As Misturas Surreais de The Drums em Cinco Músicas

Banda prestes a lançar novo disco é famosa pela mistura homogênea de seus registro passados

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Uma das coisas mais interessantes da música contemporânea é as releituras de estilos passados que artistas atuais fazem. Este é um dos método mais eficazes para um ouvinte se aprofundar e acabar conhecendo mais do gênero original. Seja Tame Impala trazendo uma nova visão sobre o Psicodelismo dos anos 1970 de bandas como Mutantes ou Jay-Z e Kanye West revisitando músicas dos anos 60, 70, 80 e 90 em seu excelente Watch The Throne, a questão é você só tomam um conhecimento pleno das dimensões de determinado gênero quando vê a influência que ele gera na atualidade. The Drums é uma banda que segue a regra, mas a recria de sua forma.

A banda, que agora segue como um duo após a saída de Connor Hanwick e quase ter passado por um completo encerramento de atividades em 2012/2013, mostra uma clara influência Pós-Punk, misturado com um Pop dos anos 80 e um New Wave que não economiza sintetizadores. Aqui, estes estilos originais despertam o interesse do ouvinte em conhecer mais de bandas como The Smiths, Joy Division, New Order e The Cure, porém a mistura desses gêneros é tão coesa e harmônica que tudo parece se moldar como um estilo novo e muito atrativo, até mais do que o das bandas citadas anteriormente. Dessa forma, aqui ficam cinco exemplos de músicas do duo de como estes gêneros mais velhos contribuem para a formação deste estilo The Drums. Estas faixas também servem como um ótimo roteiro de redescoberta para ir preparando você para o lançamento do novo disco Encyclopedia, previsto para o fim deste mês.

Submarine e o verão alienígena

Submarine é uma canção que integra o EP Summertime!, lançado em 2009. O registro mostrava os primeiros esboços de como seria o som pelo qual a banda se popularizaria. Aqui, toda instrumentação é feita de forma que se assemelhe às canções praianas Pop dos anos 60. Entretanto, como nada na sonoridade de The Drums é tão puro assim, a banda incrementa a música com sintetizadores que contribuem com uma ambientação extraterrestre deixando a composição como um todo, divertida e macabra ao mesmo tempo. Músicas como esta acabam fazendo seus fãs curtirem também Beach Fossils.

A história sem fim de Forever And Ever Amen

É quase que imediato a relação sonora que esta música, presente em seu primeiro disco The Drums, tem com o filme História Sem Fim. Um andamento mais agitado misturado com sintetizadores mágicos e brilhantes e uma melodia extremamente pegajosa e feliz faz com que, automaticamente, você feche os olhos e se veja voando nas costas de Falcor. Esta música impede que a banda seja marcada por um ambiente fúnebre, dando dinâmica aos discos. Ou seja, ao mesmo tempo que os discos são macabros e fúnebres, eles tem seus momento felizes e bem dançantes.

A reencarnação zumbificada de The Smiths em Money

Sim, é exatamente o que você está imaginando. Esta música mostra exatamente como seria se The Smiths voltasse do túmulo e tocasse enquanto zumbis. A bateria agitada desta faixa (presente no disco mais recente, Portamento, lembra bastante faixas do grupo inglês como This Charming Man e Nowhere Fast, mas o tom mais fúnebre fica por conta do reverb presente nas guitarras e sintetizadores juntamente com uma letra que não chega a ser macabra mas sim, realista e cotidiana (“I want to buy you something but I don’t have any money), contrário ao romantismo da banda de Morrissey. Este contraste faz o ouvinte querer buscar tanto discos antigos de The Smiths, como querer ouvir mais deste “ZombieSmiths”.

A beleza do mau em Searching For Heaven

Você deve ter reparado que “sintetizador” é uma palavra que aparece e muito quando o assunto é The Drums. O duo consegue tirar de presets famosos sons que trazem a tona os mais diversos sentimentos. Nessa música, também presente no disco Portamento, a reverberação é uma ferramenta chave para o ar demoníaco criado aqui. Um dos integrantes, Jacob Graham, disse em uma entrevista que “… se o reverb não existisse, nós não teríamos nem pensado em formar uma banda”. Assim, fica claro que a relação com este efeito é totalmente prioritária para a criação de suas misturas sonoras. Neste caso específico, esta aura macabra e, de certa forma, meio religiosa (justificada pela criação extremamente católica de ambas as partes de The Drums), acaba nos evidenciando que existe beleza (e muita) no mau.

I Can’t Pretend e seus novos caminhos

Parte da admiração geral dos fãs de The Drums vem da banda estar em constante inovação. Ainda que o clima possa parecer o mesmo, a banda tenta sempre buscar um novo tipo de estrutura para seus fãs procurarem mais a respeito. Para este single que estará presente no novo disco Encyclopedia, o duo optou por uma releitura psicodélica Pop que lembra um pouco o primeiro disco do duo MGMT. Além disso, a dinâmica dançante dá espaço a uma percussão e andamento mais lentos, contribuindo mais ainda para uma psicodelia marcante. Enquanto a lisergia permanecia em segundo plano em outros registro, aqui a coisa para estar mundando.

Obviamente, estes são alguns exemplos e dicas para encontrar a magia e o interesse por The Drums. Porém, não tem jeito melhor de descobrir todo o unvierso de misturas da banda do que escutando todos os seus discos e aproveitar que a banda passa pelo Brasil em novembro. Este é um show que vale a pena ser visto pois, se for parecido com a apresentação que fez em 2012 no Planeta Terra, você vai dançar bastante e ainda terá o direito de ver as referências sonoras de várias bandas reunidas em um fantástico e brilhante duo.

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ARTISTA: The Drums
MARCADORES: Redescobertas

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.