival que acontecerá em abril

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Não é nenhuma novidade que relações, amizades e amores podem florescer nas pistas. Às vezes tudo o que você precisa é do momento, música e o lugar perfeito. Mas e numa cabine compartilhada entre DJs? O que é preciso para uma conexão explosiva? É só chegar e tocar? A fusão perfeita em um back2back pode surgir a partir de parcerias que vão muito além da música – casais, familiares, melhores amigos…

Celebrando os 10 anos de Gop Tun, será realizado, no dia 2 de abril, o primeiro Gop Tun Festival, em São Paulo. Com mais de 40 nomes, entre nacionais e internacionais, este é o maior evento já idealizado pelo selo. E o Monkeybuzz preparou um especial de aquecimento que se aprofunda no trabalho, na vida e na parceria desses artistas que vai além das cabines.

Para começar, as primas Mussi. De um lado, Amanda, figura central na cena paulista e residente da Dando e Mamba Negra. Do outro, Victoria, fundadora e diretora executiva da gravadora, rádio e produtora cultural Inbetween.

Como e há quanto tempo vocês se conheceram? Como foi a primeira abordagem?

Amanda: Faz uns sete ou oito anos. Apesar de sermos primas, não sabemos porque nossas famílias nunca nos apresentaram. Um dia, o algoritmo do Soundcloud me recomendou o perfil dela e eu a adicionei no Facebook. Depois disso, ela me contou que esteve com meu pai e minha família num almoço dias antes! Logo depois, eu fui para Assunção tocar no extinto club Sequence onde éramos residentes, e desde então começamos a trabalhar juntas e criamos um laço super forte de amizade e família e nunca mais nos separamos.

Victoria: No primeiro encontro, tocamos a noite toda em um barzinho em Assunção. Houve muita química e para mim foi muito emocionante sentir a conexão no sangue.

Como é a relação de vocês dentro e fora das pistas de dança?

Amanda: Super divertida. A gente se dá muito bem, sempre nos divertimos muito, temos um senso de humor ácido bem típico da nossa família. A gente sempre come juntas, temos reuniões familiares, e de trabalho também, além de já ter viajado em turnês muitas vezes.

Victoria: Em ambos os cenários há sempre muita irmandade, respeito, amor, diversão, paixão e apoio.

Ao longo da carreira, o que vocês mais aprenderam umas com a outras?

Amanda: A Victoria é um exemplo de disciplina, profissionalismo e excelência na música. Eu me inspiro demais em tudo que ela faz, e eu aprendi muito a fortalecer minha rotina e determinação vendo ela trabalhar. Ela é uma pessoa muito sensível e compreensiva, tem sempre um ombro e ouvido aberto quando eu preciso, e também me dá ótimos conselhos. Ela é uma pessoa muito ponderada e justa, está sempre pensando no melhor para todos.

Victoria: Aprendo muito com a Amanda, mas uma dessas coisas é ser uma pessoa mais presente.

Quais fatores musicais foram relevantes para vocês se conectarem?

Amanda: A gente tem um gosto musical praticamente igual: techno, house, disco, funk, breaks, electro, ambient…

O que não pode faltar em um b2b? Por quê?

Amanda: Química e empatia. Empatia com a pista também, saber a hora de fazer as coisas, por e tirar as músicas de uma maneira que faça sentido.

Victoria: Comunicação, sensibilidade, flexibilidade, espontaneidade, criatividade e dinamismo. São componentes cruciais para poder ligar e transmitir uma proposta musical coesa e substancial onde a essência de duas identidades converge para trazer à mesa um resultado amplo, envolvente, fresco e com sentido de camaradagem.

O que vocês gostam de fazer juntas fora das pistas?

Amanda: Comer, beber vinho, tomar café, trabalhar, eu adoro receber ela na minha casa e cozinhar, e também nossos encontros familiares são sempre na casa dos pais dela, e somos muitos, nossa família é super divertida e peculiar.

Victoria: Comer! A Amanda é uma das minhas chefs favoritas. Também trabalhar e gerar ideias para nossos diferentes projetos.

Como vocês se organizam para uma apresentação juntas?

Amanda: Antigamente a gente conversava pouco, mandava referências e, com o tempo isso se tornou desnecessário, nosso flow é muito natural e espontâneo. Já estamos acostumadas, sempre uma acompanha o som da outra muito bem.

Victoria: Nós apenas vamos com o que sentimos.

Já aconteceu algum imprevisto durante um b2b? Qual a melhor forma de improvisar e não entrar em pânico?

