Aquecimento Rock In Rio: Dia 21/09

Encerramos nossa cobertura do festival mostrando o que esperar das atrações deste sábado

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Monkeybuzz encerra sua cobertura pontual, cirúrgica e especialmente feita para os leitores, com quatro shows neste penúltimo dia de Rock In Rio. Sao apresentações diferentes mas que detém um charme próprio, capaz de encantar e despertar interesse em grandes quantidades de fãs de música Oop.

Moraes Moreira e Pepeu Gomes, para quem não sabe ou não estava no planeta nos últimos anos, são dois ex-integrantes dos Novos Baianos, formação seminal da fusão de Rock hendrixiano sessentista com música popular brasileira, com período áureo no ínício dos anos 70. Mesmo com o fim dos Novos Baianos bem longe de memória e donos de carreiras solo bem sucedidas, Moraes e Pepeu são amigos e já gravaram discos em duplas, além de dividir essa interseção musical em seus passados. A ideia da dupla é reviver canções clássicas do grupo, principalmente as contidas em Acabou Chorare, disco fundamental da carreira dos Novos Baianos, que fez quarenta anos em 2012. Para substituir a voz marcante de Baby Consuelo, ex-esposa de Pepeu, foi recrutada Roberta Sá, cantorinha de MPB da nova safra anos 00. Missão difícil para a simpática moça, que, dentre suas contemporâneas, talvez seja a que possui mais predicados. Mesmo assim, Roberta não parece capaz de assumir a irreverência de Baby Consuelo e sua subestimadíssima voz ao entoar pequenos hinos como A Menina Dança ou Tinindo Trincando. Mesmo assim, Roberta merece certo voto de confiança, mas, repito, talvez não dê conta do recado.

Gogol Bordello, darling dos alternativos globalizados, entra no Palco Sunset ao cair da noite. Liderado pelo ucraniano-cidadão do mundo Eugene Hutz, o Bordello é conhecido pela exuberância musical e teatral no palco, sempre ostentando formações numerosas e multirraciais. Ao lado da banda, aparecerá Lenine, artista que sempre manteve-se em cima de um muro estético no qual pende para uma versão sofisticada e vazia de MPB, mas capaz de algumas boas sacadas de vez em quando. Ele vai apresentar algumas canções de sua mais recente turnê, Chão, que pende para o minimalismo sonoro. Será um desafio intercalar essa percepção mais apurada com o esporro sônico à la Borat in acid proposto pelo Gogol. A conferir.

John Mayer, queridinho das mocinhas, bom guitarrista mas com tendência simostral e em mutação sonora, fez seus dois últimos discos Born And Raised (2012) e Paradise Valley (2013), com foco totalmente distinto do Blues Pop urbano que fazia no início de sua carreira. São dois trabalhos de nítida têmpera Folk Rock, voltado para um ideal de homeland/heartland que os americanos prezam muito. Apesar de não ser a praia de John, ele se saiu muito bem em ambos os discos e, caso seu show seja concentrado neste clima, as coisas podem andar bem, com perspectiva de uma apresentação agradável e virtuosa. Mesmo que centre fogo em seu momento atual, Mayer deve tocar seus sucessos iniciais como Why Georgia e Your Body Is A Wonderland, o que não significará debandada ou tristeza por parte do público. Guitarrista de técnica apurada, Mayer pode disparar algumas presepadas aqui e ali em termos de solos e caretas de sentimento musical protocolares, o que pode comprometer o resultado final, mas parece que teremos um típico show nota 7 vindo aí.

A grande estrela do RIR, o homem mais prestigiado em cima do palco, capaz de tocar por cerca de três horas sem sentir, Bruce Springsteen promete uma apresentação épica. O Boss veio ao país em 1988, integrando a turnê da Anistia Internacional. Tocou em São Paulo por pouco tempo e sem sua E Street Band, o que é equivalente a ver Messi sem a bola. Bruce está em turnê pela América do Sul, onde já encantou pessoas em Santiago, Buenos Aires e São Paulo, sempre homenageando compositores Rock locais, inclusive, disparando uma emocionante versão de Sociedade Alternativa, de Raul Seixas, logo na abertura de seu show no Espaço das Américas, em São Paulo, no dia 18/09.

Bruce tem repertório vastíssimo, manha suficiente para disparar covers do Rock’n’Soul imemorial e um público fiel, mas que, infelizmente, não o conhece totalmente, podendo debandar mesmo com as prováveis interações com a plateia que o “Boss” vai promover. Quem tem mínima familiaridade com os espetáculos/epifanias que Bruce promove diante de uma plateia, já está prendendo a respiração e ansiando por aquele momento em que o rock fará total sentido em suas vidas.

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Autor:

Carioca, rubro-negro, jornalista e historiador. Acha que o mundo acabou no meio da década de 1990 e ninguém notou. Escreve sobre música e cultura pop em geral. É fã de música de verdade, feita por gente de verdade e acredita que as porradas da vida são essenciais para a arte.