Aquecimento Gop Tun Festival: Carlim & Gabto

B2B composto pelo casal Fernanda e Gabriel é atração na primeira edição do festival que acontece em abril

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Fotos: Divulgação

Não é nenhuma novidade que relações, amizades e amores podem florescer nas pistas. Às vezes tudo o que você precisa é do momento, música e o lugar perfeito. Mas e numa cabine compartilhada entre DJs? O que é preciso para uma conexão explosiva? É só chegar e tocar? A fusão perfeita em um back2back pode surgir a partir de parcerias que vão muito além da música – casais, familiares, melhores amigos…

Celebrando os 10 anos de Gop Tun, será realizado, no dia 2 de abril, o primeiro Gop Tun Festival, em São Paulo. Com mais de 40 nomes, entre nacionais e internacionais, este é o maior evento já idealizado pelo selo. E o Monkeybuzz preparou um especial de aquecimento que se aprofunda no trabalho, na vida e na parceria desses artistas que vai além das cabines.

Para o terceiro episódio desse aquecimento, conversamos com o casal Carlim e Gabto.

Como e há quanto tempo vocês se conheceram? Como foi a primeira abordagem?

Carlim: Conheci o Gabriel no final de 2014 por meio de um amigo em comum. Na época, nós estudávamos no mesmo lugar e cada um era residente da sua respectiva festa: eu da Buzz (festa que produzia com o Dimas Henkes) e o Gabriel. da Vorlat. Isso ainda em Porto Alegre. A gente meio que virou amigo de primeira, eu sempre encontrava o Gabriel na faculdade com o Ableton aberto e algum mashup aleatório rolando, além disso, a gente tinha um chat no Spotify para trocar tunes que rendeu muita mix boa depois, acho que a nossa amizade nasceu a partir daí, nessas trocas de figurinhas. Maaaaas o nosso primeiro b2b só foi rolar lá em 2016, lembro que foi uma mix de electro jazz, foi a nossa primeira troca real para construção de um dj set e foi incrível. Depois disso, já perdi a conta de quantas vezes tocamos juntos, quantos estilos já exploramos, depois que a gente veio pra São Paulo surgiu o Cereal Melodia, além de outras várias parcerias e fico muito feliz de dividir isso com o Gabriel.

Gabto: A primeira vez que a gente conversou por bastante tempo mesmo foi em uma festa. No dia seguinte, a gente se deu conta de que não falou com mais ninguém a festa inteira. Depois disso, a Fernanda trabalhava e estudava na mesma faculdade que eu e sempre chamava ela para tomar um café rápido entre minha orientação do TCC e a pausa do expediente dela. A partir disso, acho que a música sempre foi uma grande pauta desses momentos. Lembro que nossas primeiras trocas eram através de uma playlist colaborativa no Spotify para compartilhar achados um com o outro.

Como é a relação de vocês dentro e fora das pistas de dança?

Carlim: Sinergia total. Acho que desde que a gente se conheceu sempre rolou uma conexão, da forma como lidamos com as nossas vivências de pista, nossas preferências e descobertas musicais. Fora das pistas não poderia ser diferente, a gente vive uma grande troca de energias, referências, descobertas e criatividade, posso afirmar com 100% de certeza que vivo com meu melhor amigo e isso é bom demais.

Gabto: Nós somos muito parceiros um do outro no dia a dia e isso se reflete quando tocamos juntos em uma relação de confiança e troca muito forte. Nossos sets são cheios de momentos em que mostramos para o outro a próxima música que vamos colocar e o outro já sabe o que é e começa a dar risada concordando. Dentro de casa é a mesma coisa, um começa a falar e o outro já sabe onde termina. No início isso era meio apavorante, mas hoje é algo totalmente normal!

Ao longo da carreira, o que vocês mais aprenderam um com o outro?

Carlim: Acho que ter coragem de ser você mesmo e estar em constante movimento de criatividade. O fato de sermos uma dupla dentro e fora das pistas cria essa sensação de segurança e parceria que é essencial para esses desafios.

Gabto: Não necessariamente aprendemos a ter esse comportamento, mas o apreço por escutar coisas novas e sem nenhuma barreira de gêneros é algo que soma muito no meu repertório. Cada um traz coisas a partir das suas vivências e pesquisas que não necessariamente se conversam no momento, mas acabam colaborando para a construção de um diálogo musical muito plural. É excelente estar sempre tensionando os ouvidos.

