Atordoante, Hipnótico e Muito Interessante. Saiba mais sobre Trip Hop

Com suas batidas lentas e uma atmosfera entorpecente e sedutora, o estilo mistura Hip Hop com elementos eletrônicos, Jazz, Ambient e R&B

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Pois é, mais uma vez vamos falar sobre um estilo surgido na Inglaterra. Se no texto anterior falamos de Britpop, que juntamente com Twee, Shoegaze, e os eletrônicos Dubstep, Grime e Drum‘n’Bass vem da terra da rainha, hoje falaremos de Trip Hop.

O estilo começou a surgir no final dos anos 80, mais precisamente em Bristol, mas teve sua exposição real no início da década de 90, época em que o Hip Hop, principalmente nos Estados Unidos, bombava nas rádios e nas listas de discos vendidos e fez-se uma das influências ao estilo de nossa coluna de hoje.

Entretanto, vale ressaltar que o Hip Hop que serviu de base foi o britânico, o baseado no Dub do anos 70, e não o mais pesado, seja em som e temática, que rolava nos Estados Unidos. Tal influência nacional foi importantíssima pra servir de base para o Trip Hop, pois dava a esse novo som a sustentação downtempo e ambiente que ouvimos hoje nos artistas do estilo. O nome foi dado por Andy Pemberton, jornalista musical, que descreveu o estilo desse modo: “Atordoante, muito hipnótico e a coisa mais interessante que aconteceu com o Hip Hop. Seria o Dr. Dre usando cogumelos mágicos?”

Além do Hip Hop, o estilo também é composto por um mix interessante de outros estilos com o Jazz, o Soul e o R&B, tudo isso misturado com elementos de eletrônico, resultando num som classudo, cadenciado e marcante com camadas e texturas leves e sublimes que servem tanto para gerar um clima de lounge, quanto para pistas de dança mais minimalistas ou, é claro, para se ouvir no conforto do quarto viajando e entrando no clima, que de início era dado apenas por um som instrumental místico, envolvente e hipnotizante.

Um dos primeiros materiais do estilo surgiu nos primeiros anos da década de 90. Em 1991, era lançado Blue Lines, disco de estreia da banda Massive Attack. Nos dois anos seguintes, o novo gênero seguiu firme com os singles In Flux de DJ Shadow e Aftermath do projeto solo de Tricky, do Massive Attack.

Além dessas obras, uma coletânea seria importante para apresentar para o público vários artistas do estilo. Trata-se do disco Headz lançado pelo selo Mo’Wax, o qual era dedicado ao Trip Hop. Nessa coletânea, lançada em 1994, fomos apresentados a nomes como Awusound, R.P.M., UNKLE, La Funk Mob, Howie B, e até mesmo Air, que, apesar de não ser exatamente do estilo, apresentava caracterísitcas do Ambient Music e do House em downtempo que são presentes do estilo de Bristol.

No mesmo ano do lançamento desta coletânea, Portishead daria vida ao seu primeiro disco, Dummy, e também se tornaria um dos principais artistas do estilo. O trio Beth, Geoff e Adrian – esse último um guitarrista de Jazz -, monstrando mais uma vez a influencia do estilo classudo no Trip Hop – marcaria a música dos anos 90, principalmente para o público fora do mainstream, com suas belas obras lançadas, servindo de influência para nomes que viriam a seguir.

Mais recentemente, o estilo se mostrou importante pra a nova geração de músicos sendo readotada como base para novas bandas ou até mesmo em um certo revival. Os melhores exemplos podem ficar com How to Destroy Angels e Little Dragon.

Formado em 2010, How to Destroy Angels possui ninguém menos que Trent Reznor, do Nine Inch Nails, que acompanhado de sua esposa Mariqueen Maandig – que dá a voz às faixas – compõe a banda que traz em seus dois EP’s, o mais recente lançado neste ano, uma sonoridade muito similar ao Trip Hop e suas batidas eletrônicas vagarozas e cadenciadas em meio a uma atmosfera entorpecente e cativante.

Apesar de ser de 1996, o quarteto sueco Little Dragon só foi lançar seu primeiro trabalho em 2007. Trazendo ainda mais a sonoridade de raiz do Trip Hop, o grupo resgatou o downtempo com caracterísitcas de Soul e se tornou um dos nomes atuais mais fortes a executar o estilo se apresentando em grandes festivais ao redor do globo, como na edição deste ano do Sónar em São Paulo.

Além desses dois maiores nomes, outros artistas vem se baseando no estilo, como The Weeknd e seu R&B em downtempo, que pode ser ouvido em seus EP’s e na recentemente lançada compilação dos mesmos, nomeada Trilogy.

Os dinamarqueses do Blue Foundation são mais um nome atual. Mesmo com alguns anos de atividade, o grupo só foi ganhar mais notoriedade após sete anos de atividade ao lançar o álbum Life of a Ghost de 2007 e traz alguns toques de IDM e Ambient Music.

E para os fãs dos grandes nomes do Trip Hop as notícias são boas, visto que, recentemente, em 2010, o Massive Attack lançou seu quinto álbum de estúdio, Heligoland, após um hiato de sete anos sem novos materiais. No ano seguinte, DJ Shadow com mais um disco, o The Less You Know, The Better e neste ano, Geoff Barrow, do Portishead, lançaria o segundo disco de seu novo projeto BEAK>.

A Inglaterra se mostra, mais uma vez, um celeiro de bons estilos musicais, daqueles que marcam e perduram. o Trip Hop vem se mantendo firme pelos anos com os dinossauros do estilo, mas também, e o que é mais importante, inspirando novos artistas com a beleza das passadas lentas de suas batidas eletrônicas e seus elementos de classe.

Discografia Básica:

Massive AttackBlue Lines DJ ShadowEndtroducing… TrickyMaxinquaye CompilaçãoHeadz PortisheadDummy

Discografia Atual:

How to Destroy AngelsHow to Destroy Angels Little DragonLittle Dragon Blue FoundationLife of a Ghost The WeekndHouse of Balloons BEAK>BEAK

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Autor:

Marketeiro, baixista, e sempre ouvindo música. Precisa comer toneladas de arroz com feijão para chegar a ser um Thunderbird (mas faz o que pode).