Amanda: Já! Mas a gente dá risada. Nós duas, em dias diferentes, já colocamos uma música achando que era outra e não tinha nada a ver com o momento! (Risos) Quem nunca? Mas isso de pânico nunca rolou, tem que levar na esportiva quando acontece essas coisas e lembrar de consertar rápido qualquer outra coisa que possa rolar também. Estamos ali também para nos divertir além de trabalhar.

Victoria: Acho que tocando com Amanda nunca senti pânico. Sempre flui de uma forma divertida.

Em um B2B, como vocês escolhem quem vai colocar a primeira e a última música do set?

Amanda: Fazemos isso na hora que entra na cabine. Normalmente uma abre e então a outra fecha e vice versa, mas é ali na hora mesmo.

Victoria: Fluímos de acordo com o que sentimos no momento, acontece muito naturalmente.

Vocês já trocaram tracks/vinil? Quais?

Amanda: Sim, uma época a gente trocava toda nossa pesquisa do ano, eu sempre dou tudo que lanço pra Vic, e vice-versa, e quando recebo ou baixo algo que me faz lembrar ela eu mando na hora.

Victoria: A última que Amanda me deu foi de seu lançamento no PG Tune com um remix para Philipp Gorbachev. Recomendo!

Como vocês organizam as tracks/vinil? Colocam algum tipo de sinalização para facilitar na hora de tocar?

Amanda: Eu separo minhas pastas por estilo e momentos constantemente eu vou jogando tudo que baixo lá então tá sempre atualizado. Às vezes monto uma playlist específica para o evento, se for rolar vinil, eu tento colocar na ordem que combina as músicas.

Victoria: Sempre gosto de me organizar por tipos de sensações que cada faixa produz em mim e por tonalidades.

Uma memória inesquecível da Victoria/Amanda?

Amanda: Outlander – Vamp (Prins Thomas Diskomix).

Victoria: Quando ela colocou para tocar Crystal Waters – “100% Pure Love” e me deu um buquê de flores no meio do nosso set b2b no Café Salazar, bem no dia do meu aniversário!

O que você mais admira em Victoria/Amanda?

Amanda: A solidez, o bom gosto, a empatia e o senso de humor.

Victoria: Ela é uma pessoa muito real. Seu magnetismo, seu entusiasmo por querer sempre aprender mais e encontrar formas de crescer em todos os aspectos, principalmente na parte humana. Sua efervescência, seu jeito frontal e honesto de dizer as coisas. Como ela sabe assumir e se conectar com seu poder. Sua fidelidade aos seus princípios e valores. Sua vontade de sempre ajudar os outros. Seu talento infinito e sensibilidade gigante. Sua perseverança, força e paixão para lutar pelo que acredita.

Qual música te faz lembrar Victoria/Amanda? Por quê?

Amanda: “BAK2U” – Ejeca. Ela tocava muito essa música na época que nos conhecemos.

Victoria: “Future” (Inner City Edit de Kenny Larkin Extended Remix): Amanda colocou essa faixa no final de um dos primeiros b2bs que fizemos em Assunção quando ela já havia decidido se mudar para cá. Lembro-me de sentir naquele momento o quão especial seria ter minha prima perto de mim, morando na minha cidade. 

Goldie – “Innercity Life”: Com essa faixa Amanda fechou seu set na primeira vez que tocou no Berghain. Foi um momento muito legal, grande e importante para ela e me senti muito sortuda por poder estar presente naquele momento, sentindo o que aquela oportunidade representava para ela.

Quais técnicas você mais gosta nas performances de Victoria?

Amanda: Ela tem uma maneira muito linda de mixar, impecável, muita destreza e a seleção também perfeita. Além dela ser super intensa e dinâmica, com certeza uma das melhores DJs que eu conheço, ela é uma das minhas preferidas.

Victoria: Eu gosto muito da espontaneidade dela, quando ela corta com loops e faixas bem diferentes, quando ela escolhe o momento perfeito para colocar samples em sua mixagem e causa algo completamente imprevisível. Acho que parte de sua técnica é também a energia que ela sabe transmitir quando está tocando. Ela sabe como fazer com que as pessoas ao seu redor sintam plenamente tudo o que ela tem a oferecer.

Alguma track inesquecível que Victoria mostrou para você?

Amanda: Não lembro! (Risos)

Victoria: Uma das minhas últimas favoritas é Crazed (BR) – “Aerobic Chavoso”, em breve no Sudor Vol.I da gravadora de Amanda e Ananda, Macro Hits! Também gostaria de comentar sobre um set que ela me mostrou, de Claire Morgan Live @ Vor Frue Kirke Copenhagen 2014.

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