Quais fatores musicais foram relevantes para vocês se conectarem?

Carlim: A ideia de que qualquer track pode ir pra pista. Nós viemos de bases diferentes, o Gabriel nasceu na rave, eu, por outro lado, comecei tocando nos bailes indie universitários, hoje temos um aproach completamente diferente de quando começamos. Acho que estar sempre de mente aberta para sonoridades novas e experimentações foi o que nos uniu de verdade, musicalmente falando.

Gabto: Ambos já éramos DJs quando nos conhecemos. Então acho que a paixão pela música e pela discotecagem foram os principais fatores. Quem vive com música sabe o quão infinito é esse tópico. Logo no primeiro mês que começamos a nos relacionar compramos passagens para curtir juntos um festival que rolava em São Paulo e passar uns dias conhecendo a cena e as festas daqui. Tudo que vivemos e dançamos nessa viagem pareceu algo tão natural, como se fosse algo que sempre fizemos juntos. A partir dali não desgrudamos mais um do outro.

Qual música te faz lembrar Gabto/Carlim? Por quê?

Carlim: Com certeza “Closing Shot”, do Lindstrom. Quando a gente tava se conhecendo melhor, rezava a lenda que se essa música tocasse 3x, o Gabto apareceria e é 100% verdade, posso provar.

Gabto: Nossa, são infinitas. Mas vou citar uma com uma história engraçada: Air –”La Femme D’Argent”. Quando morávamos em Porto Alegre e começamos a namorar, nos demos de presente os ingressos para assistir o show do Air em São Paulo. Compramos assim que o show foi anunciado. Ambos gostavam muito da banda e era um som que sempre escutávamos, pois estava em uma das nossas playlists que tínhamos juntos. Quando começou a chegar perto da data, os dois estavam completamente quebrados e não tínhamos dinheiro para viajar para São Paulo e curtir o sonhado show. Tivemos que vender os ingressos (e só conseguimos vender um, haha). Na época foi triste, mas hoje damos risada.

O que vocês gostam de fazer juntos fora das pistas?

Carlim: Cozinhar, com certeza! A gente já faz um milhão de coisas juntos, a gente mora junto, toca junto, já trabalhamos juntos, mas acho que hoje o que a gente tem feito com mais esmero, carinho e dedicação é cozinhar e receber nossos amigos, em segundo lugar é sair pra malhar, hahahah.

Gabto: Acho que a comida junto com a música é um grande tópico na nossa relação. Nós cozinhamos muito juntos e estamos sempre buscando algum lugar diferente para comer. Recentemente também começamos a nos exercitar juntos, o que tem sido incrível já que tendo a ficar entediado demais fazendo esse tipo de atividade sozinho haha.

Como vocês se organizam para uma apresentação juntos?

Carlim: Depende muito da ocasião, tem b2bs que a gente sabe que pode ir de olho fechado que as pesquisas vão se alinhar, sabe? Em outros momentos a gente troca umas figurinhas e deixa pro dia, acredito que isso é um resultado de muitos anos de troca. A gente normalmente decide o caminho que gostaríamos de ir e cada um leva a sua leitura sobre e no fim tudo se mistura de algum jeito ou de outro.

Gabto: Com antecedência, nós enviamos as tracks que descobrimos ou estamos gostando no momento para tentar achar o fio condutor do set, para onde queremos ir. Depois de decidir por um ou dois caminhos, cada um monta suas playlists e vamos para o estúdio em casa para tocar juntos e alinhar as ideias.

Já aconteceu algum imprevisto durante um b2b? Qual a melhor forma de improvisar e não entrar em pânico?

Carlim: Sim, vários, mas o pior de todos é sempre ficar com uns pen drives a menos. Se conhecer bem e confiar no estudo do outro é uma forma de garantir que qualquer imprevisto pode ser coberto por um exercício de prática com o pen drive do parceiro.

Gabto: Alguns clássicos como, por exemplo, o meu pen drive parou de funcionar e tive que improvisar com as tracks da Fernanda. Ter essa intimidade musical com o outro ajuda bastante nesses momentos. Confiar em quem está com você é essencial. 

Em um B2B, como vocês escolhem quem vai colocar a primeira e a última música do set?

Carlim: Vai no feeling do dia, mas normalmente quem assume essa responsabilidade é o Gabriel.

