Baleia: Segundo Álbum É “Mais Intenso”

Banda carioca começa a mostrar novidades do sucessor de “Quebra Azul” em shows

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Fotos: Reprodução: Festival Vaca Amarela

“Começou. Agora, não tem volta”, brincava Baleia e a produção no domingo, 20 de setembro, após show em São Paulo, noite em que a banda mostrou ao vivo três músicas que estarão em seu próximo álbum, o sucessor do devidamente aclamado Quebra Azul (2013) – ainda sem título ou data de lançamento divulgados, mas que tem nesta semana o início de sua divulgação.

Das três faixas apresentadas no palco, apenas Volta teve seu nome revelado, além de ter tido seu streaming presenteado para quem foi ao show através de uma página na Web protegida por senha. É uma canção um tanto sombria que ganha novos contornos ao longo de seus cinco minutos cheios de pequenas surpresas e diferentes momentos. As outras duas tocadas em São Paulo seguem o mesmo espírito, sendo que uma delas tem grandes chances de ser nomeada “favorita” por grande parte do público, principalmente por suas cores variadas em vocais percussivos, algo novo no som do sexteto.

Fica a impressão de que as novidades que ouviremos no álbum evidenciam um crescimento natural no som da banda desde o que vimos no disco de estreia. “A gente sempre tenta incorporar as nossas inspirações e referências e experimentar em cima de coisas novas e diferentes”, conta o vocalista Gabriel Vaz ao Monkeybuzz, que afirma ver o novo trabalho como uma continuação do anterior.

“Quando a gente lançou o Quebra Azul, teve a sensação de só estar pausando um processo de descobrimento pra poder lançar um disco, porque a gente já tinha o material suficiente”, comenta ele, “agora, foi meio natural, quase como uma evolução mesmo do que a gente estava querendo fazer e continuar explorando”.

Já havia sido dito que o novo disco seria mais Breu do que Casa, o que pode ser notado claramente em Volta não só pela tensão em sua atmosfera (timbres graves, inclusive na percussão, em contraste com a voz aguda do violino), mas também por versos como “Meu lugar são dois mundos em colisão”. E o novo single poderá ser ouvido ainda nesta semana, com estreia programada no programa Faro MPB, da emissora carioca MPB FM, à meia-noite de quinta para sexta (25). Com ele, vem mais pistas sobre o álbum, já que sua capa traz um esboço de uma das ilustrações presentes no encarte.

Baleia – Volta

Ser “mais Breu do que Casa” implica, na verdade, mais em semelhanças entre os dois lançamentos do que em diferenças, mas ambas existem. “Acho que existe uma ligação, por mais subjetiva e não-direta, com o primeiro disco”, revela Gabriel, “o universo do primeiro acontecia em um lugar mais íntimo e neste existe um embate maior dele com o mundo, sempre uma dualidade entre o protagonista e alguma outra coisa, seja uma outra pessoa, situação ou o mundo”.

Uma diferença que qualquer um que acompanha a história do sexteto pode imaginar tem a ver com o processo de produção da obra, já que Quebra Azul foi feito ao longo de dois anos. Desta vez, Baleia teve dois meses entre as reuniões para composições e o início das gravações, que também não levaram muito tempo. “A gente já tinha mais consciência do que a gente queria fazer, estava fazendo e aonde queria chegar”.

“A gente percebe que o resultado foi com certeza um disco mais coeso musicalmente e em termos de universo lírico”, explica ele, “é um disco bem mais intenso e direto, bem amarrado”. Gabriel conta ainda que, assim como aconteceu com Quebra Azul e foi registrado no EP Ao Vivo no Maravilha8, as novas músicas ainda estão se desenvolvendo no palco, como os shows desta pequena turnê de pré-lançamento tem mostrado.

E quem já viu o show sabe o quanto as novas músicas combinam bem com o repertório que Baleia já apresentava, seja com músicas como Motim e Furo ou com suas versões de Noite de Temporal/Little by Little (mash up de Dorival Caymmi e Radiohead) ou Tardei (Rodrigo Amarante). Foram só três inéditas, mas já deu para ficarmos ainda mais ansiosos para o que vem por aí.

“Começou. Agora, não tem volta”. Ainda bem.

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ARTISTA: Baleia
MARCADORES: Entrevista, Novo álbum

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.