Gabto: Parando para pensar é algo que discutimos pouco sobre e acaba sendo decidido no calor do momento. Às vezes um ou o outro tem uma ideia a partir do que o último DJ tá tocando. 

Vocês já trocaram tracks/vinil? Quais?

Carlim: Sim, um Jacques Renault por um Kamasi Washington, são dois tesouros que temos na coleção e foi uma troca de aniversários. Além disso, nosso histórico do whatsapp é apenas links de restaurantes e Bandcamp.

Gabto: Teve uma época que a gente se dava vinil em datas comemorativas. Tracks a gente troca bastante. Tá sempre um mandando um link para o outro perguntando se já comprou no Bandcamp e pedindo para mandar o arquivo. É um processo que existe na nossa relação desde o dia um.

Como vocês organizam as tracks/vinil? Colocam algum tipo de sinalização para facilitar na hora de tocar?

Carlim: Os nossos discos são cheios de post-its e anotações, além disso, vamos no feeling e no conhecimento que temos da nossa coleção mesmo, além, é claro, das pastas temáticas né house banger 1,2 e 3, jazz 1, 2 e 3, disco 1, 2 e 3 e por aí vai…

Gabto: Tocamos em raras exceções em vinil juntos. Nesse caso, temos alguns post-its com anotações nos discos para facilitar na hora da apresentação. Para as tracks, é comum fazermos duas playlists nos seus pendrives, uma mais enérgica e outra mais tranquila para estar preparado para o que a festa e a pista nos apresentar.

Uma memória inesquecível de Gabto/Carlim?

Carlim: O nosso segundo b2b juntos, foi um set de psy na rua no meio do inverno em Porto Alegre, você só enxergava quem tava do seu lado na neblina e foi mágico. Além dos 5 anos que a gente vive junto, faz com que eu perca a conta de quantas coisas inesquecíveis a gente já fez.

Gabto: Sou horrível nessas coisas de elencar apenas uma, são infinitas. Mas falando de b2b, acredito que foi nossa apresentação na Virada Cultural em São Paulo, no palco da Gop Tun. Foi uma das primeiras vezes que nos apresentamos para milhares de pessoas. Lembro de estarmos um pouco nervosos, mas foi tocar o primeiro tune (que ainda lembro bem, foi Cocktail – Peplum Groove) que entramos no nosso mundo e nos divertimos demais.

O que você mais admira em Gabto/Carlim?

Carlim: A habilidade dele de trazer vários universos na mesma seleção e a simpatia né, ele tá com o astral sempre lá no alto e eu amo isso.

Gabto: A Fernanda é uma amiga incrível. Ela realmente se importa com as pessoas que estão perto dela. Toma as dores e as alegrias, ela tá junto. Eu também sempre me impressiono com a capacidade que ela tem de aprender e absorver coisas novas. Pela nossa convivência isso é algo que me soma muito também.

Quais técnicas você mais gosta nas performances de Gabto/Carlim?

Carlim: É a mãozinha queimando no knob quente hahahah Sempre!

Gabto: A Fernanda mixa e costura as tracks que ela escolhe muito bem. Não dá ponto sem nó. Até quando eu coloco ela em umas enrascadas com alguma track aleatória, ahaha. Sem falar no bom gosto. A seleção dela sempre é sempre muito classe.

Alguma track inesquecível que Gabto/Carlim mostrou para você?

Carlim: Nossa, são muitas, ainda mais depois de tantos anos colaborando um com o outro, mas teve uma pasta que ele me deu logo que nos conhecemos que foi a DISCO HARD com um select que ia de Frank Vigilio, In Flagranti até Marvin and Guy, hahah, acho que minha vida e minha prática como DJ mudou depois dela.

Gabto: Uma que nós dois tocamos incansavelmente foi Chinese Ways – “Secrets Of China”. Na época que ela me apresentou eu voltei a pirar em new beat e entrei de cabeça no gênero.

O que não pode faltar em um b2b? Por quê?

Carlim: Diálogo e confiança, você precisa entender para onde o outro quer ir e como vocês podem fazer isso juntos ao longo do set, acredito que isso é essencial para uma relação de troca e pode ir muito além do back 2 back.

Gabto: Diálogo, confiança e deixar o ego de lado. Estar seguro nas escolhas do parceiro e dar espaço para o outro se expressar. Isso para mim é a chave de um bom b2b em que se constrói uma narrativa juntos.

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ARTISTA: Carlim, Gabto
MARCADORES: Gop Tun Festival